Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O descobrimento do Brasil. Antes e depois do Bolsonaro.

Não sei quem descobriu o Brasil, mas de uma coisa eu sei: o Brasil foi descoberto no dia 1 de janeiro de 2019. Se posso sustentar a minha tese?! Posso. Mas reformulo a minha afirmação falando acerca do que popularmente se entende por descoberta do Brasil. Na história oficial, um tal de Pedro Álvarez Cabral - Dinho, para os íntimos; Pedrão, para os chegados -, aportou em algum lugar destas terras, aqui fincou uma bandeira portuguesa, e declarou: "Descobri o Brasil. A partir de agora toda esta terra, do Oiapoque ao Chui, compreendendo o Rio Amazonas e o Rio São Francisco, e o Corcovado e o Pão de Açúcar, e o Pantanal, e os Lençóis Maranhenses, pertencem à Coroa Portuguesa. E ai de quem tentar arrancar um naco destas terras para si! Vai receber umas belas bastonadas no lombo, o vagabundo! E tenho dito." A notícia correu mundo. E as más-línguas, desafetos do Cabral, ladinos e inescrupulosos, disseram tratar a notícia de uma fake news, a primeira fake news da história. Ah! Esquecia-me (na verdade, eu não me esquecia, não; estou apenas querendo criar um clima de suspense); ah! esquecia-me, prossigo: antes de o Cabral pisar em areias brasileiras, nas terras que ele descobriu vivia um bando de gente pelada, impúdica, usando, para cobrir as suas vergonhas, diriam os nossos ancestrais, um cocar, se muito. Então, a descoberta do Brasil não seria uma descoberta, mas uma redescoberta; melhor, uma descoberta, sim, mas por pessoas que ainda não a haviam descoberto, mas já descoberta, não se sabe quanto tempo antes, por pessoas que primeiro pisaram nas terras que hoje compreendem o território de um país chamado Brasil. Devo salientar um ponto: há historiadores que acreditam, piamente, que Pedro Álvarez Cabral não pronunciou o discurso que aqui transcrevi, usando da ortografia moderna, em sua inteireza. O caso é controverso. Tenha Cabral dito, ou não, tais palavras - e é provável que ele as tenha dito - é irrelevante; pode-se afirmar, no entanto, com certeza absoluta, que ele foi o primeiro lusitano que fez uma cagada no Brasil. Ou alguém acredita que ele não aproveitou a ocasião, não se despiu, não correu até uma bananeira e atrás dela não se acocorou e... Serei discreto. Não vejo razão para perder-me em pormenores que hão de enodoar a reputação do Cabral.
Ah! Esquecia-me (e agora eu me esquecia, mesmo; não estou querendo criar um clima de suspense, não): após o evento que se convencionou denominar descoberta do Brasil, todas as histórias relacionadas ao Brasil ignora a existência das ações de todas as pessoas que, nuas, caçando tatus e pescando lambaris, e guerreando-se, e entredevorando-se - literalmente -, e fazendo o número 1 e o número 2 atrás das bananeiras, viviam nestas terras antes do desembarque do Cabral e sua trupe.
Ditas todas as palavras acima, palavras indispensáveis à compreensão da minha tese, prossigo: hoje em dia, após a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência do Brasil, que se deu no primeiro dia do corrente ano, sórdidos comentadores atribuem a ele todos os males que flagelam os brasileiros, dando a entender e exigindo que todos assim o entendam, que antes de 2019 era o Brasil uma região paradísiaca cujos habitantes gozavam de todos os bens materiais e imateriais que a ideologia socialista produz em abundância e distribui igualitariamente, a cada qual segundo a sua necessidade. Assim, recortam a história do Brasil em antes e depois do Bolsonaro, a de antes, a primitiva, de um Brasil edênico (escrevi 'edênico' para não ter de escrever 'paradisíaco'), e a de depois, a da decadência brasileira, que se realizou no dia em que Bolsonaro recebeu a faixa presidencial das mãos de Michel Temer, parente distante do morador mais famoso da Transilvânia.
É besteira a minha tese!? Então que alguém lhe apresente uma antítese. E para sustentar a minha tese, e eliminar todas as possíveis inconsistências, contradições, obscuridades, incompreensões, adiciono: segundo os odiadores profissionais do Bolsonaro, ele, Bolsonaro, e só ele, é o responsável pelo desmonte do sistema de ensino brasileiro (desmonte, aqui, no sentido negativo; como se houvesse alguma coisa para se desmontar!), pela corrupção moral que está a corroer os brasileiros, pela violência que todo ano vitimiza milhares de brasileiros, pela desigualdade social e concentração de renda, pelos milhões de brasileiros que não têm atendimento médico decente, pela situação calamitosa do saneamento básico que obriga milhões de brasileiros a viverem à margem de rios fétidos, sem rede de esgoto e água tratada; enfim, é de exclusiva responsabilidade de Jair Messias Bolsonaro todas as mazelas que fazem os brasileiros sofrerem, muitos se desesperarem. Antes de sua descoberta, sabe-se lá por quem, no dia 1 de janeiro de 2019, o Brasil era, eu já disse, e repito, um paraíso.
Ilustre Desconhecido
Enviado por Ilustre Desconhecido em 12/10/2019
Reeditado em 12/10/2019
Código do texto: T6767739
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Ilustre Desconhecido
Pindamonhangaba - São Paulo - Brasil
584 textos (8207 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 15/11/19 23:06)