Ensinar tem que ser prazeroso

Já ouvi, no meio educacional, que aprender tem que ser gostoso. Concordo, mas, no meu entender, só se consegue isso se o professor gostar de ensinar. Um professor que não gosta do que faz nunca vai conseguir fazer com que seus alunos gostem de aprender, pelo menos com ele. Por isso, ensinar tem que ser prazeroso.

Sei que todo profissional deveria gostar do que faz, pois a sua produção seria muito melhor. Mas um professor que não gosta de ensinar escolheu, assim, a pior profissão do mundo. Ele não está lidando com papéis, engrenagens, máquinas, ou outros elementos inanimados e desprovidos de intelecto e emoção. Ele está evolvido com pessoas.

Pessoas sentem, reagem, questionam, discordam, desafiam. E por aí vai. O que faz, então, em sala de aula, um professor que trabalha sem um pingo de estímulo para ensinar? Está fadado a reproduzir pessoas com o mesmo desestímulo para aprender.

A educação no Brasil passa por um momento muito indignante. Quem enfrenta todo dia afrontas, falta de respeito e até ameaças de morte, como é o professor, merece realmente salário justo e condições de trabalho seguras e satisfatórias, com políticas institucionais que garantisse uma relação harmoniosa e produtiva entre professores, técnicos e alunos. Mas, também, não se pode deixar de pensar em como melhorar a maneira de ensinar, buscando alternativas que não dependessem de dinheiro ou equipamentos de informática.

Trabalhei em uma instituição onde alguns professores não davam aula porque não havia data-show nas salas. Eu já previa a situação, e preparava meus textos em resumos escritos e distribuía entre os alunos. E conseguia dar aula com minhas "folhinhas", e os alunos não se importavam com a falta de data-show.

Eu me preocupo em ter um plano B bem interessante, que supra a falta da tecnologia, ou até mesmo nem se sinta a falta. O importante é prender a atenção do aluno, seja de que modo for porque, ensinar, pra mim, é prazeroso.