Naquele tempo dos generais - Reminiscências

Naquele tempo do governo dos generais

Eu era um menino, inteligente, estudioso e andava quilômetros, para buscar livros na biblioteca. Já apreciava a boa música e outras artes.

Não era um alienado pelo futebol, nem por baladas ou drogas.

Não brincava de atacar o governo, para pactuar com desvairados, e politiqueiros de escola.

Tampouco, para isto via motivos.

Portanto, posso citar os fatos, de forma lúcida, sensata e imparcial.

Com base no que vivenciei, espero deixar subsídios, para os que sabem pensar fazerem o seu juízo.

Naquele tempo do governo autoritário, os presidentes não eram eleitos por campanhas milionárias. Nem por parceria, e comprometimento com quadrilhas.

Eram pessoas sérias, cuja conduta, fora monitorada durante toda a sua carreira.

As esposas dos presidentes não tinham gastos ilimitados, com o dinheiro do povo.

O Presidente Figueiredo, ao sair do governo, entregou todos os presentes que recebeu, durante o mandato, pois esta era a lei.

Eu estudava na escola pública, onde professor era autoridade, e não faziam greves, nem sexo com alunos.

O meu pai era um artesão, sustentava seis filhos com dignidade, tinha casa própria, carro, e pagava a faculdade das minhas irmãs.

Naquele tempo do governo dos generais, os presidentes não tinham filhos malandros, que da noite para o dia, viravam empresários milionários.

Os homens de bem podiam andar armados.

Os bandidos não davam depoimento nas delegacias, e voltavam impunes para as ruas.

Aqueles generais, não eram “companheiros” de criminosos, nem inventavam leis para beneficiá-los.

Naquele tempo do governo denominado autoritário, ninguém no meu bairro era simpatizante de guerrilheiros.

Muito pelo contrário, os subversivos, eram considerados delinqüentes, que procuravam vida fácil.

Nenhum conhecido, ou alguém da minha família foi preso, nem torturado.

Eu não entendia que tipo de liberdade os rebeldes reivindicavam.

Podíamos andar despreocupados pelas ruas, até durante a noite.

Alguns filmes eram censurados, apenas para determinadas idades.

Nossos quintais não tinham cercas, e ninguém precisava viver atrás de muralhas, e grades como hoje.

Naquele tempo, só ficavam atrás de grades, os fora da lei.

Só os rebeldes não tinham liberdade, para promover, as suas idiotices, e promiscuidades.

Alguns deles ainda hoje, mal conseguem concluir uma frase, devido à sequela das drogas. Mesmo assim recebem cargo, no governo dos nobres guerrilheiros.

Ninguém era preso, sem antes ter aprontado algo, contra a ordem social, e o direito dos outros.

Quantos dos que alegam detenção, contam o que realmente praticaram?

Geralmente eram criminosos, destruidores do patrimônio público, sequestradores e assaltantes de bancos.

Outros eram assassinos que detonavam bombas, entre inocentes cidadãos de bem, velhos e crianças.

Quem tentasse deixar de ser terrorista, e sair do bando deles, era assassinado pelos comparsas.

Ninguém estava seguro contra eles, nem mesmo nos quartéis, a instituição dedicada à defesa da pátria.

Alguma vez você esteve junto à explosão de uma bomba?

Mesmo que seja caseira, feita por ignorantes, os efeitos são trágicos.

Nós não precisávamos, nem desejávamos a liberdade, que eles queriam implantar.

Nós queríamos liberdade apenas, para viver, e andar sem medo pelas ruas.

Nós queríamos liberdade apenas, para trabalhar, e voltar em segurança para casa.

Nós queríamos liberdade apenas, para ter quintais sem muros, nem grades.

Nós queríamos liberdade apenas, para colocar cadeiras nas calçadas, nas noites de verão.

Mais importante que liberdade de imprensa, era a liberdade de dormir com a janela aberta.

Os mesmos que discursavam, sobre a liberdade de ir e vir implantaram a ditadura dos pedágios.

Só seria preso algum artista, como a Rita Lee, que ofende e desafia a polícia, quando tenta prender traficantes e drogados, durante os seus shows. E se vangloria por ter feito tráfico internacional de entorpecentes.

Isto é certo? Isto é bom?

Naquele tempo, nós tínhamos um valioso filtro, contra o indesejável, nos meios de comunicação.

A censura barrava o lixo repugnante, que hoje, está desvirtuando as famílias, e a sociedade.

Nunca censuravam uma boa música, um bom filme nem um bom programa de radiodifusão.

Nem os baderneiros presos, tinham suas obras censuradas.

