Experiências vividas no cotidiano escolar através dos estágios supervisionados da UFPI

A cada experiência, mais uma lição significativa de aprendizados. Durante todo estágio, tentei propiciar ao aluno uma aprendizagem significativa. Meu propósito era conduzir aulas prazerosas e produtivas, desejando que os alunos pudessem manifestar seus interesses ao estudar. A todo instante, procurei posicionar-me como mediadora ou facilitadora da aprendizagem desses alunos, tentando ajudá-los a construir seu próprio conhecimento.

Quanto à minha postura de tentar conduzir de forma eficaz minha atuação docente lembro-me de Paulo Freire (1996), ao esclarecer que “ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. Concordo com o autor e, ainda, digo que ensinar inexiste sem aprender. Sendo assim, procuro proporcionar aos meus alunos uma aprendizagem sustentada pela curiosidade, pois considero que a curiosidade, um ambiente favorável à aprendizagem e, acima de tudo, motivação estimulam a pesquisa e a reflexão crítica sobre aquilo que queremos aprender através de simples perguntas.

Com o transcorrer do tempo foram surgindo dúvidas e dificuldades. Teve momentos que me vi repetindo atitudes das minhas professoras primárias. Por mais que eu tivesse estudando uma teoria diferente e inovadora (concepção construtivista) por vários momentos minha base me levaram às minhas experiências como aluna. Não conseguia no início, liderar atividades direcionadas ao 5º ano até porque não tive o prazer de exercer atividade docente em um ambiente escolar.

Ai pude observar que embora o curso fosse na minha opinião um grande aprendizado, percebi que nosso conhecimento na área de Pedagogia, ou seja, nossa formação na universidade foi um pouco limitado perto de inúmeras situações que a docência nos propõe. Em cada momento de insegurança, pensei que não daria conta, no entanto foi diante de tantas dúvidas que tive, e recebendo feedback dos alunos ao tentarem se manifestar para participar da aula, fui esquecendo minhas inquietações ao ponto de me sentir tranquila, pois os alunos estavam bastante empolgados, apesar da matemática ser considerada por alguns como “bicho papão”. Então, tudo estava sob controle, todos estávamos na mesma sintonia, ou seja, todos estavam sedentos por aprender cada vez mais, e a cada questão proposta mais um desafio a ser superado.

Acreditando na hipótese de que transmitimos o conhecimento da mesma maneira em que aprendemos. Então se aprendermos de forma “correta” e prazerosa, ensinamos corretamente. Entretanto, se aprendemos de forma ”errada” e opressora, ensinamos de forma alienada, ou seja, uma prática totalmente tradicional, analisei que há momentos que devemos nos posicionar como observadores de nossa prática, pois nos propicia uma situação ímpar. Sendo assim, pensei que devemos estar atentos constantemente às nossas atitudes e maneiras de “ensinar”. E para isto servem as pesquisas, as teorias, os relatos de experiências para embasar nossa prática educativa. São exatamente estas vivências que nos acrescentam, nos fazem refletir e através dessa análise é que vamos alargando nossos horizontes e possibilitando novos olhares.

É a partir dessas experiências, percebi que sou capaz de intervir de forma construtiva em minha prática pedagógica, podendo fazer mudanças na medida do possível; E assim fui tentando modificar minha maneira de pensar, falar, sentir e agir. Sinto que grandes mudanças ocorreram durante toda execução das atividades, mas ao final de tudo, que tal mudança ocorreu exatamente devido ao relacionamento que tive com outras pessoas: trocando experiências, questionando, refletindo, buscando algo de novo, qualquer falha ou lacuna a ser transformada.

O CUMPRIMENTO DOS ESTÁGIOS SUPERVISIONADOS DE PEDAGOGIA DA UFPI

Mais um estágio supervisionado no final de uma trajetória acadêmica causa, de certa forma, bastante desmotivação e estresse, por conta de outra jornada de trabalho na qual há tantos obstáculos e desafios a serem enfrentados em nosso cotidiano pois deveríamos, acima de tudo, cumprir rigorosamente a carga horária estipulada pela disciplina "Prática Pedagógica na escola VI". Vale ressaltar que além desta exigência, teríamos que seguir à risca outra prática de caráter administrativo e com a mesma carga horária exigida pela disciplina " Planejamento e Administração na escola" perfazendo, portanto, a um total de 300 horas/aula.

