QUAL O TAMANHO DO INFINITO ANTOLÓGICO?

Um embate racionalista, onde perdemos as rédeas de sustentações das nossas conjecturas imaginativas. O conceito é algo que vai além das nossas capacidades compreensivas; um desafio ao paradigma científico, a lógica cartesiana, a metafísica clássica e a religião, o infinito é um problema a capacidade humana de compreensão imaginativa.

Texto: Everilson Santos.

Uma das razões de não conseguirmos é a de não ter as capacidades intelectivas e cognitivas para traçar meios imaginativos de algo tão abstrato e sem correlações, o infinito é a única imaginação filosófica que recai na antologia e no paradoxo da incompreensão insondável.

Isso deve ser descomunal, transcendentalmente além, pois temos problemas sérios em compreender essa escala imaginativa da realidade física, e parte disso é culpa da nossa vida construída de forma sempre encapsulada ou delimitada por alguma coisa, pois vivemos numa eterna lavagem cerebral das nossas próprias limitações.

Moramos em casas delimitadas por paredes, andamos em ruas delimitadas por calçadas, entramos em carros delimitados, vivemos sob-regras sociais, religiosas, científicas e culturais que nos delimitam por dentro, nos dá término, nos regram e nos mecanizam em regras de paredes imaginativas, tudo isso naturalmente cria na raça humana um conceito de finitude.

E essa finitude se encontra na mentalidade de todos os povos, tribos e nações que vivem e viveram sobre a Terra desde a pré-história até a era da revolução informacional. Começamos a internalizar esse conceito de finitude com a ideia de morte e fim da nossa própria vida e esse primeiro conceito foi fortalecido com as primeiras formas religiosas ainda na pré-história, embora que a religião já tentasse entender o conceito de infinito no pós-morte.

Somos seres sociais encaixotados no nosso próprio modo de ver e pensar as coisas de forma cartesiana.

Talvez as formas cognitivas pelas quais fomos formados e estamos regendo nossa consciência, nos tenham atrofiado cada vez mais nessa delimitações, mas desta vez, ao invés da consciência finita de morte, redimensionamos para os métodos e formulações científicas, e isso tem anestesiado aos poucos nossa mente dedutiva e assim nos afastando cada vez mais dessa compreensão metafísica do infinito conceitual.

Se traçarmos um apanhado histórico científico da inteligência dedutiva do ser humano, desde a Grécia antiga até os dias atuais veremos que paulatinamente fomos perdendo esta capacidade ao ponto de quase anestesiar tais processos imaginativos que nos leva a ideias novas. A dedução é um modo ou processo de raciocinar onde se parte da causa para o efeito, do princípio para as consequências, do geral para o particular; ilação; consequência; conclusão.

Esse déficit de pensamento dedutivo tem causas polêmicas e talvez não tão admissíveis para a comunidade científica, e qual seria? Seria os processos cartesianos e métodos científicos cada vez mais racionalistas e matemáticos na forma de pensar, pois parecem não mais admitir ilações dedutivas.

Diante destas causas dos processos imaginativos humanos, formular algo como extremo e grande como o infinito, nosso pensamento cognitivo tenta criar, imaginar "uma coisa", mas essa "coisa" tem uma delimitação, que é o seu espaço ao redor, nossa mente está condicionada a estar presa a esta caixa delimitativa, mas como criar algo propriamente abstrato e invisível como o infinito? e se é invisível, como eu posso dizer que criamos paredes delimitativas?

A razão para existência destas paredes é que são paredes inconscientes, igualmente invisíveis a nossa visão mental, porem visíveis ao nosso subconsciente, ou seja, não percebemos que elas estão ali quando imaginamos o infinito e por isso nunca temos essa capacidade de imaginar a sua totalidade, pois a lavagem cerebral das delimitações conscientes e subconscientes nos impedem.

Sendo assim, por mais que nos esforcemos em imaginar algo extremamente grande, sempre haverá uma coisa fora desse grande, o espaço delimitante. É difícil se desconstruir de milhares de milhares de anos de pensamento moldado pela finitude da caixa.

Ao tentar imaginar, por exemplo o abismo sem fim do cosmo, nossa mente, sem se dá contas, imagina o escuro, pois é uma forma de fuga cognitiva que encontra para conceituar algo sem correlação física – simplesmente não temos modelos comparativos em nossa mente. O escuro infindável do universo não é o infinito antológico, ele é nossa forma mais infantil de compreensão de algo que nem chegamos perto de contemplar.

Para tentarmos entender, precisamos explicar melhor alguns aspectos que fazem os conceitos iniciais do infinito de alguma coisa, seja esta alguma coisa física ou antológica na sua ideia inicial. O infinito pode ser aplicado ao cosmo, ao conceito de eternidade de tempo ou até da mentalidade religiosa pós-morte, entretanto, mesmo com essas tentativas de compreensão só arranha a superficialidade conceitual, pois o número é incompreensivelmente alto.

Um bom exemplo é Deus, e aqui nos reportaremos a compreender o infinito da coisa física (universo) para tentarmos entender o infinito da coisa espiritual (Deus), contrastando os dois modelos de existência eterna para uma tentativa de compreensão do infinito conceitual.

