OS DOIS SENHORES

A história da humanidade parece um manancial de religiões diferentes e podemos pensar que todos os dias surgem mais religiões, cada uma inventando seu próprio deus.

O que vêm as pessoas que não conhecem a Bíblia, que não vêm a realidade sob o prisma do Espírito Santo de Deus, é muitas religiões de deuses distintos surgindo todos os dias. O que vemos, porém, sob o prisma do Espírito Santo de Deus, são milhares de denominações ditas cristãs adaptando Deus e ensinando seus seguidores a adaptá-lo ao seu bel prazer, às suas necessidades, aos seus anseios e vontades. Daí essas pregações insultuosas, que ensinam os fiéis a impor-se, determinar e não aceitar senão aquilo que determinou. É assim que as pessoas que não conhecem a Deus vêm o surgimento dessas tantas denominações, nada mais do que muitas novas religiões conflitantes.

Na verdade, não surgem novas religiões há milênios, ou seja, desde que entrou o pecado no mundo. Surgem sim novas denominações religiosas dentro das duas religiões existentes.

Desde que passou a existir religiões (quando o ser humano inventou a segunda religião), existem apenas duas. Uma delas, a primeira, é a religião de Deus, aquela cujo culto é dedicado ao Deus vivo, o "Criador do céu e da terra e das fontes das águas" (Êxodo 20:8-11), comandante de todo universo a mantenedor do funcionamento da vida, conforme descrito na Torá, na Bíblia e no Alcorão, e, embora de forma distorcida, nas lendas antigas dos povos sobre a tríade criadora de todas as coisas. Nesta religião, o Deus é o meio termo entre os indivíduos (a razão entre eles), é a base para seus projetos e ações, é a referência padrão; é o único princípio a ser imitado. As pessoas se rendem à vontade dEle, medem suas ações pelas dEle e, se não estão agindo em conformidade como o equilíbrio e o bem geral, abrem mão de seus propósitos para conformar suas vontades às dEle.

E a outra religião é a religião de adoração do deus eu. Nesta, as pessoas distorcem a divindade conforme o propósito pessoal, criando cada um o deus que satisfaça suas intenções. Por isto, a distorção do entendimento sobre o Deus Criador nas lendas antigas. E é também por isto que os dominadores antigos (os lidere do povo) criaram mais de trinta e cinco mil deuses, como é o caso de Roma, cada um visando satisfazer a vontade de seu criador de deuses; aplacar os ânimos e impulsos da população, conformá-la e dominá-la, dando a ilusão de satisfazer as necessidades e desejos dos devotos crentes nesses deuses. .

Assim, os egípcios tinham centenas de deuses, os babilônicos, algumas centenas, os gregos, outras tantas centenas, os nórdicos, uma infinidade deles, os indianos, milhares, os orientais outros tantos milhares (alguns adoravam a primeira coisa que vissem ao levantar pela manhã), incluindo os africanos e os nativos das Américas com seus panteões intermináveis de deuses. E todos esses deuses nadam mais são do que a representação da vontade humana.

Judaísmo, Cristianismo e Islamismo são as três únicas religiões de adoração puramente ao Deus Criador do céu e da terra. Elas compõem a única religião de adoração a Deus. Nelas é onde a divindade está menos distorcida; onde os indivíduos mais se adaptam a vontade do Deus e menos tentam adaptá-lO as suas vontades. Não que não haja distorções entre as milhares de denominações dentro dessas três religiões, mas essas três são as que mais evocam o Deus verdadeiro do que o deus eu.

Já, nas religiões tidas por pagãs (e nas religiões espiritualistas e exotéricas), o Deus verdadeiro é confundido ou substituído por deuses inventados com vistas na satisfação da vontade dos indivíduos, a satisfação dos seus desejos. Estas são as religiões de adoração mais puramente ao deus eu e em tais religiões todo tipo de prática é aceita, até mesmo a mentira, o ilusionismo, a traição, a imoralidade, a difamação, a falsidade, o roubo, etc., conquanto que beneficie o indivíduo, não importando o bem comum. E o ateísmo pode bem ser incluído nesta religião, pois cultua a racionalidade humana como estando acima da fé em Deus.

Portanto, aí estão sintetizadas as duas únicas religiões que existem, a de adoração ao Deus verdadeiro e a de adoração ao deus eu. Todos os deuses inventados nada mais são do que ícones desse deus, sendo Satanás seu pontífice máximo. Ele é o primeiro e o maior pregador da adoração ao eu, sendo ele mesmo seu escravo e maior venerador.

Wilson do Amaral