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Confissões de Adolescente II

Sempre achei meio idiotice dos jovens e adolescentes essa coisa de se acharem os bam-bam-bans, crescidos, donos de si, capazes de cuidarem da própria vida mesmo quando ainda moram com os pais e são sustentados por eles. Sempre achei que isso não levava a nada além de umas boas quebradas de cara. E eu não mudei idéia. Pelo menos eu acho que não. É que sinceramente eu me acho madura o suficiente pra saber se as pessoas com quem eu ando podem me influenciar de alguma forma perigosa, ou má de acordo com o que eu acredito ser perigoso ou mal. O que eu acho mal ou perigoso são as mesmas coisas que os meus pais consideram más perigosas. Se eu me interesso por essas coisas e resolvo praticá-las mesmo assim, aí é outra história e eu terei plena consciência dos riscos. Falo isso porque já pensei em fazer muitas coisas como beber, ir a lugares que eu sei que minha mãe não gostaria nada, nada. Lugares que nem são realmente perigosos, uma boate, por exemplo. Que jovem hoje em dia não foi a uma boate? Mas é que eu realmente não gosto de nada disso e então mudei de idéia. O desejo não passou de um breve momento de curiosidade. O fato é que eu acho que sou grande o bastante pra minha mãe confiar em mim. Aliás, eu sempre achei que minha mãe confiava bastante em mim. Quando eu era mais nova tinha mais liberdade do que tenho agora. Minha mãe nunca foi neurótica. Aos 13 anos eu já ia e voltava da escola sozinha há muito tempo, saía de noite e voltava de madrugada.  Coisas que muitos amigos meus da minha idade não podiam fazer. E agora se eu falo pra minha mãe que vou assistir filmes na casa de um amigo da Gávea, que estuda comigo, ela vira e fala: cuidado com esses amigos do colééégio. Com um tom insinuante, e desconfiado  nada agradável E, então eu penso que ela pirou de vez. Dou um pseudo-ataque. Meus amigos não são um bando de drogados-pervertidos, a gente só vai ver uns filmes. E então ela começa a dizer que eu tenho que tomar cuidado, com tudo, com todo mundo. Mas não foi isso que ela quis dizer com: ”cuidado com esses amigos do colééégio” E é aí que ela se atrapalha. É aí que ela demonstra a insegurança e o medo infundados. E é aí que ela perde a razão. O que ela está pensando? Eu tenho 17 anos. Em menos de dois anos vou ser maior de idade. E. Muito importante este detalhe. Vou estar, muito provavelmente, TRABALHANDO. Olha aí o jeito “adolescente-ridículo” de ser. Mas é verdade. O fato de ser maior de idade não muda nada a  relação a entre pais e filhos. Mas o fato de ser maior de idade e ter condições de se manter realmente sem ajuda progenitores faz sim.  Independência é algo que nós construímos, que nós conquistamos. A nossa liberdade deve aumentar de acordo com a nossa capacidade de arcar com as conseqüências daquilo que fazemos. E é isso que precisamos provar aos nossos pais todos os dias para ganharmos a confiança deles. Que somos capazes. E é nisso que eles geralmente não querem acreditar. É claro eu não sei tudo da vida, é claro que eu ainda tenho MUITO  o que aprender,  que eu ainda preciso de muitos conselhos, assim como todo jovem. Os pais devem sim nos proteger para que possamos crescer preparados para enfrentar o mundo, para encarar a vida de frente, sozinhos. Mas jamais devem nos super-proteger como se fôssemos feitos de cristal, como se ao menor descuido, pudéssemos cair no chão e nos quebrarmos em mil pedaços. Não somos tão capazes como pensamos, mas somos muito mais do que nossos pais podem imaginar.
AnaLuz
Enviado por AnaLuz em 15/10/2007
Código do texto: T695802
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Sobre a autora
AnaLuz
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 27 anos
16 textos (515 leituras)
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