A teologia diz que Deus é infinito, sua existência se localiza dentro do próprio infinito, e o tempo é sua criação, ou seja, ele sempre existiu, não tem criador e nunca chegará seu fim, ele existe na horizontalidade do infinito conceitual. Se não aceitamos ou não compreendemos esse argumento, vamos conjecturar a outra comparativa do infinito, o Cosmo, abordando pela argumentativa existente atualmente na ciência da cosmologia intergalática.

Deus não habita a sua criação física, ele não esta neste universo e nem habita universos, ele esta fora da sua própria criação e por isso as leis do tempo e do espaço não se aplica a ele. nisto ele é sim infinito, o infinito antológico. Ora, como eu poderia habitar algo se eu tenho que criar antes?

O universo, todo o cosmo, que é a parte material e atômica, formada por galáxias, estrelas, planetas, asteroides, juntamente com a trama do espaço-tempo, etc., foi criado segundo os cientistas no "Big Bang". Esse evento foi uma mega explosão cósmica a partir de um ponto minúsculo e condensado de matéria, e por força desta mesma explosão, toda essa matéria galáctica e interestelar encontra-se expansão até os dias atuais.

Se por acaso essa expansão nunca acabasse, todo o universo viajaria para sempre e sempre se agigantando no “espaço vazio” em todas as direções se distanciando do seu ponto inicial, e quando eu me refiro a "espaço vazio" eu falo não de algo sem matéria, mas sim de uma forma complexa de criação instantânea de espaço a partir de quando a tecedura do espaço tempo percorre esta expansão, ou seja, ao percorrer vai se criando um lugar de habitação da matéria; eu sei, é complexo, pois este lugar não é um espaço vazio e nem é matéria, e nem é o nada.

Toda a matéria vinda do Big-Bang está se expandindo a uma velocidade estonteante e navegando dentro de um “nada infinito” criando espaço-tempo por onde passa. Este “espaço vazio” que não é vazio, não é o nada e não tem tamanho é o fator comparativo a Deus, pois conhecemos as galáxias, os planetas, asteroides e estrelas, nebulosas, entre vários outros astros e corpos celestes existentes, porém não conhecemos e nem compreendemos até onde vai "o além deste espaço material", ou seja, a parte vazia, o nada absoluto do cosmo que Einstein chamou de "tecedura do espaço-tempo", e o além desta trama do universo conhecido.

Já existem novas teorias que falam de multiversos, ou seja, uma multiplicidade infinita e criativa de vários outros universos, todos navegando num “megaespaço vazio infinito” como se fosse um grão de areia em meio a uma praia infinita de outros grãos, e todos imersos num vazio eterno e infinito.

A única questão é, até onde vai tudo isso, será que tem alguma parede ou delimitação nos confins do espaço vazio? Ou é um vazio eterno, um abismo monumental para todos os lados que não existem fim e nem começo, tão incompreensivo na sua vastidão que extrapola nossas formas de compreensão cognitivas nos condenando a não ter capacidades imaginativas para entendermos.

Ou será que estamos usando a mente de forma errada, estamos limitando e condicionando nossa mente a uma forma de pensamento muito localizada na lógica das medidas científicas e cartesianas do processo delimitador.

Estamos conceituados a imaginar só o que podemos medir? Estamos encaixotados na delimitação do pensamento das três dimensões de medida? Será que estamos agindo certo? Será que nossos métodos científicos nos levarão a uma civilização de 1° grau.

Ou será que estamos condenados a infância eterna desta primeira fase, por estar usando as formas e modelagens erradas? e do explicável onde a própria noção de vácuo não existe. Questionar os processos e métodos científicos atuais é para muitos uma loucura, pois a física e a ciência já nos proporcionaram muitas descobertas e progressos humanos, entretanto, será que estes métodos servirão para compreender o cosmo e as várias manifestações anômalas da natureza da realidade por muito tempo?

Por quanto tempo a humanidade utilizará este método cartesiano científico? Isso servirá para daqui a Cinco mil anos? Dez mil anos? Estes mesmos métodos serão utilizados? Ou serão feitos novos métodos científicos baseados na lógica de uma quarta dimensão e da lógica quântica?

Nossos métodos científicos têm prazo de validade, e seu prazo já deu seus primeiros indícios com a questão quântica, a mecânica quântica era algo tão desconcertante para alguns cientistas que muitos nem consideraram no início como algo científico, pois estavam presos a sua caixa cartesiana que lhes ensinava como pensar.

E se alguns pensassem fora dessa caixa era considerado um louco ou um metafísico. E esta é uma das razões modernas que nos distanciam mais ainda para tentar compreender o “infinito conceitual absoluto” e assim compreender o conceito de Deus, que vai ainda mais além.

Só de tentar atualmente pensar nisto, no "infinito absoluto", nos dá um nó no cérebro, pois estamos adestrados e aprisionados dentro das nossas limitações imaginativas, estamos regidos a processos de pensamentos iguais.

Nós seres humanos não temos a perfeita noção deste conceito. Se fôssemos eternos, e fosse possível viajar por bilhões e bilhões de anos a velocidade da luz pelo cosmos e continuássemos eternamente em direção a um horizonte qualquer do abismo, abordo de uma espaçonave, descobriríamos que jamais encontraríamos uma parede ou uma delimitação qualquer.

Lililson
Enviado por Lililson em 25/03/2023
Reeditado em 22/12/2023
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