Os pecados contra o Espírito Santo

OS PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

O pecado contra o Espírito Santo consiste na rejeição da graça de Deus; é a recusa da salvação. Implica numa rejeição completa à ação, ao convite e à advertência do Espírito Santo (cf. Mc 3, 29; Hb 10, 8).

O Papa São Pio X (pontificado de 1903 a 1914) em seu Catecismo Maior, ensinou que são seis os pecados contra o Espírito Santo:

1º - Desesperar da salvação - Quando a pessoa perde as esperanças na salvação, achando que sua vida já está perdida e que ela se encontra condenada antes mesmo do Juízo. Julga que a misericórdia divina é pequena. Não crê no poder e na justiça de Deus.

2º - Presunção de salvação, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma idéia de perfeição que implica num sentimento de orgulho. Ela se considera salva, pelo que já fez. Somente Deus sabe se aquilo que fizemos merece o prêmio da salvação ou não. A nossa salvação pode ser perdida, até o último momento da nossa vida, e Deus é o nosso Juiz Eterno. Devemos crer na misericórdia divina, mas não podemos usurpar o atributo divino inalienável do Juízo.

O simples fato de já se considerar eleito é uma atitude que indica a debilidade da virtude da humildade diante de Deus. Devemos ter a convicção moral de que estamos certos em nossas ações, mas não podemos dizer que aos olhos de Deus já estamos definitivamente salvos.

A presunção da salvação é um ato de negação de uma verdade da Igreja. Qual seja? A possibilidade da perda da salvação até o último minuto da vida. O mesmo vale para quem já se considera condenado, negando a verdade da misericórdia infinita de Deus, tal como ensinada aos homens, o mesmo vale para a impenitência final e para quem inveja uma graça concedida por Deus aos demais membros da Igreja e assim não pratica a caridade.

Os calvinistas, por exemplo, afirmam a eleição definitiva do fiel, por decreto eterno e imutável de Deus. A Igreja Católica ensina que, normalmente, os homens nada sabem sobre o seu destino, exceto se houver uma revelação privada, aceita pelo sagrado magistério. Por essa razão, os homens não podem se considerar salvos antes do Juízo.

3º - Negar a verdade conhecida como tal pelo magistério da Santa Igreja, ou seja , quando a pessoa não aceita as verdades de fé , mesmo após exaustiva explicação doutrinária. É o caso dos hereges. Considera o seu entendimento pessoal superior ao da Igreja e ao ensinamento do Espírito Santo que auxilia o sagrado magistério.

4º - Inveja da graça que Deus dá aos outros. A inveja é um sentimento que consiste em irritar-se porque o outro conseguiu algo de bom. Mesmo que você possua aquilo ou possa ganhar um dia. É o ato de não querer o bem do semelhante. Se eu invejo a graça que Deus dá a alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o juiz do mundo. Estou me voltando contra a vontade divina imposta no governo do mundo. Estou me voltando contra a Lei do Amor ao próximo. Não devemos invejar um bem conquistado por alguém. Se este bem é fruto de trabalho honrado e perseverante, é vontade de Deus que a pessoa desfrute daquela graça.

5º - A obstinação no pecado é a vontade firme de permanecer no erro mesmo após a ação de convencimento do Espírito Santo. É não aceitar a ética cristã. Você cria o seu critério de julgamento ético. Ou simplesmente não adota ética nenhuma e assim se aparta da vontade de Deus e rejeita a Salvação.

6º - A Impenitência final é o resultado de toda uma vida de rejeição a Deus: o indivíduo persiste no erro até o final, recusando arrepender-se e penitenciar-se, recusa a salvação até o fim. Consagra-se ao Adversário de Cristo. Nem mesmo na hora da morte tenta se aproximar do Pai, manifestando humildade e compaixão. Não se abre ao convite do Espírito Santo definitivamente.

Os pecados contra o Espírito Santo estão interligados. Dessa forma, negar verdades doutrinárias da Igreja e obstinar-se no erro são ações complementares. Negar uma verdade factual ou uma verdade moral da Igreja implica igualmente numa ação condenável em termos éticos e na perda da graça. Mesmo que possamos identificar uma diferença entre um herege que negue a existência da verdade moral afirmada pela Igreja e o pecador que não ignora a vigência da lei e a sua fundamentação doutrinária, mas, mesmo assim, age contrariamente a ela.

Todos os pecados são passíveis do perdão de Deus, nesta vida ou na otra. Exceto o pecado contra o Espírito Santo que não tem perdão,