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Orgulho e Morte

                                           Orgulho e Morte

                                                                           por E. Alyson Ribeiro

    Se analisarmos os nossos sentimentos e nos perguntarmos: “quais sentimentos mais nos atrapalham?”, certamente, o orgulho se encaixaria nesse menu de sensações. Mais o que seria o orgulho? Segundo o dicionário Houaiss, orgulho é definido como “sentimento de prazer, de grande satisfação com o próprio valor, com a própria honra; sentimento egoísta, admiração pelo próprio mérito, excesso de amor-próprio; arrogância, soberba”.  Dessas definições, a que mais me chamou atenção foi “admiração pelo próprio mérito”.

     A Palavra de Deus é muito clara ao nos evidenciar que a salvação não é adquirida pelos nossos méritos, mas pela fé em Jesus, ou seja, nossas boas obras não nos levam à salvação, mas sim, a nossa fé em Cristo, pois se as boas obras nos levassem a salvação, certamente, poderíamos nos “orgulhar” dessa conquista (Efésios 2:8-9). A Bíblia nos ensina que devemos confiar em nosso Deus, de todo o nosso coração, abdicando dos nossos pensamentos e confiando plenamente no Senhor (Provérbios 3: 5-6). Em outras palavras, mesmo que identifiquemos que uma situação complicada está para acontecer, nós devemos ter plena confiança de que Deus estará conosco e a vontade perfeita Dele prevalecerá.

     A consequência do orgulho é a teimosia; e a da teimosia é a desobediência; e a da desobediência é o pecado (Tiago 4:17); e a do pecado é a morte (Romanos 6:23). Portanto, o orgulho leva à morte.

     Para o melhor entendimento, vamos analisar um fato bíblico apresentado no Primeiro Livro de Samuel, capítulo 15, do versículo um ao 34. Seria muito bom se o leitor abrisse a Palavra de Deus e lesse essa passagem antes de seguir a leitura desse texto.

     Sabendo da possibilidade do leitor não ter aberto a Bíblia, vou contextualizar os fatos para o melhor entendimento. Pois bem, o profeta Samuel tinha dois filhos, Joel e Abias, os quais eram juízes do Povo de Israel na cidade de Berseba. Mesmo sendo filhos de um profeta, eles eram corruptos e se interessavam em ganhar dinheiro para julgar os casos. Certamente, se eles vivessem atualmente no Brasil, seriam presos pela "Lava-Jato".  Pois bem, essa corrupção de Joel e Abias fez com que o povo pedisse um rei a Samuel. Eles alegaram que Samuel já estava ficando velho e os filhos dele não seguiriam o bom exemplo do pai, por isso, era importante que eles tivessem um rei. Samuel não gostou dessa afirmação (de fato, você como pai/mãe, coloque-se no lugar dele) e, por isso, orou a Deus apresentando a situação. Assim sendo, Deus disse para Samuel atender a vontade do povo, pois este não estava rejeitando a Samuel, mas sim ao próprio Deus como Rei de Israel (1 Samuel 8:2-6).

     O Senhor Deus, então, revelou a Samuel que Saul deveria ser o Rei de Israel (1 Samuel 9:17). Saul era moço e tão belo que não havia ninguém em Israel mais bonito do que ele, além disso, era mais alto do que a maioria dos homens (1 Samuel 9:12). Saul tinha todos os critérios humanos que o exaltava aos olhos dos homens. Se fosse hoje, ele teria a beleza suficiente para ser um modelo de revista ou ator de seriado. A beleza de Saul o caracterizava, de acordo com os critérios humanos, como um rei. Se Deus escolhesse alguém feio, será que o povo aceitaria? Será que o povo saberia escolher seu líder? O povo queria alguém como Saul.

     Será que nos dias de hoje a beleza continua sendo um critério para a conquista das coisas? Será que a beleza é um critério para você se amar? A sua beleza pode até fazer com que os homens o coloque como rei, porém, Deus não olha a aparência, mas sim o coração (1 Samuel 16:7).

     O Pai Celestial tinha propósitos para Saul e eram coisas grandes, coisas como o livramento do povo de Israel, como o cumprimento da própria Palavra de Deus. O Senhor queria que Saul cumprisse uma determinação Dele, a qual foi dita a Moisés em Êxodo 17:14 “Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus”. Ou seja, Deus afirmou que iria “riscar da memória” os amalequitas, povo inimigo de Israel. E, aproximadamente, 400 anos depois, o Pai Celestial decidiu pôr em prática o que dissera. Ei! Você percebeu que se passou um bom tempo para o cumprimento da Palavra de Deus? Se Deus disse, vai acontecer, o tempo para Deus não é como o nosso tempo (Salmos 90:4).

     Voltemos a história, Deus escolheu o belo Saul!

