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CRIME NEGREIRO



Amigo Farol, me conta o que você viu?
Cadê meus irmãos?
Viu o navio que singrava por estas águas?
Águas...manchadas de sangue...
SANGUE NEGRO!
Sou um pingo de sangue que aqui se perdeu
no tempo que envelheceu.

Amigo, Farol.
Sei que você está ai desde outrora,
dê conta de minha gente!
Não se comove com os meus ais?
Nesta praia, o meu passado, viu falecer?
Sabe, que esse mar cúmplice
levou consigo as lágrimas de meus pais?
O conto que minha avó iria me contar...,
meus filhos não ouviram
as cantigas daquele lugar.

Chegaram aqui,
já fracos e maltratados
Olhos tristes, e assustados
apoiando-se em outros olhos,
irmãos de sina iguais aos seus,
deixando prá trás os sonhos meus

Esparramaram meu sangue,
tiraram-lhe a cor,
marcaram a ferro quente,
tosaram minha carapinha,
arrancaram meu cachimbo,
macularam irmãs inocentes.

Amigo Farol,
devolva minha memória,
deixou que a tirassem,
foi testemunha, e nada fez.
Ficou mudo... quieto...
Teve medo também?
Todas aquelas noites...
Porque não me ajudou?

Amigo farol,
me conta só um pouquinho
prá que eu possa me achar.
Procuro minhas pegadas
apagadas pela maré.
Quero ajuntar o sangue já seco,
Ilumine prá eu enxergar.
Quero ver se encontro minhas raízes
perdidas, deste longínquo lugar!


                                                       
Maria Bento Sempre Aprendiz
Enviado por Maria Bento Sempre Aprendiz em 30/11/2007
Código do texto: T759450
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Bento Sempre Aprendiz
São Paulo - São Paulo - Brasil, 56 anos
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