As obsessões políticas e ideológicas - suas motivações interiores

Criar um objetivo especial para a vida às vezes é apenas uma obsessão

por Márcio de Ávila Rodrigues

[27/11/2023]

Ontem, último domingo de novembro deste 2023, fiz uma caminhada (mais recreativa do que um exercício) até a tradicional praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Lá chegando, encontrei uma manifestação de direitistas. Os autoproclamados "patriotas".

Fiquei surpreso porque não estava vendo manifestações desses grupos desde os episódios criminosos de 8 de janeiro em Brasília. Mas me informaram que eles continuam se reunindo naquele local, nos fins de semana.

O tema daquele momento era a revolta contra a morte de um dos manifestantes de Brasília, preso, desde então, enquanto aguardava a inevitável sentença de prisão que seria arbitrada pelo Supremo Tribunal Federal. Mártires sempre foram estopins para grandes revoltas da História, mas este caso não parece estar causando o impacto desejado pelas lideranças "patrioticas".

A persistência das reuniões de manifestantes me fez refletir - certamente não pela primeira vez - sobre essa necessidade humana de buscar objetivos para a vida. Neste caso, sob o formato de idealismo social.

Não estou discutindo a escolha de ideias e de formatos sociopolíticos. Estou enfocando a questão de abraçar uma causa com garras e correntes, a ponto de sacrificar vida familiar, tempo de lazer e até as economias pessoais.

São características do radicalismo humano a certeza de suas convicções e a necessidade de se impor aos que professam as ideias contrárias usando quaisquer recursos, ainda que ilícitos. E frequentemente dizem agir em nome da democracia, que tem um conceito inverso de acordo com qualquer dicionário.

Manifestantes obsessivos não são apenas os de ideologia política, mas também os religiosos e os de costumes (não pertencem a grupos obrigatoriamente segmentados). Claramente eles possuem uma necessidade psicológica de passar pela existência com uma idealizada valorização da vida através da luta pela melhoria da sociedade humana.

Mas somente o formato defendido tem valor para eles, os demais formatos são desprezíveis e precisam ser extirpados. É uma certeza sobre o que, na verdade, além de incerto é apenas temporário.

Sobre o autor:

Márcio de Ávila Rodrigues nasceu em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, Brasil, em 1954. Sua primeira formação universitária foi a medicina-veterinária, tendo se especializado no tratamento e treinamento de cavalos de corrida. Também atuou na área administrativa do turfe, principalmente como diretor de corridas do Jockey Club de Minas Gerais, e posteriormente seu presidente (a partir de 2018).

Começou a atuar no jornalismo aos 17 anos, assinando uma coluna sobre turfe no extinto Jornal de Minas (Belo Horizonte), onde também foi editor de esportes (exceto futebol). Também trabalhou na sucursal mineira do jornal O Globo.

Possui uma segunda formação universitária, em comunicação social, habilitação para jornalismo, também pela Universidade Federal de Minas Gerais, e atuou no setor de assessoria de imprensa.