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O TRIUNFO DO CRISTIANISMO

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Faz mais de mil anos que as pessoas visualizam o triunfo do cristianismo nos últimos dois séculos (IV e V) do Império Romano como um evento pacífico –jubiloso e libertador- caracterizado pela conversão em massa de milhões de pagãos felizes de abandonar uma religão malvada, falsa e vazia em prol de outra que lhes haveria garantido a vida eterna. Essa convicção está tão arraigada entre todas as camadas sociais que, com a exceção de poucos eruditos em ambiente acadêmico, acabou tornando-se a única verdade conhecida e, como tal, universalmente aceita sem questionamentos. Entrentanto, essa versão da história não passa de uma lenda edulcorada construída pelos vencedores, e a função desse artigo é justamente mostrar ao leitor uma realidade histórica bem diferente e muito mais sombria.
Em pouco mais de cinquenta anos, todo o saber que havia sido produzido e acumulado pelos antigos Egípcios, pelos Gregos, os Etruscos, os Celtas e os Romanos foi literalmente varrido da face do Império com um afinco e uma perseverança digna dos fanáticos do Estado Islámico. Um saber milenário foi banido e substituído pelos dogmas deduzidos das Escrituras; os Autores clássicos foram encarados com desconfiança e banidos das escolas; os livros queimados e a ignorância elevado ao rango de sabedoria. Até o teólogo Orígenes, cansado de tanta arrogância, escreveu: “A estupidez de certos cristãos é mais pesada que a areia do mar” (Homílias sobre o Gênesis, 9.2). Mas como foi que um império de mais de sessenta milhões de habitantes e composto por povos e etnias diferentes chegou a esse trágico ponto?

Tudo começa no ano 313 d.C. quando, a Milão, se encontram Constantino I e o colega Licínio imperadores, respectivamente, da parte ocidental e da parte oriental do Império Romano. Os dois soberanos assinam um decreto, também conhecido como Édito de Milão no qual se afirma que todas as religiões possuem a mesma dignidade, tornando assim lícita a atividade dos cristãos que, na época, representavam, em percentual, apenas 7-10% da população das províncias romanas. Vale a pena ler a parte principal desse édito para compreender que, formalmente, fora criado um clima de recíproca tolerância e paridade legal entre o Cristianismo e os outros Cultos do Império que, lembramos, eram muitos e variados:

“Nós, Constantino e Licínio, imperadores, encontrando-nos em Milão para conferenciar a respeito do bem e da segurança do império, decidimos que, entre tantas coisas benéficas à comunidade, o culto divino deve ser a nossa primeira e principal preocupação. Pareceu-nos justo que todos, inclusive os cristãos, gozem da liberdade de seguir o culto e a religião de sua preferência. Assim qualquer divindade que no céu mora será propícia a nós e a todos nossos súditos. Decretamos, portanto, que, não obstante a existência de anteriores instruções relativas aos cristãos, os que optarem pela religião de Cristo sejam autorizados a abraçá-la sem estorvo ou empecilho, e que ninguém absolutamente os impeça ou moleste... . Observai, outrossim, que também todos os demais terão garantia a livre e irrestrita prática de suas respectivas religiões, pois está de acordo com a estrutura estatal e com a paz vigente que asseguremos a cada cidadão a liberdade de culto segundo sua consciência e eleição; não pretendemos negar a consideração que merecem as religiões e seus adeptos.”

Entretanto, seja Constantino I como os seus sucessores, começaram a favorecer descaradamente a Igreja cristã em detrimento das outras religiões. O próprio Constantino, sem chegar a proibir formalmente os cultos clássicos, emanou uma série de decretos restritivos como os que estão elencados abaixo:

- em 321 estabeleceu que todos os domingos se tornassem feriados nacionais;
- em 324 mandou fechar os templos pagãos proibindo rituais fundamentais como os sacrifícios de animais;
- em 325 convocou o Concílio de Niceia, inaugurando o cesaropapismo, um sistema no qual cabia ao chefe de Estado a competência de regular a doutrina, a disciplina e a organização da sociedade cristã;
- em 326 proibiu que os judeus convertessem e circuncidassem os escravos.

Mas, acima de tudo, a Igreja foi isenta de qualquer tipo de imposto, praxe que, pelo menos na Itália, continua ainda hoje. Além disso, os eclesiásticos, as freiras, os bispos e os lugares de culto cristão receberam generosas liberalidades e as primeiras basílicas redundaram de ouro, prata, pérolas, sedas e mármores preciosos. Posto que naqueles tempos a grande maioria dos súditos ainda não eram cristãos, de onde vinha toda aquela riqueza? A resposta é simples: da depredação dos antigos templos pagãos. E como as estátuas não podiam ser recicladas, acabaram sendo destruídas por uma plebe fanática e ignorante que agia impunemente enquanto as autoridades faziam vista grossa. Afinal, cogitou Constantino, sem altares e sem estátuas às quais oferecer os sacrifícios, os cultos não-cristãos teriam morrido de morte natural. Todavia, as previsões desse soberano, que durante a vida havia cometido crimes hediondos, como o assassinato do próprio filho e o da esposa (dizem que mandou fervê-la viva dentro duma banheira), não se realizaram com a facilidade que ele havia imaginado e boa parte da população continuou acreditando em suas divindades antigas de milhares de anos.

