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FotoARTIGO – Como armar o povo – 11.01.2019 (PRL)
 
 
ARTIGO – Como armar o povo – 11.01.2019 (PRL)
 
As discussões a respeito desse assunto deverão ser muito renhidas no congresso nacional – Câmara e Senado --, especialmente nessa fase em que a violência se assenhoreou do país, a ponto de desafiar os poderes da república, que estão pasmos e sem saber na realidade o que fazer. E nem queiram pensar que o Doutor Sérgio Moro, sozinho, vai colocar a paz no seu devido lugar.

Estávamos ainda há pouco no salão ajeitando as unhas quando uma senhora de uns quarenta anos, que também o fazia, falou que iria adquirir duas armas – revólveres --, claro que contando com a certeza de que o novo presidente da república iria baixar uma medida provisória ou seja lá o que fosse autorizando a posse e uso dessa ferramenta perigosa para quem não a sabe manejar. A manicure, curiosa, perguntou: “E vai poder matar?”. -- Claro que sim, respondera, e continuou a conversa. Nessa altura, por ser completamente avesso à tese de que a solução para coibir a violência é a liberação desses brinquedos, mudei de posição, a fim de não mais ouvir aquele triste bate-papo.

Quem tem obrigação de conter criminosos são as autoridades nacionais com suas polícias especializadas, seja na cidade ou no campo, porquanto recebem salários para isso. Não se deve, por hipótese alguma, querer-se transferir ao povo essa missão, pois estaríamos correndo o risco de transformar o Brasil num campo de batalha ainda pior do que acontece hoje em dia, até por que o bandido vai dizer que matou em legítima defesa e outras desculpas esfarrapadas. E quando a polícia se declara sem condições, e quase sempre é verdade, seja por falta de armamentos compatíveis, seja por remunerar pessimamente os policiais de menor graduação, a competência de manter a lei e a ordem é das nossas forças armadas. Essa hipótese, todavia, somente é atendida quando o governador do estado se declara incompetente para fazê-lo, apelando ao governo central.

No atual momento, quando vários estados estão explodindo de violência em suas mais variadas formas (incêndio, assaltos à mão armada, toque de recolher, assassinatos, etc.), somente a intervenção federal seria capaz de minimizar esse clima desolador. Há, porém, um detalhe, qual seja, com interferência em alguma unidade da federação o governo fica impossibilitado de fazer alterações na constituição brasileira. No início de novo mandato presidencial é claro que vão precisar de algumas medidas que dependam de emenda à carta magna, restando então o impasse, e o Estado em seu sentido mais amplo pode ser paralisado.

Há quem proclame que esses estados aonde impera a violência no nordeste, especialmente o Ceará e às vezes  o Rio Grande do Norte, já que o Rio de Janeiro é o campeão brasileiro no particular, são governados por integrantes do Partido dos Trabalhadores, esse mesmo que andou atiçando a população para reagir e até incendiar o país caso fosse decretada a prisão de alguns de seus membros. Temos nossas dúvidas se essas pessoas prestariam esse desserviço à nação, até pela posição elevada que ocupam no cenário político nacional. Mas há quem duvide disso e afirme que o antes valoroso partido dos operários estaria provocando esse clima justamente para forçar a presença militar e evitar algumas reformas, especialmente essa da previdência, que dizem ser a salvação nacional, ao mesmo tempo em que aproveita a situação para nomear uma infinidade de novos funcionários e militares a título de emergência, pois é dando que se recebe.
 
A nosso pensar, salvo melhor entendimento dos leitores, uma boa maneira de armar o nosso povo é justamente desarmando os bandidos que a cada dia se reforçam com apetrechos de primeiro mundo, por vezes mais potentes do que os utilizados pelas nossas forças de repressão. Que a nossa indústria bélica seja implementada, incentivada, ajudada, todavia em equipamentos para exportação e não para facilitar a morte de nossos concidadãos. Pergunta-se até por que tanta pressa, em troca do quê? Aquele velho ditado de que “quem quer paz se prepara para a guerra” não vale a pena para civis, mas só para as forças militares.

Ficamos por aqui.

Nosso abraço.

Silva Gusmão
Foto: INTERNET/GOOGLE - noticias.bol.uol.com.br
ansilgus
Enviado por ansilgus em 12/01/2019
Reeditado em 13/01/2019
Código do texto: T6549043
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
ansilgus
Recife - Pernambuco - Brasil
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