TEORIAS CURRICULARES: TRADICIONAIS E CRÍTICAS

FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR

As Teorias Curriculares Tradicionais afirmam que “o currículo aparece, assim, como o conjunto de objetivos de aprendizagem selecionados que devem dar lugar à criação de experiências apropriadas que tenham efeitos cumulativos avaliáveis, de modo que se possa manter o sistema numa revisão constante, para que nele se operem as oportunas reacomodações" (SACRISTÁN, 2000, p. 46).

E até porque é certo que,

[...] as pessoas podem construir por si mesmas, seus métodos de resolução de problemas, segundo seu próprio estilo de pensamento, que devem ser respeitados, identificados e incentivados pelos professores. (ALMEIDA, 1992, p. 155)

Por outro lado, as Teorias Curriculares Críticas definem que “o currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, explícito, contribuem, de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes [...] o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes, comportamentos, valores e orientações...", segundo Silva (1999).

Enquanto que as Teorias Curriculares Pós-críticas afirmam que “...o conhecimento não é exterior ao poder, o conhecimento não se opõe ao poder. O conhecimento não é aquilo que põe em xeque o poder: o conhecimento é parte inerente do poder [...] o mapa do poder é ampliado para incluir os processos de dominação centrados na raça, na etnia, no gênero e na sexualidade ", na concepção de Silva (1999).

As teorias do currículo tentam atender as necessidades atuais do mundo e sua globalização, valendo salientar que o mesmo será igualmente substituído e/ou adaptados a realidade de cada sociedade dentro do seu momento histórico vivenciado, segundo as verdades culturais e sociais.

Evidentemente que o principal problema no tocante as teorias que tentam explicar de maneira convincente o currículo é justamente saber na realidade qual o conhecimento que deve ser ensinado na teoria e na prática ao individuo. É justamente o que ensinar? Levando-se em consideração os fundamentos de todas as teorias que tentam arranjar uma resposta para a referida pergunta, tendo em vista o caráter da multidimensionalidade do sujeito do aprendizado, onde estão presentes: a natureza humana, a natureza da aprendizagem e/ou a natureza do conhecimento, da cultura, da sociedade, da religião e/ou da natureza transcendental desse individuo. É justamente o que diferenciam as teorias entre si. De modo que uma teoria de currículo, na concepção de Silva (1999), é justamente encontrar uma resposta verdadeira para saber o que deve ser incluído ou excluído para ser ensinado como conhecimento aceito como básico para a formação da sociedade. Dessa forma, currículo é a construção de novos saberes ou conhecimentos, a visão de mundo, de sociedade, de nós e de outros seres humanos, a libertação dos preconceitos de todos os níveis e graus, fundados e infundados, os padrões sociais, religiosos, culturais e mentais incoerentes e inconseqüentes da nossa visão da realidade em si. E até porque, “privilegiar um tipo de conhecimento é uma operação de poder. Destacar, entre as múltiplas possibilidades, uma identidade ou subjetividade como sendo a ideal é uma operação de poder.”, segundo Silva (1999), pois, é justamente aí onde está o elemento que serve de separação entre as teorias tradicionais (que aceitam a verdade como incontestável) e as teorias críticas (o por quê?) do currículo.

De modo que o currículo em todas as suas especificidades tem que explicar para que serve a escola e seus ensinamentos, de modo que:

Entretanto, o pensamento pedagógico contemporâneo não pode se esquivar de uma reflexão sobre a questão da cultura e dos elementos culturais dos diferentes tipos de escolhas educativas, sob pena de cair na superficialidade (FORQUIN, 1993).

É importante mencionar que “as sociedades da modernidade tardia, são caracterizadas pela diferença; elas são atravessadas por diferentes divisões e antagonismos sociais que produzem uma variedade de deferentes posições de sujeito, isto é, identidades para os indivíduos.”(HALL, 1999).

Da mesma maneira que Forquin (1993), afirma que “a cultura é considerada como o conjunto dos traços característicos do modo de vida de uma sociedade, de uma comunidade ou de um grupo, aí compreendidos os aspectos que podem considerar como os mais cotidianos, os mais triviais ou os mais inconfessáveis.”

A cultura praticada dentro ou fora da escola nada mais é que “os valores, os hábitos e costumes, os comportamentos da classe dominante são aqueles que são considerados como constituindo a cultura. Os valores e hábitos de outras classes podem ser qualquer outra coisa, mas não são a cultura.”, tendo como base a concepção do pensamento de Silva (1999).

Entendemos que quando falamos de escola, de cultura e de currículo, estamos na realidade falando das relações de poder, que na visão de Forquin (1993), tal relacionamento encontra-se implícito justamente “no currículo oculto que designara estas coisas que se adquirem na escola (saberes, competências, representações, papeis, valores) sem jamais configurar nos programas oficiais ou explícitos, seja porque elas realçam uma programação ideológica tanto mais imperiosa quanto mais ela é oculta”.

FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR
Enviado por FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR em 08/03/2013
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