Hoje a erudição, e a verdadeira arte estão censuradas, pela liberação da vulgaridade.

Obra dos rebeldes, que na verdade queriam era criar um governo para eles, identificado com eles.

Para fazer o que hoje estão fazendo.

Naquele tempo, da útil e correta censura, a gente podia estacionar o carro, e ouvir uma boa música, em baixo volume.

Hoje logo encosta ao lado, um acéfalo vulgar. Com altíssimo volume, abafa a nossa música, agride os nossos ouvidos, a nossa paz, e a nossa cultura. Com ruídos chulos, promove as promiscuidades sexuais, e entorpecentes, como se fosse algo normal.

Usa a liberdade que lhe foi dada, pelos bravos guerrilheiros, para chamar atenção, com atitudes próprias do seu baixo nível.

Chega e sai bebendo, e dirigindo bêbado. Mata e fica impune.

Naquele tempo, que apelidaram de ditadura, havia partidos políticos e eleições.

Vereador não tinha salário. Presidente da república tinha seriedade e caráter, e não tripudiava o povo.

O ICM era pouco mais de 10%, e todos tinham atendimento no serviço de saúde.

Hoje o povo tem apenas o “direito”.

Cabos eleitorais distribuem nas portas dos hospitais, cartilhas onde constam “os direitos dos pacientes”. Como se lá dentro dos hospitais, tivessem disponibilizado, tudo aquilo que escreveram nas cartilhas.

Então os heróis da liberdade, aumentaram o ICM para quase o dobro.

O valor das taxas pagas aumentou.

O número de consumidores aumentou.

O número de contribuintes aumentou.

Enquanto os serviços públicos diminuíram, em número e qualidade.

Para onde está indo o dinheiro arrecadado a mais?

Hoje pagamos taxas até para passar um documento, de um órgão público para outro. O que poderia ser feito pela internet, sem custos.

Onde ficaram os ideais dos guerrilheiros?

Daqueles que brincavam de ser Guevara, em causas que seria injusto compará-las.

Por que agora não praticam os ideais de Guevara?

Se tivessem o mínimo de vergonha na cara, teriam pelo menos reduzido os salários dos políticos. Ou criado um decreto, pelo menos para o povo ver, quem votaria a favor ou contra.

Hoje roubam milhões, do dinheiro suado do povo, para dar aposentadorias milionárias, para “torturados”, que não apresentam sequer alguma cicatriz.

Enquanto isto, trabalhadores mutilados, imploram um mísero salário, da previdência.

Enquanto isto, crianças se tornam cegas e paralíticas, por falta de assistência. Outras morrem ignoradas, pelo sistema de saúde. Alguma tem a sorte, de encontrar ajuda em programas de televisão.

Para se promover, estes malandros tentam passar às novas gerações, a falsa história, de que salvaram o Brasil de um governo de tirania.

Algum intelectual de um só livro, quando fica sabendo desta versão, se emociona a ponto de se tornar simpatizante, sem ter vivenciado, nem pelo menos investigado os fatos.

Têm até simpatizantes dos heróicos guerrilheiros, difamando presidentes, que morreram pobres.

Preferem atacar defuntos, por falta de inteligência, e coragem para combater os “vivos”.

Invés de catar mentiras, por que não vão procurar os restos mortais do Ulisses?

Lembra do helicóptero onde ele estava?

Pois “explodiu”! E não foi durante o governo militar!

Além de posar como salvadores da pátria, os governos atuais se sustentam em dois segmentos:

1- Os que os elegem e os mantêm no poder:

Miseráveis, marginais, ignorantes, bandidos e os seus parceiros.

Estes precisam ser mantidos como maioria sempre.

2- Os que sustentam seus salários, e demais roubalheiras:

Pessoas honestas, pensantes, trabalhadores ordeiros, cada vez mais onerados.

Estes devem ser mantidos como minoria, para não mudar o sistema através do voto.

Desconsidero apelidos atribuídos às formas de governar.

Ninguém precisa se considerar socialista, democrata, comunista e outras classificações, para ser correto.

Todas as formas de governar, até hoje aplicadas, apresentam fatores positivos e negativos.

Para acertar basta selecionar, adaptar e exercer com coragem e honestidade.

Uma pessoa é o que demonstra na sua conduta, e nas suas atitudes.

Não é o que diz ser, naquela imagem estampada na sua camiseta, nem nos discursos e propagandas.

Acioly Netto - www.guiadiscover.com

Acioly Netto
Enviado por Acioly Netto em 26/08/2012
Reeditado em 22/02/2018
Código do texto: T3849643
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