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Literatura de Cordel - do Povo para o Povo

Causos de amor, aventuras, a luta entre o bem e o mal, conto de fadas e histórias reais. Assim é, Cordel! Literatura publicada em folhetos baratos e pendurada em barbantes nas feiras livres e livrarias ou vendidos de mão em mão, nos teatros e bares das cidades por seus próprios autores.
A região do Nordeste brasileiro é considerada o grande celeiro de cordelistas, mas não foi no Brasil que tudo começou. A história remonta que tudo surgiu pela região da Inglaterra, Espanha, França e Portugal, países que eram ícones da Europa no séc. XVI, que através dos seus trovadores, poetas e cavaleiros andantes cantarolavam e contavam histórias em cada uma de suas paradas sobre o dia-a-dia do povo, por meio da tradição oral, do qual o cordel é derivado.
Com o tempo as histórias passaram a ser impressas por tipografia e depois por xilografia, que facilitou a venda das histórias contadas em prosas e ganhava mais destaque, com as imagens colocadas nos folhetos. A palavra Cordel foi registrada pela primeira vez no Dicionário Contemporâneo, por Francisco Júlio Caldas Aulete (1823-1878), editado em Portugal em 1881. Mas, que só chegou ao Brasil com a colonização dos portugueses, assim diz Gonçalo Ferreira da Silva que é um dos fundadores e presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel fundada em 07 de setembro de 1988, no Rio de Janeiro.
Então, com a colonização o cordel aportou em Salvador/BA, que era a capital do país na época e por conta disso era o centro de todas as culturas que aqui chegavam. No inicio, assim como, na Europa o cordel era através da oralidade, levada por repentistas ou violeiros que se espalhavam por todo o nordeste brasileiro, sendo batizado como poesia popular em 1750. Com o tempo o cordel no Brasil, também passou a ser impresso e Leandro Gomes de Barros (1865-1918), passou a ser considerado o maior cordelista brasileiro com 1.004 folhetos publicados entre o séc. XIX e séc. XX, que escreveu a peleja de Manoel Riachão com o Diabo onde ele deixa bem claro a evidência da não contemporaneidade no final da história, com a seguinte afirmação escrita e editada em 1899:
“Esta peleja que fiz não foi por mim inventada, um velho daquela época a tem ainda gravada minhas aqui são as rimas exceto elas, mais nada.”
Em quantidade de folhetos hoje, Leandro Gomes de Barros foi superado pelo alagoano Rodolfo Coelho Cavalcanti (1919-1986) com 1.466 folhetos publicados. Com a riqueza do Cordel se espalhando por todo o país, outros grandes cordelistas surgiram, assim como; Raimundo Santa Helena, Zé da Luz, Silvino Pirauá, Patativa do Assaré, José Pacheco, José Costa Leite, José Melchíades Ferreira, João Martins de Athayde, Mestre Azulão, Firmino Teixeira do Amaral entre outros, que fazem partem do Hall de grandes cordelistas da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. E tem suas cadeiras ocupadas hoje por; Klévisson Viana, Maria Rosário Pinto, Arievaldo Vianna, Sávio Pinheiro, Moraes Moreira, Alba Helena Corrêa, Manoel Santamaria entre outros, que ocupam as 40 cadeiras da ABLC.
No Brasil, o cordel veio a se constituir como principal matéria das indústrias dos livros baratos e perecíveis, pois o cordel é para quem não pode imprimir ou comprar livros. São publicados em folhetos com um custo muito baixo, mas que leva ao povo noticia sobre o que ocorre no país. Fazem grande sucesso em estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia. Tornou-se popular pelo tom humorístico de muitos deles e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades etc.
Os grandes títulos de cordel passam por; A Cabocla Encalhada de Mestre Azulão; A chegada de Lampião no Inferno de José Pacheco da Rocha; A Peleja de Cego Aderaldo e Zé Pretinho de Firmino Teixeira do Amaral; Pavão Misterioso de José Camelo de Melo; Viajem a São Saruê de Manoel Camilo dos Santos; Senhor dos Anéis de Gonçalo Ferreira da Silva; Iracema de Alfredo Pessoa de Lima entre tantos outros, que podem ser encontrados no site da ABLC.
Com a mudança da realidade do povo nordestino e a migração para o centro-sul do país, a poesia no barbante não parou de evoluir. Os versos de tom matuto, os diálogos, as crenças, as percepções e os dilemas cotidianos na literatura de cordel não foram abandonados. Continuam as mesmas. Ainda, mais com o prestigio que escritores como Jorge Amado, João Guimarães Rosa e Ariano Suassuna deram ao utilizar o cordel como inspiração, para criarem suas obras.
Hoje, em plena evolução tecnológica com as regiões e o mundo conectados em tempo real, o cordel teve seus temas ampliados e diversificados devido aos costumes e hábitos da sociedade, não se fala mais só do nordeste brasileiro, mas sim de todo um contexto social do país e do mundo. Que através de suas métricas e versos colocam o povo a par de todos os acontecimentos ao redor no planeta.


Fontes de pesquisa;
www.ablc.com.br
http://editoras.com/o-cordel-da-inglaterra/
http://anovademocracia.com.br/no-12/1048-uma-breve-historia-do-cordel
http://origin.guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/como-surgiu-literatura-cordel-683552.shtml


 

Weider Tavares Martins
Enviado por Weider Tavares Martins em 14/06/2018
Código do texto: T6363756
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Weider Tavares Martins
Mogi das Cruzes - São Paulo - Brasil, 44 anos
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