Essa situação de partidarismo camuflado de tolerância acabou definitivamente 67 anos depois, exatamente em 380 d.C., com a emanação do Édito de Tessalônica decretado pelo devotíssimo imperador Teodósio I (o mesmo que, em 388, mandou assassinar cerca de 10.000 cidadãos de Tessalônica que haviam se rebelado) no qual foi estabelecido que a única religião permitida era o cristianismo, sendo as práticas politeístas consideradas ilegais e os seus adeptos sujeitos a penas exemplares. A parte mais significativa desse decreto imperial é aquela onde se diz que:

“Ordenamos que tenham o nome de cristãos católicos quem sigam esta norma, enquanto os demais os julgamos dementes e loucos sobre os quais pesará a infâmia da heresia. Os seus locais de reunião não receberão o nome de igrejas e serão objeto, primeiro da vingança divina, e depois serão castigados pela nossa própria iniciativa que adotaremos seguindo a vontade celestial.”

O leitor atento poderá notar a diferença substancial entre os dois éditos e constatar que a tolerância formal do primeiro havia sido substituída por uma intolerância despótica e ameaçadora no segundo. Os ditados evangélicos “Amem os seus inimigos” (Mateus 5:43-44) e “A quem te esbofetear a face direita, oferece-lhe também a outra” (Lucas 6:29) foram guardados numa gaveta e os cristãos se transformam, de supostas vítimas, em amáveis perseguidores. Não por maldade, seja bem claro, mas por amor; e nem por represália, mas para salvar as almas dos tolos que ainda teimavam em não reconhecer a religião do Salvador. Agostinho justificou as violências mediante uma metáfora inspirada na parábola do banquete: “Então ordenou o senhor ao seu servo: Ide por vários caminhos e atalhos e os que encontrar obriga-os a entrar, para que a minha casa fique repleta.” (Lucas 14:23); também quem não estivesse interessado devia ser empurrado a entrar na casa do Senhor, custe o que custar. Agostinho afirmou que os bons cristãos eram como médicos que tentam salvar a vida de um enfermo e que, portanto, não deviam deixar de executar a sua tarefa por compaixão, mesmo que isso provocasse graves dores no paciente. Outros padres da Igreja compartilhavam as ideias de S. Agostinho, e São Jerônimo, respaldado pelo arcebispo João Crisóstomo, declarou não ser crueldade defender a honra de Deus. “Onde há o terror” disse S. Agostinho, “há salvação... oh, crueldade misericordiosa”. Esses pensamentos representaram a base ideológica de mais de mil anos de opressão teocrática, de perseguições e de violência.

Se, durante o reinado de Constantino I os templos foram saqueados e esvaziados de seus tesouros, a partir de Teodósio a moderada indulgência manifestada pelo poder estadual em relação os pagãos foi substituída por uma postura bem mais radical. Lá pelo fim do IV século ser adepto dos antigos Cultos podia acarretar reações cada vez mais duras que iam do simples afastamento dos cargos públicos (magistratura, forças armadas, burocracia, ensino, etc.) à confisca dos bens, à perda dos direitos civis, ao exilo e até à tortura e à morte. Um caso que chocou o Mundo Antigo foi o da destruição do Serapeu, tido como o mais belo prédio da Antiguidade e que abrigava boa parte dos livros oriundos da famosa biblioteca de Alexandria. De acordo com o historiador cristão Rufino, em 392 d.C., uma multidão de fieis liderada pelo patriarca Teófilo invadiu o templo e o destruiu totalmente enquanto dezenas de milhares de livros foram queimados: destarte, obras únicas e raras foram perdidas para sempre. Em todo o Império as bibliotecas foram atacadas e despojadas de seus volumes: primeiro as públicas, depois as particulares e houve muitos casos em que bandos de monges fanáticos entravam nas casas de cidadãos comuns em busca de livros para serem queimados. Embora a Igreja se gabe de ter preservado a cultura clássica, é oportuno lembrar que, em comparação com o Serapeu, as bibliotecas dos primeiros mosteiros medievais continham uma quantidade insignificante de livros, de um mínimo de vinte a um máximo de quinhentos tratando quase exclusivamente temas cristãos. Ainda em 1338, a maior biblioteca de toda a Europa, a da Sorbonne em Paris, contava com um acervo de apenas 1728 volumes. Recentemente foi calculado que de todas as obras da Antiguidade apenas 10% chegou aos nossos dias e que da literatura latina somente 1% (um por cento) escapou à fúria destruidora dos cristãos. Nem sempre os livros foram queimados, simplesmente foram deixados apodrecer nos porões dos mosteiros.

