O ORÁCULO DA NOITE, livro de Sidarta Ribeiro.

Capítulo 2 - O ORÁCULO DA NOITE, Sidarta Ribeiro.

DE ONDE VÊM OS SONHOS?

Seriam as imagens de seres zoomórficos ou ossadas de animais, encontradas nas cavernas, elementos presentes nos enredos dos sonhos dos nossos ancestrais? Seriam restantes de ossadas oferendas ao senhor das feras, a fim de que nossos antepassados tivessem caça garantida para a alimentação, matar a fome e garantir a subsistência ?

Não devemos negar essas memórias e a relação que existe entre elas e os sonhos. Segundo Sidarta, esses materiais são subsídios que nos deixam uma compreensão sobre o assunto, nos levam a acreditar que os sonhos são delineados de arquétipos para toda a humanidade e estão ligados à demanda de se alimentar, de se proteger, de procriar. Medo, pânico, fogo, devem ter sido elementos comuns no enredo onírico dos antepassados. Todos sonhamos com os mesmos símbolos, como, nascimento, procriação, sexualidade, conflitos, doenças, temores, mortes. Esses temas têm sido recorrentes em relatos em vigília, mostrando-nos como fomos e somos influenciados pelos sonhos em nossos modos vivendi.

Os rituais pós-morte também aparecem documentadas em sepulturas, em sítios arqueológicos, como práticas entre os humanos, mostrando que a vida dos mortos se confundia com a vida dos vivos, através de um portal que lhes possibilitava o diálogo durante o sono ou durante estado de transe.

A presença de animais no meio doméstico, por exemplo, é uma informação que surgiu com a domesticação de animais e também sendo estes como novas formas de se alimentar, assim como a fermentação e também como os ciclos das chuvas para a agricultura e a frutificação das plantas. A relação entre as passagens das fases da lua e a migração de animais levou à otimização da lavoura para matar a fome. A ação de adubar, regar, colher, selecionar sementes e sua estreita relação com a fertilidade nos expõe a cultura cíclica e as atitudes recorrentes no tempo e na história da humanidade.

A morte passou a ser promessa de uma nova vida através da idéia de tempo circular e, posteriormente, o surgimento da teoria do antagonismo, ou seja, a crença de que a vida e os acontecimentos ocorrem numa perspectiva de dualidade, como , como bem e mal, homem e mulher, criança e adulto, etc.

O metal e sua fabricação foi outro indício detectado como elementos simbólico nos sonhos, assim como construções de tumbas e necrópoles destinadas aos mortos, com a crença de que a vida ressurge na mesma proposta cíclica, daí o conforto e os cuidados demonstrados nas construções magnânimas , principalmente no Egito e no México para os mortes da realeza. Sinais de sacrifícios coletivos para acompanhar os nobres após a vida foram também observados, pois acreditava-se que as almas poderiam sair de suas moradas póstumas para viajar à noite, com o fim de se comunicar com os vivos, mantendo eles extrema importância para as famílias e justificando os extremos esforços para essa comunicação que se concluía em aconselhamentos ou avisos.

A invenção da escrita diminuiu essa prática, mas assim mesmo, a comunicação entre vivos e mortos continuou através da escrita em cerâmica e posteriormente em papiros. Estudos e imersões nas vidas de civilizações passadas eram de extrema importância para as entender e, por conseguinte, estabelecer-se comunicação com mais facilidade, objetivando-se a escuta das ordens vindas de um mundo paralelo ao dos vivos, como premonição.

Alguns gravavam os sonhos em cilindro de argila, como, por exemplo, a história de José, quando interpretou o sonho do faraó do Egito, que orientava o líder a estocar alimentos em silos, devido à seca que se aproximava naquelas terras no vale do Nilo.

Um dos sonhos mais conhecidos na história menciona o evento em que o famoso faraó do Egito, no tempo e Moisés, teria ordenado matar todos os recém- nascidos do lugar, visto que este rei tivera sido avisado em sonho sobre o nascimento de uma criança que o desafiaria, libertando o povo hebreu para as terras de Canaã. Mas Moisés, a criança citada pelo oráculo, foi salva pela rainha, quando o bebê deslizava sobre um cesto, no qual a mãe o houvera colocado, na tentativa de salvá-lo do infanticídio. Quando adulto, Moisés liderou o êxodo, libertando o seu povo da escravidão para as promissora Canaã, concretizando a profecia anunciada.

Na antiguidade, os enfermos eram motivados a dormir para sonhar no templo de Asclépio, filho de Apolo, deus da medicina. Após os sonhos, as pessoas relatavam orientações para a cura, a um sacerdote do templo.

Em Roma, os sonhos eram bastante utilizados para evitar derrotas e para conquistar vitórias. A esposa de Júlio César sonhou com o esposo sendo assassinado e, por mais que ela pedisse para o marido não ir ao senado, ele insistiu, não considerou o prenúncio e foi assassinado com 23 facadas. Seu funeral causou grande comoção a ponto de tornar-se divinizado, iniciando o império romano.

Resenha escrita pela Professora Edneuda Pinto( Claraliz Almadova - codinome) a partir da leitura de O ORÁCULO DA NOITE. Capítulo 2.

Claraliz Almodova
Enviado por Claraliz Almodova em 09/11/2020
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