SOBRE PIBÕES E PIBINHOS
                                                   Sérgio Martins Pandolfo*
    Sabe-se que, numa guerra, a primeira coisa a morrer é a verdade. Na luta do Sim contra o Não, que nada mais é que uma guerra desarrazoada, criada e alimentada por forâneos que aqui chegaram à busca de terra para bem viver, foram cortesmente recebidos, deram-se bem (alguns, em bom número, cambaram para o mal) e agora voltam-se contra o eldorado que os abriga tentando semear a cizânia, a arenga e a desconfiança entre povos que sempre tão bem se avieram, não se pejando de, para alcançarem seus objetivos, apelar para a iniquidade da patranha, da distorção dos dados, da aleivosia, da futrica, enfim da mentira pura e simples para embair a opinião dos plebiscitantes que irão, dia 11 de dezembro próximo, exercer seu direito de decisão: Sim ou Não para a solerte proposta de divisão do Pará.
    Nos jingles e nas peças publicitárias que mandam para o ar nesta campanha pré-eleitoral afirmam, entre outras inverdades, ser o Pará a penúltima unidade federativa no que tange ao PIB dos estados brasileiros e que Mato Grosso do Sul e do Norte, Tocantins e, pasme-se, o Amapá estariam à frente de nós. Caramba! Nesta Idade Mídia que estamos vivendo é o Google o verdadeiro “pai dos burros”, ao menos de uma década para cá, referencial de consulta universal e confiável a que todos de bom senso e vontade de se informar recorrem.  E lá está, para tantos quantos queiram pôr em pratos limpos a questão, a relação dos 27 estados com seus respectivos PIBs, a salvo de qualquer embuste.
    Vê-se naquele rol, posto à disposição de “tutti quanti”, que nosso Pará figura em 13º lugar, à frente de todos os estados que a campanha tocada pelo marqueteiro Duda Mendonça destaca. Tocantins, desmembrado de Goiás já vai para um quarto de século, segue marcando passo na quarta posição de baixo para cima, isto é, o quarto mais pobre do Brasil, pouco melhor que o Amapá, desatrelado do Pará em 1943, que figura na incômoda terceira retroposição. Mato Grosso do Sul e do Norte coriscam na 17º e 19º (bem atrás de nós, portanto) colocação, respectivamente, nada se afigurando, destarte, à “maravilha curativa” que apregoam os “reclames” pregoeiros da tripartição do solo parauara. Adite-se ainda: o Pará segue tendo o maior PIB da Região Norte e também suplanta, como sabido é, os de Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte, os três menores estados que, pela lógica dudiana aventada, deveriam estar melhor e mais ricos, já que, asseveram, o Pará não cresce e se desenvolve “por ser muito grande!”. Aliás, ainda analisando a Lista dos estados do Brasil por PIB constata-se que dos sete primeiros colocados (à exceção do RJ que se arrima no petróleo da bacia de Campos e no turismo) nenhum é jitinho, a facilitar a governação como bacoreja a trupe dudiana; ao revés, Minas (3º) e Bahia (7º) são dois dos maiores entes federativos.
    Fala-se à boca nem tão pequena que Duda estaria em litígio com as frentes divisionistas por não ter recebido, adiantadamente como queria, o pagamento das peças promocionais que sua gente tem produzido para a campanha do SIM. O que parece ter fundo de verdade, eis que ditas peças que se tem visto parecem ter sido aproveitadas da campanha que anos atrás ele comandou contra a divisão de seu estado natal, a Bahia (à força?), somente trocando o Não pelo Sim, com as quais saiu vitorioso, mantendo íntegra a terra do pachorrento Dorival, com seus caetanos e betânias a lhes cantarem os coqueirais e as bonitezas sob os sons dos seus unicórdes berimbaus.
    Nos pagos da Parauaralândia a coisa fia mais fino, eis que o povo está perfeitamente ciente da necessária grandeza de seu território, sabe que nosso crescimento, que tem sido apreciável máxime nas últimas décadas, vai se acentuar ainda mais agora que vem aí o aumento em dobro dos royalties da mineração, a exportação do cobre, metal precioso para o mundo, Belo Monte, maior hidrelétrica nacional e das maiores da Terra, o megaporto do Espadarte em Curuçá e, alvissareiramente, a exploração do petróleo da costa de Salinas. Um Parazão, mano!
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*Médico e escritor. SOBRAMES/ABRAMES
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Sérgio Pandolfo
Enviado por Sérgio Pandolfo em 25/11/2011
Reeditado em 04/12/2011
Código do texto: T3355539
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