COMPORTAMENTO DE BOIADA

 

A jovem democracia brasileira, conquistada com suor e sangue está em perigo. O radicalismo invadiu a vida política do país com uma virulência nunca vista antes, nem mesmo entre os esquerdistas que pegaram em armas para combater o regime militar.

Nem todas as pessoas que votaram no Bolsonaro - mais de 50 milhões - podem ser elencadas no rol dos aloprados. Na verdade, a grande maioria votou nele por rejeição ao adversário petista, da mesma forma que entre os mais de 50 milhões que deram vitória ao Lula, uma expressiva maioria também votou no petista porque não queria o Bolsonaro.

Trata-se de um grande paradoxo. Estamos sendo governados por um presidente que a metade do país rejeita porque gostaria de estar sendo governada por um indivíduo que a outra metade não quer.

Estamos vivenciando o momento de histeria coletiva, que os franceses chamam de “folie à plusieurs”. Esse é um fenômeno sociopsicológico que se define pela manifestação de iguais sintomas histéricos em mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Sua ocorrência decorre de uma intensa pregação ideológica que elicia a mente das pessoas de tal forma, que a sua capacidade de raciocínio lógico é substituída pela emoção que a mensagem lhe induz. A vida da humanidade registra diversos surtos de histeria coletiva. A que se seguiu à derrubada da Bastilha, na Revolução :Francesa, o nazismo e o fascismo, bem como as revoluções comunistas da primeira metade do século vinte, são claros exemplo de loucuras induzidas no inconsciente coletivo do povo através desses métodos de alienação coletiva.

Essa indução ocorre através da comunicação. Geralmente por falsas premissas que são dirigidas ao inconsciente das pessoas, fazendo-as acreditar que suas vidas, propriedades, valores e crenças estão em perigo. E essas mensagens, muitas vezes subliminares, são marteladas diuturnamente na cabeça das pessoas, fazendo com que, em certo momento, suas mentes passem a admiti-las como crenças incontestáveis, de forma que decidem segui-las como Joana D’Arc às suas vozes.

Quem sabia fazer isso muito bem era o Dr. Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler. Ele dizia que “"Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade". Provavelmente é a aplicação desse princípio que está provocando a histeria coletiva que atinge parte das hostes bolsonaristas. Uma mentira - a de que as eleições foram fraudadas - tem sido martelada insistentemente na cabeça das pessoas que não gostam do Lula e é isso (e não a sua simpatia pelo Bolsonaro) que está levando ao comportamento alucinado que tomou conta da turba descontrolada que invadiu Brasília.

O tempo é o senhor da razão. Somente ele e a realidade cotidiana têm o antídoto certo para curar esses surtos psicóticos que por vezes atinge multidões e as leva a esse comportamento de boiada. O perigo está nas consequências desses atos impensados e, principalmente, nas intenções dos indutores desses atos. Porque, esses sim, sabem muito bem o que estão fazendo.