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     Percebi que um dos maiores problemas que as pessoas enfrentam com a pandemia e com o lockdown é o fato de estarem sozinhas. Para muitos isso é uma tortura. Não falarei aqui das questões políticas, sanitárias e econômicas do lockdown, covid-19 e tudo o que isso envolve. Mas pretendo nos fazer refletir sobre como está o nosso coração diante disso.
     Deixo claro que pessoas são importantes e “não é bom que o homem esteja só” Gn 2:18. Somos seres relacionais porque herdamos esse atributo do nosso Pai celestial, que também O é. Os relacionamentos humanos são de extrema importância e confesso que o afastamento das pessoas em época de pandemia me deixou bem chateada. 
     Contudo, a questão de estarmos sozinhos conosco mesmos nos remete ao fato de sermos felizes sozinhos. Tenho visto muita gente bagunçada interiormente, com emoções e psicológico extremamente distorcidos e infelizmente não fazem nada a respeito. Vivem em uma busca desenfreada pelo prazer e pela felicidade e o que fazem, é se envolver em relacionamentos cada vez mais bagunçados e líquidos: em 1 mês já se envolveram com 3,4 pessoas, não se curam desses processos, se envolvem novamente e no meio de tudo isso, tem um relacionamento frágil com a família; não são felizes no trabalho; vivem de aparência, tem um feed lindo no Instagram, mas seu interior é uma terra seca.
     A tortura de ficar sozinho, muitas vezes não é nem a falta de alguém, mas é a angústia de ouvir seu próprio coração. É o medo de encarar a dor que está escondida lá dentro. É falta de coragem de olhar para si e ver o quão vazio é e que não é feliz consigo. 
     Conheço várias pessoas que trabalham loucamente, vivem dizendo que precisam descansar, mas quando tem tempo livre, não conseguem se aquietar. A primeira coisa que fazem é procurar algo para fazer, ligam para os amigos e se não der certo, ligam a TV mesmo sem a assistir, só para ter a sensação de que “tem alguém em casa”. Não suportam a ideia de estar só, precisam estar rodeadas de pessoas.  Afinal, o melhor lugar para se esconder é no meio da multidão. Quem, no meio da multidão, vai querer saber se você está bem? E quem, no meio da multidão, vai conseguir ouvir seu próprio coração? Esse é o verdadeiro escape dessa geração.
     Nunca vou me esquecer de uma grande amiga que uma vez me disse “você precisa ter prazer na sua própria companhia”, “você precisa ser feliz sozinha”. Isso mudou minha vida. Criei coragem para assumir para mim mesma que estava colocando minha felicidade em pessoas e circunstâncias, exatamente no lugar onde não deveria estar! Com isso, descobri que (como ela diz) “a vida é para dentro e não para fora”. Foi aí que tudo mudou! 
     Passei a me conhecer e a amar a minha companhia. Descobri que a minha felicidade não dependia de nada ou de ninguém e parei de viver em uma montanha-russa de sentimentos. Quando encaramos nossa alma e passamos a dar nome aos sentimentos, a parar de nos vitimizar, a assumir as responsabilidades e decidir mudar, a vida muda! 
     Ficar sozinho (no lockdown ou não) não será mais um problema, pois a sua própria companhia será prazerosa. Isso é tão libertador que você também vai parar de se sujeitar a certas coisas e vai tirar das pessoas o controle que elas têm sobre você (já que você tem achado para ser feliz precisa disso).
     Meu conselho para você que tem passado por isso é: não corra de você mesmo. Se conheça, se encare. Se permita chorar e ser curado, respeite os processos. Derrame seu coração aos pés do Melhor Amigo que alguém ter. Se preciso for, busque ajuda e aprenda a se amar. Faça tudo isso antes de entrar em um relacionamento, pois te poupará de muitos traumas e te dará condições de ter um relacionamento saudável.

“Ainda que fujas do campo para a cidade, ou da rua para a tua casa, a tua consciência vai sempre contigo... Da tua casa só podes fugir para o teu coração. Porém, para onde fugirás de ti mesmo?" Agostinho de Hipona
Abra a Porta e Nayara Kívilla
Enviado por Abra a Porta em 05/04/2021
Código do texto: T7224246
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Sobre o autor
Abra a Porta
Curitiba - Paraná - Brasil, 28 anos
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