OS KARISMAS E O KARMA

A força do movimento carismático se alimenta nos dons do Espírito Santo. E, na medida em que os "carismáticos" procuram levar uma vida fiel a estes dons, a sua espiritualidade crescerá de acordo com a mensagem de Cristo.

A memória da vida das primeiras comunidades cristãs foi o que fez crescer o fervor de uma vida repleta do Espírito Santo. O crescimento do movimento carismático na Igreja Católica não se deve a um eventual marketing de Roma, ou de algum bispo ou padre, para se opor à propagação das seitas. Isto, inclusive, seria um absurdo, pois o verdadeiro cristão não se precisa opor a nada, ele construirá a sua identidade, buscando ser fiel à mensagem de Cristo. Por isto, achamos muito estranhas as declarações de um Padre Coordenador de Movimento Carismático, afirmando que o movimento carismático quer se opor ao avanço das seitas, e que ele (coordenador) usa na animação carismática o método de libertação do karma negativo da Seicho-no-iê.

Estas declarações, se verdadeiras, são preocupantes e uma verdadeira aberração teológica. "Karma" é um conceito reencarnacionista e significa na seicho-no-iê o conjunto de energias acumuladas em encarnações passadas. Portanto, o karma não tem nada a ver com os Karismas do Espírito Santo. É muito importante que os próprios carismáticos católicos estejam alertas para eventuais deturpações teológicas em seu meio. Acho também importante que os teólogos verifiquem se a teologia deste Coordenador de práticas carismáticas é cristã ou reencarcionista.

Penso ser justa a nossa preocupação, pois queremos um movimento carismático que realmente busque os dons do Espírito Santo e contribua para a libertação das pessoas no sentido cristão, e lhes dê ânimo para o crescimento no compromisso com Cristo. Isto também fará com que em seus cultos e animações permaneçam plenamente conscientes como o Apóstolo Paulo quer quando manda que o culto cristão seja racional e um oferecimento da vida, no dia-a-dia, a Deus. Por isto, o movimento carismático, para o próprio bem, deve proteger-se contra toda tentativa de obscurecimento da consciência, de transes, fanatismos, manipulações da racionalidade ou superexaltação dos sentimentos. Por isto, deve também proteger-se contra métodos incompatíveis com a sã e tradicional teologia da Igreja. Dali a necessidade de impedir o uso de métodos reencarcionistas na animação carismática, pois isto não é cristão. Karismas, sim; karma, não!

Inácio Strieder é professor de Filosofia – Recife/PE