Vida Antiga Vida

O que é este sentimento atormentante e depressivo, sempre que entro em contato com meu passado atualizado?

É uma sensação estranha de depressão, tristeza, dor... morte. Seria isso estar morto?

Contemplo o passado, de uma era que parece vivida há muito tempo. Vejo as fotos de velhos amigos antigos, antigas paisagens, e vejo que tudo mudou...

Em minha mente, esta lembrança é apenas uma imagem congelada no tempo. Tudo está parado e não evolui, nem mesmo muda...

No entanto, basta um movimento de pulso na frente do PC e me confronto com o passado, mas evoluído.

Mesmo sem minha presença, vejo que tudo mudou, tudo está diferente. As crianças se tornaram adolescentes. Os adolescentes se tornaram adultos. Uns se casaram, outros tiveram filhos. Alguns ainda moram no mesmo lugar, outros se mudaram como eu...

Contemplo a visão da cidade onde vivo atualmente. Não importa quantas vezes passe pelo mesmo lugar, e veja as mesmas coisas e pessoas, não é a minha casa. Sinto-me aqui como um pássaro longe do ninho, num constante bater de asas em busca de um abrigo, mas tendo à frente apenas a imensidão do horizonte.

E lá, onde eu vivia? Como será que se sentem as pessoas que eu chamava de amigos, as mulheres por quem julgava estar apaixonado? Será que o tempo também por lá passou? E aqueles que se mudaram, sentem-se também como eu?

Talvez pensem que eu tenha morrido, a ajam como tal. Por que ficar pensando em um tempo que já se passou, em uma pessoa que não mais irá voltar?

O que será este sentimento?

Imagino que seja essa a morte, visto que é como um sonho. Não há nada que me ligue àquela vida senão lembranças.

Lembranças boas e ruins de amigos, amores, situações...

Lembro-me dos amigos que fiz, e que perdi... da casa que já não posso mais chamar de minha... das paixões infantis que jamais tornarei a ver...

Esta dor que marca e sufoca, que agonia o peito e perfura a alma sempre volta, cada vez mais forte, toda vez que me lembro...

Pode não ser a morte. Um sonho não dói. Pode assustar ou comover, mas jamais doer, e este estado causa dor. Não apenas dor em seu sentido literal, mas a dor da perda, da angústia, das lembranças...

Pensando bem, não é a morte, pois ainda vivo para saborear seu gosto amargo. Mas este gosto amargo se torna doce ao fim do gole, deixa uma lembrança doce de ilusão. Faz desejar que tudo possa voltar a ser como antes.

E por que não?

Talvez não seja vida nem morte, apenas um capricho, um alarde...

Talvez seja apenas saudade...

Texto integrante do livro Meu Mundo po Mim Mesmo.

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Eduardo Setzer Henrique
Enviado por Eduardo Setzer Henrique em 09/02/2007
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