Finamente, o famoso Queiroz apareceu. Antes, porém, de dar o ar de sua graça e proliferar explicações um tantos inverossímeis na entrevista ao SBT o jornalista Elio Gaspari usou de maneira cirúrgica na Folha de São Paulo o termo “suicídio” para descrever o suposto desaparecimento por quase um mês do ex- assessor de Flávio Bolsonaro. Suicido, sim. Pois, como todos sabem, o grande mal-estar provocado por denúncias de lavagem de dinheiro já estão a priori desgastando o futuro governo.

Esse caso é inédito por dois motivos simples.

Primeiro: o discurso bolsonarista elegeu-se com um forte apelo contra a corrupção. Todavia, antes mesmo de sua posse escândalos já mostram que talvez os 55,13 % dos eleitores caíram no conto do vigário dos bons costumes como método de gestão pública. Bom, falta de aviso não foi.

Segundo: Um fator inédito é que geralmente na História da República das bananas casos de corrupção aparecem acontecer depois da posse. Bolso e sua trupe parecem que sofrem de uma fraquejada e ejaculação precoce. Desafio para cientistas políticos e historiadores explicarem  em um futuro não muito distante. É um bom tema.

 Explicação- Resumo da Ópera. 

Queiroz disse que sua função “é fazer dinheiro” e que gera volumosas quantias "através de venda  e troca de carros”.
Mas algumas perguntas ainda não foram respondidas.

Vamos apenas a três delas:

1- Por que ele pode falar ao SBT e não comparecer ao MP para dar explicações? Parece que depois que Silvio Santos fez aquela propaganda saudosista na época  da ditadura militar ("Brasil, ame ou deixei-o") a emissora virou um reduto para machões bolsonaristas que não suportam o contraditório dos outros meios de comunicação. Na verdade, eu particularmente, achei Queiroz um tanto denodo. Apostava que ele iria dar explicações em cima de uma mesa de laranjas em um live no Facebook.   Já que como disse o nosso querido coiso na sua diplomação ao som do hino brasileiro e entre lágrimas de crocodilo: “o poder popular não precisa mais de intermediações” - uma indireta birrenta contra a imprensa livre e democrática.

2- Bolsonaro também afirma não ter tempo para ir ao Banco, por isso, Queiroz teria depositado 24 mil na conta da futura primeira dama Michelle Bolsonaro. Mas diversas imagens  na imprensa mostram que ir ao Banco do Brasil na Barra da Tijuca e depois tomar água de coco no quiosque na praia parece que são uns dos  seus programas favoritos em dias de sol carioca.  Um tanto contraditório, não?

3- Será que Queiroz teria a hombridade de mostrar a documentação dos carros que revendeu para demostrar seu caráter reto e probo? Afinal, todos são inocentes até que se provem o contrário- embora, essa tese ultimamente a justiça brasileira está achando um tanto démodé- vide o caso de manter presos condenados antes do trânsito em julgado.
 
Em resumo: 
Explicações  que não estão a contento, vitimisimo à direita e sinal de fogo de corrupção já se avizinha para o próximo governo. Mas, como alguns amigos bolsonaristas me orientam: "tudo se resolve se nós fizermos bastante figa, rezarmos de joelhos e pedirmos a benção de Deus para que esse governo dê certo. Afinal, quem não quer o bem do nosso país, não é mesmo?"

P.S.: Pergunta do dia.  Em meio a todo esse imbróglio: você teria coragem de comprar um carro usado do Sr. Queiroz?
gbbenfica
Enviado por gbbenfica em 27/12/2018
Reeditado em 28/12/2018
Código do texto: T6537051
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