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Meu Sertão


O sertão tem sua ciência
Tem muita sabedoria
Tem a luz da inocência
O fogo da valentia
Tem história de cangaço
Homens duros que nem aço
Visagens que só arredam
Na claridade do dia.

Tem a donzela bonita
Trajando simplicidade
No seu vestido de xita.
Tem a fé, tem caridade
Tem a fome que vadeia
Como fera assassina
Levando de eito gente
Velha moça e menina.

Tem a chama da esperança
No olhinho pesaroso
De suas pobres crianças.
Tem velho com mais de noventa
Que se sustenta na lida
No roçado, na enxada
Dia, noite e madrugada
Na luta dura e renhida

Tem o fogo abrasador
Do verão que tudo bebe
Tem tiradas de doutor
De cabra que mal escreve
É um poço de cultura
Perene e vigoroso
Fenomenal, majestoso
Onde todo Brasil bebe

Meu sertão tem vaquejada
Que não são iguais a essas
Com uns boizinhos de nada
E gente fazendo festa.
Vaquejada que se preza
É com touro barbatão, um cavalo alazão
Um cavaleiro aprumado
Guardado por um gibão.

Meu sertão tem nas entranhas
Um povo firme e forte
Com uma força tamanha
Que na vida encara a morte
Não se verga, não se entrega
E vive seu sofrimento
Na esperança que um dia
Deus os tire do relento.

Meu sertão está aqui
Aberto a quem quiser
Experimentar o pequi
Beber água em coité
Comer buchada de bode
Pirão e sarapatel
É quente que nem o inferno
Mas é um pedaço do céu.
Raimundo Nonato
Enviado por Raimundo Nonato em 28/08/2007
Código do texto: T627167

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Sobre o autor
Raimundo Nonato
Teresina - Piauí - Brasil
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