Muito piores foram as perseguições contra todos aqueles que se recusavam a abjurar a fé de seus antepassados e das quais já falei exaustivamente no meu artigo intitulado “Os Mártires na Antiga Roma” publicado nessa escrivaninha aos 30/05/2018. Mesmo assim é importante sublinhar dois fatos fundamentais. O primeiro é que as perseguições contra os cristãos foram bastante limitadas no tempo durando, em tudo, apenas treze anos em três séculos de continuidade política imperial, sendo localizadas em algumas áreas geografícas restritas e jamais tendo um caráter ideológico. Em outras palavras, os cristãos não foram perseguidos por causa da sua fé, mas por terem se comportado como cidadãos insolentes e desobedientes; mesmo assim nunca foram obrigados a abjurar. Em segundo lugar, existia, entre eles, muitos fanáticos que faziam o possível para serem torturados e mortos na convicção que, destarte, teriam sido recebidos no Céu com todas as honras, além de ter seus nomes gravados no Livro dos Mártires. A Igreja não exaltava quem cumpria boas ações, mas enaltecia quem morria nas formas mais terrificantes: foi por isso que a figura do mártir tornou-se um paradigma a ser seguido e, coerentemente, nos vários martirológios, emerge o fato que as autoridades pagãs não queriam matar, mas eram os próprios cristãos que cobiçavam a morte. Narram as crônicas que, principalmente nas províncias africanas, grupos de fanáticos iam até as residências das autoridades suplicando para serem martirizados e que, diante da recusa dos oficiais, muitos deles acabavam se suicidando. Quando enfim o Cristianismo tornou-se religião de estado e as perseguições cessaram, não poucos fieis, considerando os sofrimentos físicos como um valioso passaporte para lavar os pecados e entrar no paraíso, largaram as suas famílias e foram no deserto onde constituíram vastas comunidades.

Uma das mais medonha foi a dos monges Parabolanos que, liderados pelo bispo S. Cirilo –sobrinho de Teófilo- aterrorizaram a cidade de Alexandria comportando-se como verdadeiros “esquadrões da morte”, tornando-se responsáveis pelo massacre dos judeus da cidade. Em 415, um grupo de Parabolanos martirizou a filósofa neoplatônica Hipácia que, acusada de ser uma bruxa, foi esfolada viva e teve seus olhos arrancados. Outro digno companheiro de S. Cirilo foi o monge Shenute, fundador do “Mosteiro Branco”, no Egito, que abrigava 2.200 monges e 1.800 freiras em condições não muito diferentes das dos GULAG de época estaliniana; Shenute em pessoa costumava castigar violentemente os monges chegando até a provocar a morte deles; quanto às freiras, a mínima infração era punida com o chicoteamento das plantas dos pés. Mas provavelmente os piores de todos foram os Circumceliones que aterrorizaram boa parte da África do Norte entre o IV e o V século. Armados com cacetes denominados “Israel” atacavam indiferentemente pagãos e cristãos, laicos e religiosos que, frequentemente, eram castigados com o derramamento de chumbo derretido nos olhos. Os monges foram também os mais ferrenhos inimigos da cultura clássica, dos livros e das estátuas, tidas como abrigo dos demônios. Por isso a maioria delas, inclusive maravilhosas obras de arte, foi despedaçada ou mutilada; em alternativa as estátuas eram “batizadas” com a gravação duma cruz na testa. O tratamento reservado às estátuas (e às pessoas!) ilustra perfeitamente a imensa diferença entre a mentalidade dos pagãos e a dos cristãos. De fato, para os romanos -que eram tolerantes- qualquer culto podia ser aceito e todos se encontravam num plano de igual dignidade. Ao contrário, o Cristianismo dividiu a sociedade em duas partes incompatíveis e inimigas: de um lado os seguidores de Deus, do outro os adeptos do diabo. A prova é que enquanto na jurisprudência imperial clássica nunca existiu o conceito de “religio illicita”, naquela cristã foi logo introduzido um preceito fortemente discriminatório, como acabamos de ver num passo do “édito de intolerância” de Teodósio.

