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As águas de Finados

            Ele era mesmo doido e todo mundo se arrepiava se ele falava umas besteira que Deus me defenda e que tava na cara que era mesmo mentira e o descarado jurava pela alma da mãezinha dele mesmo e tudo que era fato. Só que como era doido bom, e de gentileza em gentileza fez fama de utilidade e amizade, uns até parava pra rir das lorotas e mentiradas dele, até de uma história de extraterrestre et que levava ele nem não sabia pra onde e que lá era só luz pura e doido de cego via uns cabrinha baixo com cabeça de jiricaca que tirava o coração dele pra modo de examinar e coisa e tal.
            E assim lesado, andava os dia a mangar dos estilingue dos menino, prosando que os extraterrestre et é que tinha arma boa que nem que igual as do Buck Rogers, que dava duzentos, trezentos tiro sem bala e coisa, de modo que as esquisitice do tal se desenvolvia no largo dos dia, virando o povo a desconfiar que nele vivia o coisa ruim.
            Mas as menina gostava dele e se ria toda das safadeza que ele falava baixinho nos ouvido delas, graçando muito e até molhando as calcinha algumas de fogo mais adiantado. Ele é que nem não levava nada a sério não e dizia que gostava mesmo de mulher e homem e até da égua de seu Liquinha que pastava inocente lá na baixada, levantando orelha dos pai que até prendia as filha em casa no meio do medão danado de virar vô do demo coisa e tal.
            Foi que um dia o velho Duda queria ver o Patulé prefeito e mandou fazer ponte em cima do rio pra modo de impressionar o povo. E vieram da cidade uns homem de capacete que construíram a tal de ponte muito alta que dava medo de cair gente e burro e até carro corredor. E quando tava pronta o danado dizia que pulava da ponte, mas o povo ria muito porque sabia que ele nem não pulava porque se pulava morria mesmo na hora.
            Passa que lá pelos outubro deu o Patulé mais velho Duda de inaugurar a tal de ponte e o povo em festa alguns nem não subiram na ponte não senhor de medo da altura. Só o danado sentou no parapeito  com os pé pra fora e falou pro Pedro Lenhador que se chovia ele pulava mesmo e o povo quando ouvia ria dele de novo. Só o Catatau matutou que ele sempre foi lesado mesmo e que dava pra entrar algum e abriu as apostas e logo metade do povo apostava que ele era doido e pulava e a outra metade apostava que era bravata e todo mundo esperava chuva pra tirar os nove. Passa que o sol era teimoso e parecia que nem nos finado queria folgar.
            Mas quando os outubro ia suspirando o povo olhava pro céu com olho de chuva, porque nos finado não falhava e ninguém nem não sabia porque o toró caía. Dito e feito, seu moço. O sol que foi dia primeiro não volveu dos dois e são Pedro molhou tudo com trovoada e coisa. Animado o povo deu na ponte assim que o dia nasceu. Lá pelas nove o Catatau já se apertava com as cobrança de cinco por um que ele bancava, porque parecia que o danado nem num dava as cara, quando endoidou o povo de gritar e era ele mesmo que vinha e entrava direto no boteco do Severino e batia no balcão pedindo uma pinga da boa. Virava tudo num gole e já saindo tirando a roupa gritou pro Severino pra modo de por na conta que quando voltava pagava. Quando o povo ensaiou o primeiro pula ele nem não olhou nem nada, tirou a cueca e pulou.
v santana
Enviado por v santana em 21/10/2007
Reeditado em 21/10/2007
Código do texto: T703291
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
v santana
Cariacica - Espírito Santo - Brasil
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