     Então, Samuel disse a Saul o que ele deveria fazer aos amalequitas, isto é, atacar e destruir tudo o que eles tinham, não podendo ter dó, nem piedade, devendo matar os homens, as mulheres, as crianças e os bebês, além do gado, camelo e jumentos (1 Samuel 15:3).

     Evidentemente, Saul derrotou esse povo inimigo, porém, não matou o rei amalequita, Agague, nem os melhores touros e as melhores ovelhas e carneiros; Saul só destruiu aquilo que era imprestável (1 Samuel 15:9).

     E Deus se “arrependeu” de colocar Saul como rei (1 Samuel 15:11). Oi? Deus, arrependendo-se? Isso mesmo? Ele não é o Todo-Poderoso? Como pode se arrepender?

     É evidente que Deus é o Todo-Poderoso, o princípio e o fim, o alfa e o ômega, o que era, e que há de vir (Apocalipse 1:8). Uma curiosidade para você leitor, você sabia que no hebraico há várias palavras que significam arrependimento, algumas delas são “nacham” e “cata”. A palavra “Nacham”, segundo o site “dosenhor.com”, além de “arrepender-se” tem o sentido de “reconsiderar-se”, “comover-se”, “vingar”; enquanto que a palavra “cata” significa “errar”, “pecar”, “arrepender-se”. Na Bíblia hebraica, nessa passagem de “1 Samuel 15:11”, o termo que se refere ao arrependimento é “nacham” e quando é abordado o arrependimento humano (por exemplo, arrepender-se do pecado) é usado o outro termo.

     Portanto, primeiro vou ilustrar uma situação, depois lhe farei algumas perguntas. Imagine-se que você ensinará uma criança andar de bicicleta sem as rodinhas. Você leva o pequenino até a parte alta de uma subida, posiciona-o na bicicleta, verifica se o capacete está posicionado corretamente e, em seguida, solta a criança na descida. Por ser a primeira vez que o pequenino andará de bicicleta sem rodinhas, ao soltar a criança você já imagina o que acontecerá, certo? Possivelmente, a criança irá cair. Pois bem, quando ela cair, qual será o seu sentimento? Comoção pela queda ou arrependimento por soltá-la na descida? Ou esses dois sentimentos? Por acaso você diria “Eu tive que fazer isso, senão ela não aprenderá a andar de bicicleta” ? E se você disser isso, esse pensamento seria de arrependimento ? Se não for arrependimento, seria do que então?

     Deus sabia o que iria acontecer com Israel ao escolher Saul, mas mesmo assim permitiu a situação. Por quê? Para que o povo de Israel aprendesse que jamais os homens podem substituir a liderança de Deus. Lembre-se, leitor, que o próprio Deus afirmou que o povo o rejeitou (1 Samuel 8: 2-6). O Senhor permitiu que Saul errasse para nos ensinar, nos dias de hoje, que se não formos submissos a vontade Dele, mesmo se tivermos toda a beleza humana, mesmo se  tivermos todas as riquezas terrena, mesmo se formos Presidentes da República se não tivermos submissão à Palavra de Deus, seremos falhos e desagradaremos ao Pai, assim como Saul desagradou ao Senhor.

     Voltemos, Saul descumpriu as ordens de Deus e isso fez com que o Pai Celestial reconsiderasse a questão do reinado de Israel. Fato que obrigou o profeta Samuel, logo pela manhã, a procurar pelo rei. É interessante notar que Saul estava em Carmelo edificando um monumento que o honraria (1 Samuel 15:12). Será que Saul era orgulhoso? Será que ele tinha “sentimento de prazer, de grande satisfação com o próprio valor, com a própria honra; sentimento egoísta, admiração pelo próprio mérito, excesso de amor-próprio; arrogância, soberba”?

     Mesmo assim, Samuel encontrou com Saul e o rei logo já tentou justificar seus atos afirmando que tinha obedecido as ordens do Senhor. O profeta, então, contra-argumentou indagando Saul sobre o gado e as ovelhas que estavam ali presentes. O rei justificou que eram dos amalequitas e que ele havia trazido para que fossem sacrificados a Deus (1 Samuel 15:15). Leitor, preste atenção, às vezes nós usamos as "boas ações" para justificar nossos erros diante do Pai. Se nossa atitude, mesmo parecendo ser boa, desagrada a Deus ou não está de acordo com a Palavra de Deus, então, ela não é boa, certo?

     O profeta, sem titubear, repreendeu o rei e o questionou sobre o fato de ter desobedecido a Deus. Além disso, Samuel disse a ele que Deus prefere a obediência ao invés de Sacrifícios. Ainda, o profeta afirmou que desobedecer é como uma revolta contra Deus e que o orgulho é pecado, assim como um pecado de idolatria (1 Samuel 15:23). Quantas vezes sabemos que erramos e, mesmo assim, não nos arrependemos? Quantas vezes sabemos que aquilo que iremos fazer é errado, mas "fechamos os olhos" para isso? Saul foi orgulhoso e não reconheceu seu erro.

