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Astolfo

Hoje em dia nada mais surpreende as pessoas. Tem as bem humoradas, as mal humoradas, as de lua. Os ligados, os desligados e os de lua. Astolfo estava incluso no grupo dos de lua. Vivia pelos cantos procurando passar despercebido, já que gozavam do seu nome, mas ficava ligado quando passava na sua frente uma menina bonita. Era um tarado por ninfetas. Por vezes foi chamado de Humbert. Ou pequeno Humbert, devido sua pequena estatura.
Tomava cuidado redobrado, visto que poderia acabar entrando numa fria. Os amigos viviam lhe avisando que mais dia menos dia ele acabaria enrascado. Muito seguro de si continuava sua busca insaciável por garotas, conquistador inveterado de ninfas.
- Até hoje não deu problema.
Os riscos eram pequenos diante de tanta beleza. Mas os problemas começaram. Foi naquele dia que ele conheceu ela. De principio imaginou tratar de um poste. Estranhou dois postes juntos. Subiu o olhar. Lentamente analisando cada centímetro. E o coração acelerando. Subindo as batidas centímetro a centímetro. Quando chegou ao rosto quase teve um torcicolo.
- Um poste!
Uma voz doce. Foi ela que disse. Ela viu um poste. Ele viu estrelas. Dera uma cabeçada no poste. Ela lhe fez um curativo. Ele caiu apaixonado. O nome dela era Paula. Ele desmaiou.
Ouve-se um grito estarrecedor. A empregada vai acordar a jovem para a aula e encontra os dois na cama. Um escândalo. A menina teve seu quarto invadido pelo pai e a mãe.
- Desgraçado. Ela só tem quatorze anos!
- Com esse tamanho?
Ainda não se sabe se o espanto do Astolfo foi pela descoberta, ou pelo soco que quase lhe arranca o nariz. Mesmo assim está feliz, quebrara seu recorde, era a mais nova da sua lista. A mulher segura o marido.
- Me larga mulher, eu vou matar este cara.
- Me larga que eu mato teu pai.
Dizia Astolfo escondido atrás da coxa esquerda da garota. Eles acertaram a empregada. Chamaram a policia. Um escândalo. O delegado interrogou os envolvidos. Este estava no grupo dos mal humorados. Começou pela garota.
- Esse marginal lhe levou para a cama?
- Não, senhor. Eu fui sozinha.
O delegado balançou a cabeça. Resolveu interrogar o Astolfo. Ajoelhou-se para um cara a cara.
- E você? Bonito, hein?
Astolfo lambe a mão, passa no cabelo.
- Eu também acho. Isso que nem dormi direito.
- Que desaforo. Invade uma casa. Arromba uma janela e tira sarro!
- O que é isso? Já estava arrombada.
- Minha filha era virgem.
- Eu sou virgem papai, nasci em setembro.
Outra vez tiveram que segurar o pai da moça que partia para cima do Astolfo. Depois de muita discussão, o delegado consegue retomar seu interrogatório. Desta vez dirige-se a empregada que recobra os sentidos.
- Então a senhorita entra no quarto da vitima, e vê este meliante com o órgão de fora?
- Órgão não, vi uma flautinha deste tamanico.
Desta vez tiveram que segurar o Astolfo. Depois de mais uma confusão o delegado irritado, dá um basta.
- Chega. Vou levar todos para a delegacia. Vamos providenciar o casamento.
O pai da moça atalha.
- Mas de jeito nenhum que minha filha vai casar com este cara.
Todos olham espantados.
- Com um nome destes? Nem pensar...
J B Ziegler
Enviado por J B Ziegler em 23/09/2007
Código do texto: T665223
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
J B Ziegler
Gravataí - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
217 textos (42475 leituras)
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J B Ziegler