1- Quanto ao número de medalhas conquistadas, dessa vez ficamos na 22ª posição; em Pequim ficamos na 23ª. Lá alcançamos uma medalha de prata e uma de bronze a menos; as medalhas de ouro obtidas foram novamente três.
 
Nada surpreendente quando observamos o investimento público do governo brasileiro na preparação de atletas, quando verificamos a Educação Física acontecendo sem eficácia nas nossas escolas públicas (há poucos anos Educação Física acontecia no turno oposto ao turno estudado pelo aluno; agora ocorre no mesmo turno), quando contamos os centros de treinamento esportivo que existem no país etc.
 
Bastante preocupante, entretanto, se recordamos que, em 2016, o Rio de Janeiro será o anfitrião dos Jogos Olímpicos.
 
O que pretendemos mostrar ao mundo? Que condições reais justificam o Brasil sediar as próximas Olimpíadas? O que está por trás dessa iniciativa?
 
Lamentavelmente mais uma vez o faz-de-conta tradicional e leviano muito peculiar ao Brasil deve prevalecer!
 
É revoltante demais um país o qual apresenta índices educacionais tão precários, que não investe no fortalecimento da nação exatamente a partir de uma boa educação, que não forma cidadãos como deveria formar visando ao seu próprio benefício, que não oferece serviços públicos básicos com um mínimo de dignidade aceitável, imaginar possuir condições de comandar o evento esportivo mais importante do mundo!
 
2- Cada vez mais os nossos jovens seguem aliciados pela criminalidade dominante e afastados das escolas; a Justiça continua sendo uma grande piada de mau gosto; a corrupção domina o meio político; há uma espécie de degradação cultural ganhando força ao nosso redor; o desrespeito à cidadania provoca indignação...
Apesar disso tudo, vamos sediar as Olimpíadas de 2016!
 
Fico a pensar na solução mágica que surge nessas épocas quando recordo que o Pan ocorreu num clima de paz.
Os bandidos ficaram quietos, foram bonzinhos, mostraram o quanto podem ser camaradas ou talvez tenham revelado que podemos conviver com marginais sem problema algum.
 
Que ridículo e triste saber que o nosso governo abraça criminosos no instante que isso lhe é conveniente!
Que vergonha!
 
Assisti a uma entrevista do atual prefeito do Rio de Janeiro ressaltando um verdadeiro conto de fadas no qual tudo vai bem, todos trabalham desde já, tudo caminha para mostrar a grandeza e capacidade que possuímos de ter as disputas olímpicas em nossas terras pacíficas e éticas.
 
Grandes palhaços à parte, discursos utópicos ignorados, superfaturamentos desconsiderados e criminosos pacíficos esquecidos, discutamos uma pergunta importantíssima.
 
Faremos tal evento para que EUA, China e outros países de ponta voltem a brilhar?
Prepararemos o banquete para que os outros possam ficar plenamente satisfeitos?
Não seria já o momento de se preparar para fazer bonito nas próximas Olimpíadas?
Londres já não deveria ter sido o início dessa caminhada que culminaria exatamente no Rio?
Esperar mais o quê?
A educação de qualidade, bastante escutada no período eleitoral, vai acontecer ou estaremos destinados a ver um futuro isento de perspectivas positivas?
Esse é o nosso destino?
Seremos os bobos da corte, imaginando o nosso desempenho no Rio 2016, até quando?
Até quando o oportunismo guiará as ações governamentais?
Eles cessarão de empurrar o irreal como real, o absurdo como aceitável, o faz-de-conta como a verdade em algum momento ou sempre será assim?

Tem ou não tem jeito?
 
3- Sobre os nossos medalhistas, todos merecem mil aplausos mais homenagens destinadas a heróis, pois a persistência, determinação e força de superação os fizeram chegar ao êxito.
Não foi o governo nem as políticas públicas! Não foram os patifes, foram eles!
 
Aqueles que ganharam o bronze são tão brilhantes e honrosos quanto os medalhistas de prata e ouro. Jamais pensemos nos nossos medalhistas como se fôssemos um país sério que possui um projeto capaz de fazer o garoto ou a garota, à medida que cresce, descobrir sua veia esportiva em determinada modalidade conforme acontece nos países que lideram o quadro de medalhas.
Lá os atletas surgem naturalmente como o resultado de um trabalho contínuo e eficiente, pois há uma cultura voltada para o esporte.
Lá os risonhos e palhaços que tomam a frente das ações públicas simplesmente inexistem.
 
4- Quero ressaltar a fantástica medalha de ouro do vôlei feminino, porém vou evidenciar um episódio nada digno de aplausos.
Durante a comemoração, a jogadora Fabi, no meio da imensa euforia que dominou o ambiente, gritava para a câmera “Cala a boca” expressando um desabafo a sugerir raiva, jogando a conquista na cara daqueles que duvidaram do êxito brasileiro.
O fato é totalmente lastimável.
 
