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    A LEI DA PENA DE MORTE

 

GUERRA JUNQUEIRO

 

                                                                 

 

E vós dizeis: Salvemos a moral do templo,

pois todo o grande crime exige um grande exemplo.

Mas se o vosso exemplo é assassinar,

nesse caso o exemplo que ides dar,

já ele o deu primeiro, o criminoso; então,

ele é o original e vós a imitação.

Porém, há entre vós enorme diferença:

ele é uma paixão e vós uma sentença.

Vós assassinais com calma, inexoravelmente;

vós sois o punhal frio, ele, o punhal demente;

vós tendes a consciência inteira do assassínio.

Ele é o desespero e vós um raciocínio.

Perante a lei da morte, o bandoleiro atroz

é menos responsável, ainda que feroz.

Se o crime é hediondo, a lei produz horror.

É como um juiz mudado em salteador,

é a concentração diabólica do mal

e depois transformada em código penal.

Enfim: assassinar um homem que assassina

é por o Direito ao pé da guilhotina.

Postado por zilda  santiago

 

zilda santiago
Enviado por zilda santiago em 21/11/2007
Código do texto: T745663
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
zilda santiago
Carpina - Pernambuco - Brasil
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