Embora os monges, com a exceção dos Parabolanos, não dependessem formalmente dos bispos, eram todavia usados como força paramilitar para amedrontar, e se necessário punir, os recalcitrantes que não abraçavam prontamente a nova fé. As bases teóricas da intolerância e da violência foram redigidas em forma escrita por S. Agostinho, S. Crisóstomo e outros conceituados Padres da Igreja. “Há uma perseguição injusta infligida pelos ímpios à Igreja de Cristo e há uma perseguição justa infligida aos ímpios pelas Igrejas de Cristo. [...] A Igreja, portanto, persegue, movida pelo amor [...] isso para fazê-los arrepender, [...] para distrair do erro, aqueles que caem no erro; ela finalmente persegue e prende seus inimigos, para que eles voltem do erro e progridam na verdade” (S. Agostinho, Epístola 185, 2.11). A mensagem dos Doutores da Igreja foi interpretada ao pé da letra por personagens famosos como Martinho de Tours, um dos mais populares santos franceses, que arrasou não poucos templos na Gália, e por Bento de Núrcia que, nos arredores de Monte Cassino, dedicou os seus esforços à destruição de inúmeros ídolos chegando até a incendiar bosques tidos como sagrados pelos pagãos. Não é por acaso que os autores dos piores atos de vandalismo tenham se tornado os santos mais famosos: com efeito, quem praticava esses atos era tido como um cristão particularmente fervoroso, digno de receber os cargos mais importantes.

Não é difícil entender que, diante da brutalidade desencadeada tanto pelas autoridades imperiais como pelos monges, milhares de cidadãos aterrorizados acabaram aceitando a conversão, pelo menos formal, mas continuaram a praticar, em segredo -e correndo graves riscos- os seus cultos pagãos. Seria absurdo imaginar, como pretende a Igreja, que mais de cinquenta milhões de romanos tenham mudado de opinião da noite pro dia: realmente a velha religião era amada e praticada, tanto que, após o édito de Teodósio, foi decretada uma sequência quase ininterrupta de leis ainda mais restritivas e ameaçadoras, sinal, isso, que o paganismo continuava vivo na consciência dos homens, e quando falo em paganismo não me refiro unicamente ao velho politeísmo, mas principalmente às religiões mais populares como o Culto de Mitra, o de Ísis, o do Sol Invicto, o de Apolo (do qual era adepto até Constantino), etc. Quem continuou a desafiar abertamente as autoridades foram os filósofos que, por esse motivo, sofreram terríveis perseguições feitas de humilhações, torturas e morte. Um deles, chicoteado nas costas até sangrar, encheu uma mão com o seu próprio sangue e dirigiu-se ao juiz com essas palavras: “Agora que devorou a carne humana, oh ciclope, beba também o vinho”. Mas também a heroica resistência dos filósofos chegou ao fim quando, no ano 529, o imperador Justiniano mandou fechar a mais ilustre Universidade de todo o Mundo Antigo, a famosa Academia de Platão, considerada o último baluarte do paganismo. Um grupo de apenas sete filósofos, liderados pelo escolarca Damáscio (cujo irmão havia sido torturado a Alexandria) deixaram Atenas, o berço do pensamento ocidental, e desde então a cultura helênica morreu para sempre. O Cristianismo havia finalmente triunfado!

Nessas alturas uma pergunta que surge espontânea é a seguinte: “Por qual motivo não encontramos nada disso nos livros, principalmente nos textos escolares?” A resposta é que a censura eclesiástica -a dos vencedores- funcionou perfeitamente durante quase dois mil anos seguidos. Também boa parte do mundo acadêmico moderno preferiu alinhar-se à realidade histórica ditada pelo clero, não apenas nas nações católicas, mas também naquelas protestantes tanto que até na liberal Inglaterra do século XIX os “cientistas” da Universidade de Oxford acreditavam piamente no dilúvio universal e achavam que o nosso planeta tivesse sido criado aos 23 de outubro do ano 4004 a.C. Para não falar nas obras literárias de dúbio valor e na péssima cinematografia que nelas se inspira. Somente nessas últimas décadas apareceram pesquisadores independentes (e iluminados!) que, graças ao minucioso trabalho dos arqueólogos e dos filólogos, conseguiram focalizar uma realidade bastante diferente daquela oficial defendida pelo cristianismo. Por outro lado, quem pensa que os relatos sobre os atos de violência cometidos pelos cristãos tenham sido registrados (ou inventados) pelos cronistas pagãos, se engana redondamente pois os autores cristãos da época jamais tentaram esconder esses fatos mas, gabando-se deles, os apresentavam como atos de misericórdia aptos a salvar as almas dos idólatras impenitentes.


NOTA: Também esse artigo foi adicionado ao meu E-livro intitulado: "Viagem ao centro do Cristianismo" que pode ser baixado na minha escrivaninha.




Richard Foxe
Enviado por Richard Foxe em 13/11/2019
Código do texto: T6794111
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