Mergulhamos por tantas atribuições e funções distintas para o cumprimento das normas curriculares do curso que acabaram, inevitavelmente causando inúmeras inquietações e frustrações durante todo o nosso processo de elaboração do Trabalho de Conclusão do Curso (TCC). E seguindo a todo custo a obrigatoriedade das referidas disciplinas, presenciei que minha história se repetia por toda a turma. Não foi fácil me manter no curso firme, pois família e lazer foram deixados de lado; falta de tempo para planejar e muitas leituras obrigatórias; para comer, para conversar, para dormir, sentimento de angústia, de estresse como também a vontade de terminar toda esta imposição ao ponto de muitos alunos pensaram em trancar ou desistir do curso. Estávamos estressados e indignados com esta situação que nos atormentava a todo instante.

Isso não é um relato de um fato isolado e sim de todas as estagiárias. Tudo isso estava estampado em nossos olhares, no nosso medo de não conseguirmos ultrapassar esta barreira. Era, então, um fato consumado que se fazia presente em nossos diálogos. Chegamos ao ponto de sufocar nossas próprias necessidades, como por exemplo: algumas estagiárias iam ministrar aulas sem ao menos ter almoçado ou quando a possibilidade de comer, chegava também a agonia no percurso para a escola, cansaço físico e mental. E tudo isso, refletiu em total desgaste físico e emocional inconcebível para uma prática pedagógica que deveria ser significativa e produtiva para os alunos tanto para minha formação, para o nosso público e como também para o professor titular que nos avaliava diariamente.

Muitas vezes nos perguntávamos, “será que vale a pena tanto sacrifício?”. “Será que valerá a pena prejudicar minha saúde para o cumprimento de uma exigência obrigatória?” Essas dúvidas vinham constantemente em meus pensamentos quando me encontrava com muitas dificuldades, quando me decepcionava com alguns professores ou até mesmo com a universidade, quando sentia dores de cabeça, esgotamento físico e mental, ânsias... vivi experiências que houve certamente momentos de insegurança e incertezas sobre minha própria identidade pessoal e profissional. E, então percebi que somente o tempo, paciência, um pouco de lazer, um estilo de vida saudável, reflexões e, acima de tudo,, constatei que eu precisava estabelecer uma ressignificação sobre o que eu esperava e almejava do meu futuro. Enfim, exatamente tudo aquilo o que eu estava fazendo era para alcançar meus objetivos, pois eu precisava dessa experiência dos estágios para conquistar meu diploma e um emprego futuramente.

Confesso que a “imposição” do currículo da UFPI acabou gerando angústias e desentendimentos em todo corpo discente, com também aos orientadores do TCC. Quanto a esse aspecto, quero manifestar uma crítica quanto ao currículo e aos órgãos administrativos da UFPI e, em especial, a coordenação de Pedagogia, pois a universidade deve estar a favor e não conta sua clientela, ou seja, ela deveria implantar medidas que deveria vir ao encontro à satisfação e realização de seus alunos. Sendo assim, recomendo que a mesma possa repensar de forma crítica e reflexiva sobre sua própria atuação dentro e fora da academia, pois assim possibilitará a formação de cidadãos conscientes de sua formação e atuação profissional.

E então, percebi que somente o tempo, paciência, um pouco de lazer, um estilo de vida saudável possibilitaria ao corpo discente exercer de fato atitudes construtivas e reflexivas. Enfim, quero afirmar diante de tantas reflexões que pude seguir adiante pois um futuro melhor estava ao meu encontro. Enfim, quero afirmar que diante de tantas dificuldades e desafios, eu deveria estabelecer uma ressignificação sobre minha missão, metas e valores, sobre o que eu espero e almejo do presente e do futuro, para que eu possa então trilhar e criar caminhos eficazes para alcançar meus objetivos como forma de alcançar minha felicidade.

Lucília Santos – Master Coach Trainer e Especialista em Coaching de Excelência. Formações Internacionais em Business Trainer Essentials, Formação Missão Trainer e Formação Treinador Comportamental pelo Instituto Lyouman e Professional e Self Coaching, Leader Coach, Analista Comportamental e Analista em 360º pelo IBC. Formação em Master Trainer Empresarial em Gestão do Tempo e Produtividade pelo Eto Institute, Formação de Mentores pelo Instituto Vida Fera, Mentoring e Mentoring Experience pelo Instituto Holos de Qualidade. Coautora do livro " O sentido e a busca da felicidade" e escritora do E-book Superdicas para alcançar suas metas com sucesso pela Hotmart. Graduanda em Coaching e Mentoring e pós-graduanda em Coaching Educacional. Graduada em Pedagogia e Psicopedagogia aplicada à Educação. Especialista: MBA em Liderança e Coaching, Neuropsicologia, Psicopedagogia Clínica, Institucional e Hospitalar, MBA em Gestão de Recursos Humanos e Neuropsicopedagogia Clínica.

Lucília Santos
Enviado por Lucília Santos em 17/10/2022
Reeditado em 02/09/2023
Código do texto: T7629637
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