Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

CAPIXABAS E CARIOCAS, À LUTA!!!

Não sou capixaba de nascimento. Sou mineiro, de Belo Horizonte. Vim para o Espírito Santo bem pequeno; tanto que minhas lembranças da época em que vivia nas Alterosas são poucas. Moro há tanto tempo no Estado que quase nem falo mais “uai” e “sô”; das Minas Gerais, conservo a adoração por praia e pão de queijo; mas este já deixou de ser uma iguaria regional para se tornar um patrimônio da humanidade. Ademais, sou torcedor fanático do glorioso Clube Atlético Mineiro, o GALO, forte e vingador; mas isso é inevitável e irreversível; sofrerei com este time até o fim...

No resto, sou capixaba de coração. Adoro o Espírito Santo, adoro Vila Velha com todos os seus incontáveis problemas, adoro o Ulé da minha juventude. Sou um capixaba e canela-verde por opção, apesar de ter perdido o troféu de melhor atleta capixaba no Triatlo do Exército por não ser... capixaba (maiores detalhes no meu livro, Vagas Lembranças de Um Quase Atleta). Adiante.

Uma coisa que todos os meus incríveis nove leitores sabem é que abomino o chamado Partido dos Trabalhadores (trabalhadores?). E isso não é de hoje. Quando na oposição, o PT votava sistematicamente contra tudo que era do interesse do país, apostando na tese do “quanto pior, melhor” para chegar ao poder. Na redemocratização, recusou-se a apoiar Tancredo Neves contra Paulo Maluf; recusou-se a assinar a Constituição Federal, votou contra o Plano Real, votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre tantas outras coisas. Para mim (e também para Mangabeira Unger), Lula e o PT protagonizaram o “governo mais corrupto da história”. Se Mangabeira se arrependeu da declaração depois de ser nomeado para o ministério de Lula eu não sei, parece que sim; mas eu continuo achando isso. Já falei aqui várias vezes: Lula e o PT são responsáveis pelo governo que protagonizou o mensalão, os dólares escondidos na cueca, os dossiês fajutos contra adversários políticos, a quebra de sigilos bancário e fiscal de seus opositores, a violência física contra candidatos legítimos. Um governo que foi aliado incondicional dos piores ditadores do planeta, um partido que tem como sonho de consumo estabelecer a censura no país, desejo mal escondido debaixo de eufemismos vagabundos como “controle social” e “proteção”. Enfim: como acho a democracia e o respeito às liberdades individuais imprescindíveis, e vejo que o PT e a democracia são incompatíveis, e além disso não vejo ninguém capacitado nos quadros do partido, tenho por princípio não votar em nenhum de seus candidatos, qualquer que seja o cargo. Esta é minha postura como cidadão brasileiro.

Agora, como cidadão capixaba, tenho ainda muitos motivos a mais para JAMAIS conceder meu voto ao PT. Vejamos:

Todos acompanhamos preocupados o desenrolar da novela dos royalties do petróleo. Como sabem, Espírito Santo e Rio de Janeiro -este perderia muitos bilhões a mais que o ES, pois sua produção é muito maior que a nossa- correm sérios riscos de perderem receitas bilionárias por conta da absurda proposta de partilha da grana oriunda da exploração de petróleo. Lamentáveis parlamentares -parlamentáveis?- de estados não produtores, gulosos e oportunistas, sabendo que são maioria, alteraram o texto legal a respeito da distribuição dos valores. Querem participar da festa, mas ninguém fica até o final para arrumar a bagunça; querem partilhar o dinheiro, mas os impactos ambientais continuarão a ser problema só nosso, e o recente vazamento de óleo ocorrido em Campos está aí para provar. Esqueceram-se também de incluir no texto a partilha da bufunfa oriunda da exploração de minérios. Ou a grana da compensação pela instalação de hidrelétricas, ou sei lá, participação nas colheitas de soja. A memória dessa gente é bastante seletiva, como se nota...

A ideia desse assalto, de autoria do gaúcho Ibsen Pinheiro (PMDB), brotou no mandato de Dom Lula II, e é aqui que começa a bronca. Ora, todos sabemos que Lula tinha maioria no Congresso para aprovar quase qualquer coisa. Se não me falha a memória, a única derrota significativa do Governo em votações naquela casa foi o fim da CPMF. Em oito anos de governo! Portanto, se Lula -de quem Sérgio Cabral, governador do Rio, é aliado incondicional- tivesse mobilizado sua base alugada (a expressão é do Casseta & Planeta, ou do Reinaldo Azevedo, não me lembro; mas é bastante apropriada) no Congresso, teria matado a serpente no ovo. Porém Lula preferiu não se meter nesse vespeiro; afinal, não tinha nada a ganhar com isso (politicamente falando, claro...). Deixou o barco correr, a coisa tomou forma e volume, e o assalto estava configurado. Claro que Lula, esperto como ele só, vetou o texto; mas sabia que o negócio voltaria para o Congresso, e seria novamente apresentado ao Executivo, mas aí a batata quente cairia nas mãos de seu sucessor. No caso, sucessora. O resultado é esse que vemos: Espírito Santo e Rio de Janeiro foram obrigados a recorrer ao Supremo Tribunal Federal para resguardar seus direitos. Precisamos, agora, torcer para que o bom senso prevaleça naquela Corte, o que nem sempre acontece. E, registre-se, essa vaca só não foi ainda para o brejo porque Sérgio Cabral está na parada. Se fôssemos apenas nós, pobres capixabas primos pobres da região Sudeste, Lula e Dilma não precisariam nem fingir interesse na história...

