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CHAPÉU DE CHUVA DA SAUDADE

                        CHAPÉU DE CHUVA DA SAUDADE

A infância passou como um filme de aventura
No filme não havia mocinho nem bandido

Haviam quintais folia de reis passando na rua
Menina de trança de vela na mão no meio da procissão

Havia um rio correndo para abraçar o mar
Uma estrela caindo na beira do cais do porto

No Cine Poeira do passado distante a sessão terminou
Como um corte uma ferida uma palavra perdida no ar

O chapéu de chuva da saudade
Ficou pendurado no cabide do tempo

Coração de menino ainda mora no lado esquerdo do peito
Mas a infância passou como um filme de aventura

       Cláudio Bento


                  ONDE MORA O SE CORAÇÃO

Os índios da minha aldeia
Caminham tristes vestidos de pobreza e solidão

Os índios caminham tristes
Pés descalços sobre o pó das estradas

Procurando o rio da infância de seu povo
Procurando a identidade perdida a tribo perdida a esperança perdida

A alma dessa gente está guardada
Na curva do rio da sua história

Sua história suja de sangue
Sua história encharcada de lágrimas

Por isso eles caminham à procura das barrancas do rio
Onde mora o seu coração

       Cláudio Bento


                       PRECE DO JEQUITINHONHENSE

Por muitos anos vivi em Jequitinhonha
Principalmente nasci em Jequitinhonha

Por isso tenho essa pele parda
Oitenta por cento de sangue africano
Quinze por cento de sangue indígena
Cinco por cento de sangue lusitano

E essa preguiça ancestral que é a parte melhor
Que trago incrustada na alma e que é a mãe da invenção

Esse humor àcido e a vontade de abarcar o mundo
Vem de Jequitinhonha

De seus dias de sol suas noites de escuridão
O ato de sorrir diante da adversidade é doce memória jequitinhonhense

De Jequitinhonha trouxe lembranças que agora te ofereço :
Esta estátua de barro do artesão Didi
Esta fina areia das margens do rio da minha infância
Esta colcha tecida pela mestra Adalgisa Guimarães
Esta timidez este sorriso entredentes

Tive sonhos
Tive manhãs de sol
Tive estrelas alumiando meu quintal

Hoje já não sonho
Não tenho manhãs de sol
E as estrtelas já não moram no meu quintal

Mas como sofro

        Cláudio Bento


                          O GALO E A NOITE

Um galo rasga a noite com seu canto
Tecido a auroras e quintais

Agora que a cidade dorme
Velada pelas estrelas

Nenhum pio de passarinho
Nenhum estalido de capim se fazem ouvir

No meio do mundo
O rio corre em seu delírio de rio em sua rota de curvas e sonhos

Somente os galos parecem adivinhar
O inevitável espectro do dia

Do clarão do dia que virá rompendo a aurora
Adormecida na praia imersa em seu silêncio e em seu destino

       Cláudio Bento
Cláudio Bento
Enviado por Cláudio Bento em 14/09/2007
Código do texto: T651931

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Sobre o autor
Cláudio Bento
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Cláudio Bento