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Então... Vai Trabalhar...

Há um tempo, eu vivi situações de muito estresse, indecisões sobre o que fazer da vida, mudar ou não de cidade, enfim, dúvidas e mais dúvidas. De um lado a família pressionando, de outro a minha própria vontade, foi quando no alistamento militar descobri que estava começando a ser hipertenso.

Procurei a um médico, cardiologista, me assustei com a cara do doutor, mascando chiclets, mas tão pálido que parecia até um defunto.
Sempre que posso procuro evitar tomar remédios de alopatia, sinto como se criasse certa dependência, assim como a dor de cabeça que não passa sem a aspirina (não tomo aspirina, prefiro Dorflex, sem merchandising é claro), ao consultar a lista de médicos e especialidades que atendiam pelo meu convênio, encontrei uma médica homeopata que atende perto de casa, logo marquei uma consulta.

Dentro da sala da doutora:

- E então, qual é o seu problema? – indagou a médica.

Não esperava que me fizesse uma pergunta tão difícil, pois eu mesmo ainda não tinha me indagado, sem pensar muito respondi:

- Não sei...

- Então não deveria estar aqui, não acha? – disse a doutora.

- Bom, tenho um pouco de pressão alta e também problema na tireóide, mas acho que preciso de ajuda no lado emocional. – expliquei.

Ela então me explicou que não trata de hipertensão ou glândulas com homeopatia, mas que poderia me ajudar no emocional.

Inicialmente descrevi meus conflitos internos, que as pessoas com as quais estava convivendo me irritavam, mas que eu ficava bravo comigo mesmo e não com os outros, pois não queria discutir com ninguém, afinal família é família.

- Isto que você está sentindo é Angústia. – Disse a Doutora.

- É, pode ser. – respondi.

- O que você faz da vida? Estuda? – perguntou.

- Sim, faço curso técnico em administração. – respondi.

- O problema é convivência? – indagou a médica.

- Sim. – respondi pensativo.

- Então... Vai trabalhar... – disse a doutora com a maior tranqüilidade, paz, firmeza e musicalidade no tom da voz.

Confesso que me assustei, mas a forma como ela disse me provocou uma reação de riso que quase não contive. Não acreditei que estava ali para me mandarem trabalhar!

- Você poderia mudar seu curso para o período noturno – sugeriu.

- Mas eu já estudo de noite – respondi sorridente.

- E não faz nada o dia inteiro? – indagou.

- Não. – respondi acanhado.

- Então... Vai trabalhar... – sugeriu a doutora com a mesma musicalidade, e tranqüilidade na voz.

Fiquei sem resposta novamente, apenas fitando os olhos da doutora, que por sinal são lindos, um azul claro tão profundo que senti como se minha própria alma estivesse sendo examinada naquele exato momento.

- Já que o problema é convivência, porque você não conversa com alguns amigos e vai morar numa república? – sugeriu a doutora.

- É que... – ia tentar argumentar quando ela começou a sugerir novamente.

- Se o problema for dinheiro. Então... Vai trabalhar... – sugeriu a doutora pela terceira vez nesta consulta de 20 minutos.

No fim, ela me receitou segundo ela, um remedinho homeopático, que me ajudaria a tomar estas grandes decisões... Do jeito que eu estava estressado, e por logo na primeira semana ter ficado mais calmo, supus que tivesse me receitado um calmante tarja preta homeopática, se é que existe isso, mas também consegui sair do sufoco da indecisão, resolvi correr atrás de meus sonhos e quem sabe trabalhar um pouco...
Ricardo Takaki
Enviado por Ricardo Takaki em 12/10/2007
Reeditado em 12/10/2007
Código do texto: T690845
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ricardo Takaki
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 28 anos
50 textos (2249 leituras)
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Ricardo Takaki