Como se não bastasse, querem acabar com o FUNDAP, o  Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias. Este Fundo é um incentivo financeiro às empresas de comércio exterior sediadas no Espírito Santo. Este incentivo só é concedido se a tal empresa tiver sua matriz no Estado; além disso, também é preciso realizar a nacionalização dos produtos comercializados em solo capixaba. Em contrapartida ao incentivo financeiro, as empresas são obrigadas a investir parte do que arrecadam em projetos no Estado. O FUNDAP foi diretamente responsável pelo incremento, a partir da década de 1990, da atividade portuária no Espírito Santo, transformando o Estado num importante prestador de serviços de importação, sendo um fator importantíssimo de geração de receitas.

Pois não é que, na reforma tributária pretendida pelo Governo Federal, está previsto o fim do FUNDAP, o que pode significar uma redução de até OITENTA POR CENTO do transporte de mercadorias no Estado; cerca de QUARENTA MIL postos de trabalho virariam pó, e o Estado perderia R$ 2,4 BILHÕES numa só tacada. Segundo um empresário (um comerciante, segundo ele; no fim das contas, um empreendedor, que não atua no ramo de comércio exterior, e portanto isento) com quem conversei, esta medida será ainda mais prejudicial ao Estado do que a nova forma de partilha dos royalties do petróleo. O autor do projeto é o senador Romero Jucá (PMDB), líder do Governo no Senado. Ou seja, o homem é o representante de Dilma naquela Casa; ou seja, o projeto de Jucá reflete o interesse de Dilma.

E, para demonstrar de maneira cabal que nem Dilma, nem Lula, nem o PT nem ninguém em Brasília se importam com o destino do Espírito Santo, registre-se que, do montante de impostos recolhidos pelo Estado aos cofre federais, o máximo de retorno que obtivemos foi de meros treze por cento. Ou seja, se o Estado repassa cem milhões para o Governo Federal em recolhimento de impostos, recebe, em contrapartida, recebe apenas míseros treze milhões em investimentos. E nada de concluirmos a reforma do aeroporto, nada de duplicação da BR 101, nada de... O ESPÍRITO SANTO É UM DOS ÚLTIMOS COLOCADOS, ENTRE TODOS OS ESTADOS,  EM INVESTIMENTOS FEDERAIS!

Pois bem, capixabas de valor: acho que passou da hora de darmos uma resposta firme e clara a estes senhores e senhoras de Brasília, que querem meter a mão em nosso bolso assim, tão sem cerimônia. Minha tese é simples, e inicialmente me dirijo aos nossos quase valentes deputados federais, senadores e Governador: se o Governo Federal não está nem aí para o desastre que vai se operar em nossas terras (ou, pior: se, como no caso do FUNDAP, é o próprio autor da tunga), é hora de mudar de lado. Simples assim: TODOS OS NOSSOS PARLAMENTARES DEVERIAM PASSAR A FAZER OPOSIÇÃO SISTEMÁTICA AO GOVERNO FEDERAL. Lembram do PT na oposição? Plano Real: É bom para o Brasil? Não me interessa: Voto contra. Lei de Responsabilidade Fiscal: é bom para o Brasil? Não me interessa: Voto contra. Prorrogação da DRU: é bom para o Brasil? Não me interessa: Voto contra. Entenderam? Não importa que sejam poucos: o que vale é marcar posição!

E quanto a nós, meros eleitores... meros eleitores? Meros eleitores, uma ova! Nós temos o poder! Com um simples gesto, podemos demonstrar toda a nossa insatisfação e revolta com a sacanagem que querem fazer conosco. Temos o poder de mandar uma resposta firme e clara ao Governo Federal, ao PT e ao PMDB (sei que notaram que as duas propostas devastadoras foram apresentadas por parlamentares deste partido). Creio que a resposta que nós, capixabas, podemos e devemos dar a essa gente é simples: VARRÊ-LOS DO CENÁRIO POLÍTICO LOCAL! Simplesmente, DEIXEM DE VOTAR EM CANDIDATOS DO PT E DO PMDB! As eleições de 2012 estão batendo às portas; que NENHUMA CIDADE CAPIXABA ELEJA VEREADORES E PREFEITOS DO PT E DO PMDB! Assim, Dilma e sua turma perceberão que não somos trouxas; que não somos cordeirinhos pacíficos esperando seu lobo chegar. E, em 2014, se o absurdo tiver sido confirmado, que eles não contem com o voto dos capixabas para se manter no Planalto.

Como eu disse antes: nunca achei que o PT fosse merecedor do meu voto; e hoje, tenho a mais absoluta convicção de que nenhum capixaba deveria se dignar votar no partido que protagoniza um governo que despreza o Estado da maneira como se viu acima. Não sei quanto a vocês, mas eu não tenho a menor vocação para mulher de malandro!
paulo marreco
Enviado por paulo marreco em 07/12/2011
Reeditado em 07/12/2011
Código do texto: T3376902
Classificação de conteúdo: seguro


Comentários

Sobre o autor
paulo marreco
Vila Velha - Espírito Santo - Brasil
36 textos (50905 leituras)
1 e-livros (701 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/08/20 08:51)
paulo marreco