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Caminhada à colina das lembranças

Então finalmente Luiz estava lá, era algo que ele pensava em fazer durante anos, mas nunca houve a oportunidade; dias passaram durante o tempo em que todas as sua lembranças tornaram-se cinzentas e a vida prosseguiu aparentemente sem nenhuma questão de aparar as antigas arestas, entretanto, quando a possibilidade surgiu foi aproveitada.
A caminhada se iniciou por volta das oito horas da manhã, o Sol já mantinha sua influência sobre toda a vida naquele dia de sábado. Juntos um grupo de vinte pessoas deixaram o acampamento base rumo ao monte chamado Horebe; Luiz nunca antes tinha se proposto a tal aventura por dois motivos, primeiro, porque não cria que realmente fizesse alguma diferença essa espécie de peregrinação espiritual, mas nunca condenou quem praticava e segundo, porque naquela colina em especial desenvolveram-se fatos produzidos por sua própria mente que o aprisionaram durante muito tempo. Mas depois de encontrar a Verdade e receber entendimento de tantas e tantas coisas que o rodeavam, não houve escolha que pudesse ser feita a não ser aceitar o convite daquele grupo que subiria para obter um pouco mais de paz e tranqüilidade para elevar seu pensamento e trazer todo o entendimento diante do seu Mestre.

“subiremos logo pela manhã” _ Disse o responsável pela congregação.

A princípio foi cogitado que no meio dos homens da congregação da pequena cidade não se achasse um número superior a cinco ou seis para realizar a caminhada.
Mas agora, depois de pôr seu corpo à prova durante a subida que embora não fosse assim tão ingrimi tinha seus momentos de adrenalina; ele finalmente estava assentado sobre uma rocha saída do chão, o solo estava coberto de vegetação rasteira e seca, como uma espécie de palha campestre, por todos os lados haviam pequenas árvores em cujos galhos poucas folhas existiam, e acima continuando a colina uma grama alta que reluzia ao toque do sol e dançava ao sabor da leve brisa que amenizava o calor intenso.

“Este é o lugar” _ reiniciou aquele que conduziu o grupo depois de um longo período de silêncio que durara toda a subida; e continuou_ “Ficaremos aqui”.

Luiz se colocou de pé depois de tomar um pouco de ar e olhando ao redor apreciou a belíssima paisagem esculpida milênios atrás. A sua frente, um vale cuja beleza ele não cria que pudesse haver naquelas terras mesmo durante anos imaginando como seria aquele lugar e delineando cada palmo de terra do monte com suas fantasias místicas do passado. Mas agora não se tratava mais de fantasias místicas de um passado sem valor e sim de uma realidade pautada no conhecimento da Verdade que o levara até ali, principalmente para refletir sobre uma série de situações que o abordavam todos os dias.
Um grupo de pessoas ainda chegava e buscava assentar-se sob as sombras sem expressão produzida pelos finos galhos das pequenas árvores; senhores já com uma certa idade que também fizeram a caminhada pelas trilhas acidentadas da colina com o propósito de visualizar toda aquela beleza rudimentar e grandiosa esculpida através das eras pelas mãos da natureza a mando de seu SENHOR; aqueles homens costumavam estar sempre fazendo o trajeto e já conheciam-no muito bem, o mesmo não ocorria com Luiz, pois era a primeira vez em vinte e seis anos que ele estava se aventurando por aquele percurso.
 A subida era tranqüila até uma certa parte, e pessoas transitavam na base do monte indo e vindo de suas ramificações, lá as trilhas levavam a muitos lugares diferentes, ou sob a mata fechada numa área de proteção ambiental ou para um topo de onde podia-se ver toda a extensão do município de Mesquita onde os montes do concerto, Horebe e um terceiro cujo nome não foi revelado nesta aventura assomam sobre a cidade. Era um dia festivo para os cidadãos e quando Luiz e os outros passaram caminhando rumo ao topo nem ao menos foram notados; a trilha começava larga, porém desde o primeiro metro já acidentada, com o tempo se fechava e penetrava por matas onde a luz do dia era parcialmente impedida de tocar o chão, as elevadas copas das árvores tratava de “defender” os andarilhos do desgaste de enfrentar, além da subida que exigia um pouco do físico, também o calor solar da região. Do lado direito do caminho todos visualizavam a terceira montanha que se erguia como um paredão verde semi-rodeando o monte Horebe, escutava-se o canto de uma infinidade de pássaros e para completar o cenário, sobre toda aquela paisagem o azul do céu contribuía de forma sem par; do lado esquerdo do caminho a visão embora bela era também temerosa, um penhasco se configurava e a cada passo dado ele tornava-se mais e mais vertiginoso, mas de certo modo o jovem achava que tudo aquilo na verdade formavam uma cena perfeita para uma manhã de sábado. Dentro de sua mochila estavam acondicionadas poucas coisas, apenas uma garrafa com água que nem foi usada; sua bíblia, uma caneta, um telefone celular e seu boné. Nada mais.
A certa altura a mata deu lugar a uma vegetação rasteira e semi-rasteira e a marcha tornou-se uma fila indiana, pois o caminho não comportava mais de uma pessoa por vez; foi o momento em que a trilha ficou mais estreita, pouco mais de um palmo entre o paredão arenoso do Horebe e a queda violenta do vale do concerto; algumas pessoas chegaram a escorregar, mas não houve sustos mais intensos do que isso. Passaram por lugares onde muitos estavam apreciando a vista, mas ainda era a metade do caminho e resolveram ir mais além, até um ponto que julgaram apropriado para seu objetivo.
Quando todos finalmente se reuniram, inclusive, dois que tomaram uma trilha alternativa e acabaram do outro lado da colina; finalmente puderam contemplar tudo aquilo, toda a beleza que Deus os proporcionava visualizar naquela manhã, e sentado sobre uma das muitas rochas espalhadas pelo terreno inclinado Luiz aproveitou para por em prática o propósito de sua caminhada, muitas lembranças retornavam a sua mente naquele local e o jovem lapidou cada uma delas sem se importar com o tempo, estavam numa altura acima do vôo das aves e o ar parecia menos carregado do que na cidade, aliás, Toda a cidade estava ao alcance dos olhos, bem abaixo deles, revelando-se fora dos limites do vale. No final das contas toda aquela experiência serviu para renovar e fortalecer o entendimento dos que estavam ali, porque ainda encontraram tempo para discorrer sobre as Escrituras Sagradas.
Com certeza foi um dia que ficou marcado na mente e na vida do rapaz e de todos os que caminharam até lá.
Luiz Cézar da Silva
Enviado por Luiz Cézar da Silva em 25/08/2007
Reeditado em 26/08/2007
Código do texto: T623812
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Sobre o autor
Luiz Cézar da Silva
Nova Iguaçu - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
262 textos (39408 leituras)
7 e-livros (1145 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/12/17 12:00)
Luiz Cézar da Silva