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A economia precisa ser dialética


A discussão polarizada entre capitalismo e socialismo, neoliberalismo e capitalismo intervencionista continua como sempre fora. Não seria nada incomum se o tempo não tivesse transformado essa discussão em algo obsoleto.  As cenas de amigos se ofendendo no trabalho e nas redes sociais expõem o quanto atrasados estamos por não reconhecermos que o cartesianismo, em certa medida,  tornou-se algo cafona na pós modernidade.

Até quando entenderemos que o modelo teórico não cabe na realidade concreta? Contudo, a paixão por um postulado tem levado muitas pessoas inteligentes a terem uma visão limitada e distorcida da realidade econômica.

Nosso mundo é dialético e a palavra dialética significa duas inteligências. Através do exercício dialético pode-se chegar a uma síntese que trará consigo a solução para muitos problemas. Estas soluções muitas vezes não são vislumbradas por causa de posições diametralmente opostas dos nossos governantes.

Se olharmos para vários países europeus desenvolvidos conseguiremos enxergar esse processo dialético. São países capitalistas que perceberam o grande fosso existente entre a teoria extremada dos modelos socioeconômicos e a realidade. Um exemplo disso é a Alemanha, a maior economia capitalista da europa, onde quase 50% do PIB é gasto com transferências sociais.

O pragmatismo tem o seu lugar e esse lugar é o mundo real. Haverá momentos em que políticas mais à esquerda precisarão ser adotadas, assim como políticas mais à direita terão o seu lugar de acordo com as circunstâncias e conjuntura de cada país e devidamente calibradas.
A China, um país dito comunista, tem sido uma defensora ardorosa do livre mercado. Em outros tempos isso seria inadmissível e esquizofrênico. Por outro lado, o presidente da maior economia capitalista do mundo, berço de grandes economistas neoliberais e comandada por um republicano, vem adotando uma agenda protecionista.

Podemos chegar a conclusão que as teorias, quando são contrárias à uma realidade determinante para o equilíbrio econômico de um país, tendem a ser ignoradas.
A  crise financeira que teve início em 2007 levou os capitalistas de “carteirinha” a buscarem ajuda no estado devido ao desajuste criado pela desregulamentação geral das transações financeiras, especialmente os sub primes.

Não houve remorso, crise existencial e nem crise de crença pela negação dos postulados teóricos. Os capitalistas aceitaram a ajuda do estado americano e europeu para salvar a economia mundial.

O remédio a ser prescrito é o da ponderação e da parcimônia. Doses extremadas de qualquer receita fiscal ou monetária pode levar a economia mundial a mais um período de dor e sofrimento que atingirão principalmente os países mais vulneráveis.

“A diferença entre o remédio e o veneno é a dose”
 
 
 

Albertino Ribeiro
Enviado por Albertino Ribeiro em 16/04/2018
Código do texto: T6309763
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Sobre o autor
Albertino Ribeiro
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil
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