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PROFESSOR, NÃO SEJA UM SUPER-HERÓI

                                  ARTIGO DE OPINIÃO
                                             Prof. Me. Arivaldo Leandro da S Monte

A pressa em compreender os fatores que possam melhorar a educação – como em um passe de mágica – tem levado a sociedade, educadora principalmente, a certas abordagens duvidosas as quais colocam o professor(a) como o principal responsável pelas tarefas educativas, principalmente por seus resultados não tão positivos.Vejo aí uma intenção velada do Estado – com a contribuição midiática – de desviar do verdadeiro foco das estruturas e relações sociais que envolvem o contexto escolar como: desemprego, abandono de menor, pobreza, falta do que comer em casa, baixos salários, desemprego, pais e mães ausentes, falta de saneamento básico, saúde, políticas públicas etc. e também escondem a falta de prioridade por parte de nossos governantes que contam com o incentivo da grande mídia, alienante do povo.
Por essa razão, a busca de solução acaba apontando, sempre, na perspectiva de encontrar bons professores (super-heróis, dedicados, amorosos e que não reclamem dos baixos salários) para resolver todos os problemas da educação a curto espaço de tempo. O tema, erroneamente, sempre aponta a preocupação nesse sentido quase utópico, mágico e romântico da professorinha suburbana, basta você, professor, lembrar das reuniões pedagógicas de inicio de ano, sempre tem aquele slide de motivação, meio que de autoajuda com frases que falam de amor, vocação, dedicação etc. só não falam mesmo do profissionalismo do professor e da identidade institucional, você se transforma numa espécie de pai, mãe, tia, tio, algum parente próximo ou cuidador de crianças – e pasmem, muitos professores compram essa simplória ideia.
Surgem assim dezenas de cursos de formação continuada, todos ofertados de bom grado e de boas intenções pelo Estado. Ideias mirabolantes, novas pedagogias e didáticas inovadoras para os professores se aprimorarem no ensino e melhorarem suas performances, caso não dê certo, mais uma vez os educadores irão levar todo o peso da culpa pelo fracasso, livrando “mais uma vez” a cara dos nossos dirigentes governamentais bem intencionados.
Acredite, essa nuvem de fumaça fará com que todos os outros fatores conjunturais caiam no esquecimento, como se a solução fosse unicamente buscar professores super-heróis, salvadores da pátria, eficazes, bem formados, capazes de neutralizar os demais fatores que influem diretamente sobre os resultados dos alunos, tais como: a origem social e seu capital cultural, as condições de trabalho nas escolas, a gestão escolar, desemprego, e muitos outros.
Por isso interessa tanto ao sistema neoliberal vender essa imagem de herói dos professores para encobrir erros e omissões do Estado Nação. Nunca houve, de fato, prioridade para a educação no Brasil. Há engodo de pequenos projetos fugazes e grande estardalhaço da mídia para dar satisfação social e comprometimento da imagem do professor.

                                                                                  08.04.2021
Leandro Dumont
Enviado por Leandro Dumont em 08/04/2021
Reeditado em 08/04/2021
Código do texto: T7226885
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Sobre o autor
Leandro Dumont
Currais Novos - Rio Grande do Norte - Brasil
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