Durante os momentos que antecederam o jogo, todos livremente tiveram acesso às informações do que diziam, do que falavam, lendo as críticas, verificando elogios, enfim, acompanharam a grande expectativa que cercou a disputa da medalha à medida que se aproximava a partida.
Veio o jogo, o Brasil sagrou-se campeão com uma exibição gigante e maravilhosa.
No instante de comemoração, Fabi não esqueceu a crítica que leu ou as críticas que leu, preferindo, no calor de tanta emoção, dar uma resposta para quem não disse exatamente o que ela quis ouvir.
Por que tamanho incômodo com críticas?

Lembramos que, em Sidney, elas terminaram chorando demais.
Agora quase acabaram com o mesmo choro desconsolado nas quartas de final quando enfrentaram as russas.
Cresceram a partir dessa vitória e alcançaram o ouro mais uma vez. Que bom! Que ótimo!
 
Apesar disso, no afã de extravasar tamanha alegria, Fabi apenas recordou aqueles que não acreditaram na seleção.
Que feio!
 
Penso que, como a maioria, ela deveria agradecer aos muitos brasileiros, felizes pelo sucesso da seleção.
Não! Isso não era o mais importante!
O importante era dizer aos críticos “Cala a boca!”
 
Amei a vitória brasileira, fiquei emocionado e satisfeito.
Mas Fabi me ofereceu uma mensagem bem deplorável.
 
Aproveitando o ensejo, recordo que, durante a conquista do penta, nos momentos antecedendo  os jogos decisivos, Felipão revelou que mostrava um vídeo com determinada música de Ivete Sangalo o qual motivou demais a equipe.
 
Percebemos que não houve uma preocupação da comissão técnica do vôlei feminino de mostrar algum  vídeo específico para motivar o grupo.
Elas ficaram livres para ler ou ver o que quisessem.
 
Infelizmente Fabi não aceita críticas.
Ela parece só aprovar elogios.
 
5- Terminado o jogo do Brasil contra o México, surgiu uma reportagem mostrada pela Record revelando que as Olimpíadas de 2016 serão também exibidas somente pela Record.
De novo?
 
A Record se omite no futebol, sobre o qual nada diz, nada transmite, nada faz.
Mas acha que tem total aprovação e o direito intocável de ser a TV olímpica.
Quem lhe concedeu esse privilégio?
 
Não gostei da cobertura da Record em parceria com a Record News (aliás, confesso que desgostei menos da Record News).
Algumas vezes assistindo a uma específica transmissão, eles interrompiam aquela transmissão para mostrar outra coisa, não necessariamente envolvendo brasileiros. Quando retomavam, toda aquela emoção, interrompida de forma tão tosca e sem sentido, já havia sido perdida.
 
No sábado antecedendo ao término dos Jogos Olímpicos, a Record News saiu do ar.
Foi um desastre!
 
Ninguém viu a final do basquete feminino, não vi ninguém citar o jogo depois nas reportagens.
 
Eu queria muito ter visto o passeio que a equipe dos EUA deu na França na grande final do basquete feminino!
 
A Record resolveu destacar sua programação habitual.
Fez a mesma coisa no domingo, destacando a chata da Ana e o insuportável do Gugu, porém a Record News, voltando a transmitir, mostrou, entre outras coisas, a final do basquete masculino.
 
Também, nessas transmissões, ficou bem ostensiva a crítica aos árbitros quando nossos boxeadores perdiam. 
Popó disse que a avaliação dos juízes não coincidia com a sua análise.
Pode?
 
6- Ainda sobre a transmissão da Record, observamos um fato que justificou bastante o apelido de Recópia.
 
Destacaram a possibilidade do ouro no futebol, tratando, exatamente como a Globo adora fazer, o telespectador como um grande retardado.
 
Quem viu os jogos brasileiros sem paixão excessiva desde o início, verificou falhas absurdas no setor defensivo.
Também todo mundo viu o Brasil atuar contra times bem inexpressivos.
Podemos dizer que o Brasil fracassou no primeiro instante que enfrentou um bom adversário.
 
Estava claro, porém a Record preferia o tempo todo destacar as maravilhas e iludir a população prevendo a conquista inédita.
A final frustrou o trunfo o qual a emissora ambicionava demais.
 
Poder dizer que levamos o ouro em consonância com a exclusividade da Record não foi possível.
Mas perder o ouro, ganhando a prata, caso houvesse mais realidade e menos fantasia durante as transmissões, era algo totalmente previsível.

7- Assistir às disputas olímpicas faculta um lazer interessante e que merece nossa atenção.
Isso independe de quem está transmitindo ou da revolta que sentimos quando ouvimos os discursos dos nossos governantes safados e oportunistas.

Londres ofertou instantes bem agradáveis.
Usain Bolt, por exemplo, o carismático jamaicano que tanto encantou nas pistas, valeu muito a pena ver!
O Dream Time, os marrentos e abusados jogadores americanos de basquete masculino, ofereceram um autêntico show fascinante!
Curtir uma piauiense alcançando uma medalha inédita de ouro no judô e ser surpreendido por Yane Marques, no apagar das luzes, conquistando um bronze tão inesperado no pentatlo moderno, foi maravilhoso demais!
 
Londres foi bacana.
O evento olímpico sempre é muito legal.
 
Um abraço!
 
Ilmar
Enviado por Ilmar em 18/08/2012
Reeditado em 25/12/2012
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