A DEMOCRACIA E EU

A DEMOCRACIA E EU

Democracia – governo do povo. Palavra bonita, origem nobre, puro sangue ateniense. Mesmo assim, eu nunca acreditei nela, nessa tal democracia, e explico por quê. Ora veja: se num pequeno grupo de cinco, dez ou mais pessoas que vivem em comunidade ou que trabalham juntas, sem que haja uma delas com autoridade, há sempre as espertalhonas que se aproveitam das demais, “se jogam nas cordas”. É verdade ou não é? Imagine, então, num país, num estado ou mesmo num município!...

Governo pelo povo, pura utopia, ledo engano! Pobre povo, que elege seus representantes sem ao menos saber o que está fazendo! Muitos depositam seu voto na urna pensando que estão apenas cumprindo a promessa ao candidato inescrupuloso que lhe deu uns minguados reais ou lhe prometeu um “empreguinho” na prefeitura para ele ou para um filho.

Mas tem que ser desta forma! Não há como todas as pessoas mandarem ao mesmo tempo! Por isso, é que, de tempos em tempos, se elegem vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e o presidente – para representar cada eleitor.

E é só isso que é democracia!? Desde quando os eleitos representam o povo? Se cada eleitor pudesse controlar a atuação daquelas pessoas que receberam o seu voto e, ainda, ao primeiro descumprimento do dever a elas imposto, destituí-las do poder que outorgou a elas pelo voto, aí, sim haveria democracia de fato.

Ah, mas isso não é possível! Concordo, ainda não é possível. Mas num futuro bem próximo a internet poderá tornar-se o instrumento para que cada eleitor ou eleitora exerça a verdadeira a democracia. Para que isso aconteça, basta o interesse dos legisladores e governantes e adequar as redes sociais para prestarem este serviço.

Nestas condições, quem é que vai querer candidatar-se a algum cargo político? Quem tiver amor a sua cidade, a seu estado e a seu país e não o mísero interesse econômico.

Aliás, do modo que eu vejo a democracia do futuro, não haverá mais a necessidade de representantes do povo. Os cargos hoje eletivos, dos atuais três poderes das esferas federal, estadual e municipal, serão substituídos por funcionários públicos, devidamente concursados (mas regidos pela mesma lei trabalhista do povo), para criar e operar dispositivos que recebam e selecionem as propostas vindas do povo e elejam as prioridades para cada região.

Ah, mas isso não será democracia! Será tecnocracia, automatocracia – o homem governado pela máquina! Lembra até o modelo de sociedade de George Orwell em seu livro intitulado 1984. Não concordo. Será antes uma demotecnocracia ou uma democracia tecnológica, uma vez que as propostas emanarão do povo. As máquinas apenas obedecerão à vontade da maioria, sem acesso policiador a cada cidadão, como as ‘teletelas’ de Orwell.

Deem o nome que quiserem. Será melhor do que este arremedo de democracia orquestrada por políticos corruptos, como a que temos aqui no Brasil.