     A justificativa de Saul foi que ele fez o que o povo pediu (1 Samuel 15:24). Sinto lhe dizer, leitor, a voz do povo não é a voz de Deus. Quantas vezes erramos porque alguém nos convida a errar? Quantas vezes somos convidados a fazer algo errado e para não desagradarmos aos "amigos" aceitamos o convite? Sinto lhe dizer, mas a vida com Deus é renunciar a vida mundana. "Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me" (Mateus 16:24).

     Retomando, o rei ouviu o povo e não fez o que Deus mandou. Saul desobedeceu e, por isso, Deus retirou de Saul o reinado de Israel e deu a outro que era melhor do que ele. Esse outro era um moço ruivo, de belos olhos, admirável de aparência, pequeno em estatura conhecido como Davi (1 Samuel 16:7-12).

     É interessante compararmos a descrição física de Saul e a de Davi.  Saul era alto, Davi baixo; Saul era um belo jovem, Davi era admirável de aparência; não havia nenhum homem mais belo do que Saul, já Davi, seu próprio irmão era mais belo do que ele.

     Contudo, "O Senhor não vê como o homem:o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração" (1 Samuel 16:7).

     Como está o seu coração? O que Deus encontra nele? Será Deus vê um rei dentro de você?

     Essa história nos ensina que Deus dá oportunidades para muitas pessoas, as quais não dão importância a isso. As pessoas parecem fazer “pouco caso” de Deus, parece não perceber que o Pai Celestial quer que nós façamos coisas grandiosas. Saul iria cumprir algo que foi dito há quase 400 anos. Saul iria colocar em prática a Palavra de Deus. Uma pergunta: Deus tem promessas para nós? Sim. E maior de todas as promessas não é a riqueza, não é a cura de doenças, não é o casamento, mas sim a vida eterna (1 João 2:25). Às vezes deixamos de fazer algo para Deus, às vezes trocamos o Senhor por outras coisas insignificantes. Deixamos de obedecer a Palavra, os mandamentos, a ordenança do Pai por causa de outras coisas. Para o que temos dado preferência?

     Coisas boas também nos afastam de Deus, boas ações também nos fazem pecar. Como assim? Fazer o bem nos faz errar? Quando queremos ser reconhecido pelas nossas atitudes, pelas nossas boas obras, erramos. A Palavra nos diz, em Mateus 6:3, para que “a mão esquerda não saiba o que a direita faz”, ou seja, não precisamos expor nossas boas atitudes. Nós devemos fazer coisas boas espontaneamente, pois dentro de nós deve estar gravado o que diz em Tiago 4:17. Além disso, quando trocamos Jesus por outras coisas, mesmo que as tais sejam boas, também erramos (Lucas 14). Eu vou além, quando fazemos a vontade de Deus pela metade era melhor que não tivéssemos feito nada. Saul não obedeceu completamente a Deus e isso, para Deus foi como uma desobediência.

     Muitos dizem: "Eu vou à igreja, vou lá porque senão o irmão ficará bravo", "senão o pastor ficará me ligando", senão, senão, senão.  Grande coisa você ir à igreja e deixar seu irmão sofrendo e machucado (Lucas 10:25), ou seja, do que adianta frequentar os cultos se você não aplica a Palavra de Deus em sua vida? Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo (Marcos 12:33) são os maiores mandamentos. Estar na igreja não significa amar a Deus, pelo contrário, se você estiver na igreja e não O adorar como deve, você estará desprezando a Deus. Sabe por quê? Porque o Senhor diz: "Aquele que tem os meus mandamentos e obedece a eles, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e Eu também o amarei e me revelarei a ele"(João 1:21). Veja, obedecer aos mandamentos de Deus, revela o seu amor por Ele, e isso o fará ser amado por Deus, e Cristo se revelará a você.

     Se não há obediência, há arrogância e, se há arrogância, há pecado. E o salário do pecado é a morte.

    Mas a obediência prova que você ama a Deus. E todas as coisas cooperam para aqueles que amam a Deus (Romanos 8:28).

    Mude de vida, aceite a Cristo verdadeiramente, isto é, amando-O, preocupando-se com a Palavra de Deus, confiando que Deus é mais importante do que qualquer coisa nesta vida. Se você errou muito em sua vida, Jesus o aceita. Basta você se arrepender de todo o seu coração. Em 1 João 1:9 "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" em 2 Corintios 5:17 "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo". Não seja orgulhoso, mude de atitude, não faça as coisas de Deus pela metade, assim como Saul.

     O que o atrapalha de estar com Deus? Você é tão orgulhoso que não aceita mudar?

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E Alyson Ribeiro
Enviado por E Alyson Ribeiro em 17/09/2019
Reeditado em 18/09/2019
Código do texto: T6747450
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
E Alyson Ribeiro
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