Ao espalhar terror em Brasília, bolsonarismo reforça sua natureza miliciana

 

leonardo-sakamoto-2---150-1615917027745_150x150.jpg

Leonardo Sakamoto

Colunista do UOL

 

Um grupo de 200 seguidores do atual presidente resolveu espalhar o terror em Brasília na noite desta segunda (12).

A justificativa de que protestavam contra a prisão de um líder indígena bolsonarista acusado de atos antidemocráticos e de ameaçar Lula foi mera desculpa para extravasarem o ódio pela diplomação do petista, ocorrida hoje no Tribunal Superior Eleitoral, e para espalharem o caos almejado por Jair.

Ao cometer uma série de crimes, queimando e depredando dezenas de carros e, pelo menos, cinco ônibus, lançando paus e pedras em agentes de segurança e tentando invadir a sede da Polícia Federal, bolsonaristas colocaram em risco vidas de policiais e de cidadãos comuns - que se refugiaram em pânico em um shopping center, em hotéis e em restaurantes.

Repelido por policiais, parte do grupo dirigiu-se ao hotel onde Lula está hospedado, que teve segurança reforçada.

 

DEPOIS DO SILÊNCIO, BOLSONARO ADOTA TOM MESSIÂNICO PARA INCITAR SEGUIDORES.

Com isso, revelaram sua face real ao naco da sociedade brasileira que cisma em ver manifestantes onde só há golpistas. Essa violência bolsonarista que atropela a lei e as instituições é típica de um projeto de sociedade miliciana, onde a Justiça é trocada pelo justiciamento. Na qual cada um é instado a resolver com as próprias mãos suas discordâncias, ignorando as regras e a Constituição.

Decisão judicial pode ser criticada, mas deve ser cumprida.

Quem discorda disso é bandido.

Esses bolsonaristas já haviam cometido uma série de crimes ao exigir, na porta do quartel-general do Exército, que os militares baixassem um golpe de Estado, passando por cima do resultado das urnas e mantendo Bolsonaro no poder. Agora, tocaram o terror na capital federal, desenhando para quem não entendeu a real natureza do seu movimento.

Os vídeos que estão sendo transmitidos, muitas vezes pelos próprios criminosos, mostram cenas que não deixam nada a dever a filmes de guerra. Em resposta, policiais federal e militares usaram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha.

O bolsonarista José Acácio Xavante foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que, por sua vez, atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República. Investigação da PF apontou que ele é figura constante em uma série de atos antidemocráticos.

Jair Bolsonaro torce para que o caos se instale em todo o Brasil a fim de justificar uma intervenção das Forças Armadas. Para ele, cenas deploráveis como as da noite desta segunda são colírio para seus olhos chorosos. Não importa que, posteriormente, repudie o que aconteceu. No fundo, ele quer é mais.