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Capitais

Dando-se um mergulho raso no pretérito, encontramos na etimologia latina a palavra "capitalis", relativo  à cabeça. Num voo metafórico significa qualquer coisa como: o mais importante. A cabeça contém o cérebro que comanda todo o corpo, assim é na capital que está o cérebro do Estado ou da nação.

        Para muita gente soará com estranheza dizer que alguns países têm mais de uma capital, contudo é verdade. Um exemplo bem próximo acontece na vizinha Bolívia que tem duas capitais: La Paz e Sucre. Isso acontece porque na primeira fica o comando administrativo e na segunda, o Poder Judiciário.

        Mais curioso ainda e na África do Sul com três capitais: Pretória, Cidade do Cabo e Bloemfontein. Como se isso fosse pouco, ainda tem gente que jura que é Johanesburgo. 

        Países como Benim, Costa do Marfim, Malásia, Honduras, Chile, República Tcheca, Países Baixos, Tanzânia… tem mais de uma capital e até os Açores, mesmo não sendo autônomo têm três capitais.  Vá entender!

        O Brasil, como países dos horrores, não poderia ficar extrinseco e emplacamos, por se dizer,  três capitais num furdunço só. Cada Poder é uma cabeça independente do corpo, embora com um só cordão umbilical. Tão harmônico quanto Lampião e Volante da Polícia. 

        Tem o Poder Executivo que pensa que executa e não executa nada. Deveria ser o mais atuante, mas não é.

        Tem o Poder Atrapalhativo que atrapalha muitíssimo bem e  tinha 80% do seu efetivo com alguma pendência na Justiça. Seu pretenso Primeiro Ministro, que imagina ser um  rei, está atolado até o pescoço na banda podre dos 80% e é quem mais reclama do Executivo que não quer dialogar. Dialogar é capital livrel, dinheiro vivo, propina. Alguns de seus membros têm uma ficha de denúncias que se posta no chão, dá para cobrir a distância de Brasília-Anápolis vindo pelo Nordeste.

        O Pode do Supremo Trapalhões Federais. Esse, valha-me Zeus! São os deuses das caneladas. Em dias de reuniões, se colocar uma peixeira na mão de cada um, Adélio poderá ficar de camarote para receber aulas "de gratis". Ninguém se faça de surpreso se algum dia na reunião do plenário colocarem a mãe no meio. Esse é de soberba a vergonha na nação. De tão ruim consegue desagradar a si mesmo. É de lambuja o mais fétido e podre, pior que peido de gambá. O cabra vota de um jeito hoje e amanhã muda o voto em gênero, número e caso na mesma matéria. Por gauchada anuncia isso com meses de antecedência para não criar clima de surpresa. São orgulhosos, reclamam pra si todos os holofotes só pelo prazer de brilhar mais que estes. Alguns de tão prolixos procuram palavras como quem garimpar diamante, ou fazendo  esforços como uma girafa parindo, ainda assim,  não poucas vezes a gramática foi brutalmente machucada. Barram qualquer investigação sobre seus atos e não aceitam ser fiscalizados por seu ninguém. Conseguiram a proeza de angariar críticas até do ex-ministro Ives Gandra Martins, pessoa reconhecidamente discreta  e de Modesto Carvalhosa.  Dão entrevistas como Pop Star e são mofinos, intocáveis, melindrados. Detestam ser chamados de "senhores", além de desrespeito é também uma quebra de liturgia, segundo o desabafo em forma de carão, dado por um desse deuses de barro. Precisam de alimentação digna de Faraó. Não aceitam menos que lagosta flambada ao vinho da melhor safra. A suposta  delação premiada do Deputado Eduardo Cunha não tardará a fazer bodas de prata. Será por quê? 

        Quem paga todo isso? Eu, você, o Zé da bodega, a puta, o padeiro, o padre, o pedreiro, o peixeiro,  o camelô, o soldado, o soldador, o professor, o gari, o porteiro de boite, o frentista, o feirante, o ferreiro, o açogueiro, o bicheiro, o taxista, o alfaiate ( desculpas,  não existem mais alfaiates), o doutor e até o diabo se colocar os chifres de fora! 

        E o palhaço sou eu?

Um Piauiense Armengador de Versos
Enviado por Um Piauiense Armengador de Versos em 02/06/2020
Reeditado em 03/06/2020
Código do texto: T6965228
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Um Piauiense Armengador de Versos
Aracaju - Sergipe - Brasil, 73 anos
634 textos (42726 leituras)
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