Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Crises Existenciais

Meu bolso está vazio!
Não há papéis, não há nada
Estou sentindo frio
Minha alma está lavada

Tenho medo,
Sinto medo de ficar sozinho
Não há segredos
Há muitas pedras em meu caminho

Tenho amor,
E às vezes acordo assustado na madrugada
Tenho dor,
Percebo que não tenho nada

Minha bonança já passou
Resta-me apenas o conforto
De saber que nada sou
E que um dia estarei morto

Minha mente enlouquece
Muita coisa pra pensar
Meu peito padece
Não consigo me suportar

A luz está acesa
O som está ligado
A comida está sobre a mesa
E lá estou eu, parado!

Não há mais dor
Minha vida foi tomada
Resta-me apenas um grão de amor
Na verdade não há mais nada

Olho-me no espelho, vejo o fim
Vejo tudo que não quero ver
Há um monstro dentro de mim
Querendo me deter

Já não importa o que aconteceu
O que importa é que devo lutar, vou chegar não adianta a distância
Este monstro sou eu
E não posso sucumbir diante da minha ignorância

Sou cego, surdo e mudo
Não falo, não ouço, nem vejo
O nada é agora o tudo
Que eu infelizmente desejo

Meu peito não sente mais alegria
Sou um poço insistente
Resta-me apenas a agonia
De me ver tão decadente

Vejo o dia como a noite e a noite como o dia
Não quero enxergar mais
Cansei de ver tanta porcaria
Agora eu quero a paz

Agora eu quero deitar em minha rede e sonhar feliz
Quero dormir pra sempre, não quero mais ver a luz do dia
Quero esquecer-se do meu país
E de toda a sua hipocrisia

Agora eu quero apenas,
Alguém que me levante quando eu cair, eu preciso!
Quero uma linda morena
Que traga de volta ao meu rosto, um sorriso

Agora eu quero esquecer-se do meu tão sonhado futuro
Não há nada bom!
Estou seguro
Que não iria lamentar se me juntasse a Vinicius e Tom

Chega de sonhar
E fazer de mil quimeras uma real loucura
Não quero mais saber de lutar
Chega de enfrentar a censura

O que farei lutando sozinho?
De que adianta enlouquecer e perder minha vida
Acho que devo apagar tudo isso do meu caminho
Chega de lutar pelas Causas Perdidas

O dinheiro machuca, mata e corrói
Eu não sou melhor que ninguém
Nem tenho vocação pra ser herói
E lutar pelo bem

Dá-me paz e sossego, Meu Deus!
Faz-me viver pelo lado certo
Faz-me esquecer desses problemas que não sãos meus
Meu futuro é incerto

Meu pai errante, e corruptível onde estás?
Por que me decepcionaste tanto, onde está a sua firmeza?
Tudo que você faz
Só me traz tristeza

Nessa porcaria que é a minha existência
Não há mais sentido
Só há decadência
Tudo está perdido

Não há luz no fim do túnel, nem esperança
Tudo se mostra impossível
Não sei o que é bonança
Desiludido, caio numa desistência terrível

Não posso, não quero e não devo mais viver
Sou um louco, uma causa perdida!
Não paro de sofrer
E não tenho razão pra continuar com essa vida.

Antônio Drummond de Moraes
Antônio Drummond de Moraes
Enviado por Antônio Drummond de Moraes em 01/10/2007
Código do texto: T676308
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Antônio Drummond de Moraes
Capela - Sergipe - Brasil, 25 anos
33 textos (1026 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/12/17 03:50)
Antônio Drummond de Moraes