Medo&Confiança

Medo&Confiança







Marco Antônio Villa, guarde bem esse nome, porque se existe alguém que fala com profunda sensatez sobre esse nojo de corrupção que assola o nosso país, esse alguém é ele. No Jornal da Cultura de 17.11, Marco Antônio deu um show de conhecimento, citando nomes, cargos, tendências (sempre o mesmo lixo) e responsabilidades. Ele tem todo o espectro na ponta da língua e seu verbo voa livre daquele cacoete nauseante da demagogia que quando não vem acompanhado de vossa excelência isso e aquilo, está sempre imerso num torvelinho que não leva a nada. O papo do Marco Antônio detém clareza, lembrando ao leitor que clareza traz resultados.

Desculpe o linguajar, mas catzo, a sociedade civil precisa - agora, melhor dizendo, agora ou nunca, arregaçar as mangas e botar a boca no trombone que nem gente grande e gente grande argumenta, gente pequena manda matar.

Marco Antônio lembra que até 2010 era temerário falar mal da estatal do momento, que a máquina para moer os desgraçados que se atreviam era um assombro, mas agora Golias cambaleia e a justiça tem de vir a tona.

Outras pessoas estão falando. Até outro dia havia o medo e ficamos de 2010 a 2014 recebendo e-mails que apontavam para uma direção onde o ser pensante(?) pensava(?): será possível? Porque a questão não se restringe a estatal. Há um movimento articulado para colocar nosso país nas trevas do nacarado belzebu, isso começou em 1989 e parece que semana passada bateu o martelo e disse: nós vamos invadir sua praia. Se até hoje você nunca ouviu falar do Foro de São Paulo, por favor informe-se e passe adiante, sem brincadeira.

Dia 15.11 houve manifestação na Paulista e peço, gentilmente, dê um pulo na escrivaninha da Lúcia Constantino e leia "A Mídia na Caverna".

Tomo a liberdade de colar abaixo meu comentário:

"Senti a mesma coisa e fiquei tão indignado que me atrevo a dizer - só caverna, sem mídia. E a questão não se resume as eleições apenas, pois se colocarmos de lado todo o partidarismo demente o que fica é a função jornalística. Tratar isso (10.000 pessoas) como se não tivesse acontecido é ao mesmo tempo uma infâmia, um atentado e uma postura assustadora. Se quase puseram o país abaixo por trinta centavos, por que não bradar conscientemente e com civilidade - como foi feito - por integridade, honestidade? E desde quando isso não é notícia? E o pior é que essa ausência de mídia - descarada - já é por si só uma tremenda notícia. Que, pelo visto, não vai dar em nada....Crônica não apenas oportuna como imprescindível - mostra que somos enganados do amanhecer ao por do sol mas não estamos moribundos ou dopados".

E se não estamos, peço desculpas ao tornar a lhe pedir isso, vá agora mesmo a escrivaninha do sr. Celso Panza, leia (e releia) "Ameaça ao Brasil". São informações muito mais sérias do que o preço do tomate e mesmo sabendo não estarmos no Facebook, este site de escritores também se presta a emissão de opiniões e divulgação de informações de interesse comum.

Numa crise, as pessoas tem de se sentir como soldados e não como vítimas. No caso, soldados da palavra, da informação, do esclarecimento.

Lembro-me como se fosse a ontem (1980) a notícia no JN de um prefeito, em longínquo e depauperado logradouro, flagrado desviando a verba das merendas para sua própria conta. Fato que se disseminou progressivo, incurável e fatal. Chega o momento em que o espectador não suporta mais esse tipo de coisa. Soa como doença mental? Há um artigo muito bom, escrito por um sanitarista do RJ, séc. XIX, falando do naipe dos aventureiros que aqui chegavam, oriundos de todas as partes do globo, no mesmo período. Assaz instrutivo sobre patologias e por conseguinte das raízes que se entranharam. Entrando um mínimo nesse tema e a título de curiosidade, o psiquiatra Daniel Cordeiro, em recente palestra, divulgou para sua platéia que São Paulo acaba de ganhar o título de Capital da Doença Mental do Planeta. Tem para todos os gostos e há muito que Sampa é um fiel 3x4 da nação.

Será tão impossível assim deduzir o aspecto doentio que delineia as torpezas sem precedentes, sem limites, atropelando-se umas as outras, nas vistas do espectador?

O que estamos assistindo nas ultimas 72 hs sobre corrupção desencadeia hediondas elucubrações.

Crônicas como as da Lúcia, do Celso, a exemplo, são vozes poderosas nesta nossa fábula semi nefasta onde parte de nós acredita que o colibri ajuda a apagar o incêndio. Esperemos com fé que sejam muitos colibris.

O tamanho da incongruência do Foro de São Paulo mais o tamanho do descalabro envolvendo a estatal e as respectivas quantias, sem mencionar as ramificações de poder e grana descritas pelo sr. Villa na TV Cultura são motivos suficientes para mobilizar cada dona de casa, cada empresário pequeno ou grande, cada prestador de serviços, operário, doutor, etc., com um mínimo de consciência e sensatez a tomar uma posição não importando - no momento - para qual time você torce, pois isso é irrelevante agora. A circunstância mostra-se absolutamente binária: não dá pra fingir que não está acontecendo. Ou você toma uma posição, ou não toma.

Quanto ao pessoal da mídia - dos trabalhadores aos proprietários- devem considerar seu papel histórico e em momento algum supor que no futuro não serão cobrados por sua omissão.

Silêncio gera medo, informação gera confiança.




(Imagem: John Brett, Inglês, 1831-1902, The Stonebreaker, 1858, óleo sobre tela)







 
Bernard Gontier
Enviado por Bernard Gontier em 18/11/2014
Reeditado em 16/09/2020
Código do texto: T5040279
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