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Será este o poema que eu caço?


Se o poema não nasce
ou surge meio torcido,
quem pranteia sou eu.
A dor dilacera o tecido
e no peito meu a carne
a mercê da dor, adoece.

Se o poema não corre solto
e leve nas linhas do papel,
perco o chão e o meu céu.
Fico, assim, sem sal e mel.
Aturdido, um tanto revolto,
vida torta, um porto morto.

Busco o poema arrebatador
que na primeira mão-de-cal
aparece virgem e magistral.
Uma diva, em noite nupcial,
a deleitar-se em puro amor,
louca, sem nada de divinal.

É este o poema que eu caço,
armo laço, arregaço o peito,
e ele teima em não nascer.
Quanto mais faço e desfaço
mais me perco no fracasso
de não vê-lo resplandecer.

Se o poema não corre solto
e leve nas linhas do papel,
perco o chão e o meu céu...


IVAN CORRÊA
Enviado por IVAN CORRÊA em 26/10/2007
Código do texto: T711463
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
IVAN CORRÊA
Catalão - Goiás - Brasil
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