COMO LER E PREGAR EFÉSIOS 3 o coração da teologia de Efésios

Esta série: “Como Ler e Pregar” tenta não só expor o texto bíblico, mas chamar a atenção de que conhecer o texto bíblico é uma coisa e pregá-lo com eficiência é outra coisa totalmente diferente. A primeira coisa a fazer é ler o texto e tentar anotar o que percebemos. Mas um pregador tem muitas regras a observar.

EFÉSIOS 3.1-21

1 Por essa razão eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vocês, os gentios — 2 se é que vocês ouviram falar a respeito da dispensação da graça de Deus a mim confiada em favor de vocês, 3 pois, segundo uma revelação, me foi dado a conhecer o mistério, conforme escrevi há pouco, resumidamente. 4 Ao lerem o que escrevi, poderão entender a minha compreensão do mistério de Cristo, 5 o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como agora foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, pelo Espírito.

6 O mistério é que os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho, 7 do qual fui constituído ministro conforme o dom da graça de Deus a mim concedida segundo a força operante do seu poder. 8 A mim, o menor de todos os santos, foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo 9 e manifestar a todos qual é a dispensação do mistério que, durante tempos passados, esteve oculto em Deus, que criou todas as coisas. 10 E isso para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida dos principados e das potestades nas regiões celestiais, 11 segundo o eterno propósito que Deus estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor. 12 Em Cristo, temos ousadia e acesso a Deus com confiança, mediante a fé nele. 13 Portanto, eu peço que não desanimem por causa das minhas tribulações em favor de vocês, pois isso é motivo de honra para vocês.

14 Por essa razão, eu me ponho de joelhos diante do Pai, 15 de quem toda a família, nos céus e na terra, recebe o nome. 16 Peço a Deus que, segundo a riqueza da sua glória, conceda a vocês que sejam fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito, no íntimo de cada um. 17 E assim, pela fé, que Cristo habite no coração de vocês, estando vocês enraizados e alicerçados em amor. 18 Isto para que, com todos os santos, vocês possam compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade 19 e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que vocês fiquem cheios de toda a plenitude de Deus. 20 Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, 21 a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!

DIVISÃO EM PARAGRAFOS

Podemos observar que o texto pode ser dividido em três blocos de parágrafos: 1-5, 6-13, 14-21.

PRIMEIRO BLOCO 1-5

1 – “Por essa razão...” Paulo inicia a frase no verso 1 e o repete no versículo 14, onde começa uma oração. Então a idéia era que Paulo queria começar o cap. 3 de Efésios fazendo uma oração, mas o seu pensamento foi mais longe e ele acabou ensinando seus leitores, mas no fim do cap. Paulo efetivamente orou pelos Efésios.

1 – “Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vocês, os gentios.” Historicamente falando Paulo era prisioneiro de Nero e não de Cristo, pois ele apelara ao imperador e tinha sido levado preso para ser julgado por ele. Paulo se considerava prisioneiro, ou servo de Cristo, por amor aos gentios. O que o levou àquela situação: A prisão em Jerusalém, à prisão ali e em Cesaréia, aos sucessivos julgamentos e ao apelo subseqüente a César, e que acabou levando-o a Roma, foi a oposição fanática dos judeus à sua missão aos gentios. E é inegável que o pregador , deve ter amor pelas almas. Paulo percebeu que os gentios, que são os povos não israelitas, também precisam da salvação de Deus. Apesar de o cristianismo ter saído do judaísmo, são coisas muito diferentes.

2 – “A dispensação da graça de Deus a mim confiada. Em favor de vocês.” Paulo pergunta se eles compreenderam que Deus tinha lhe dado uma dispensação, ou um chamado para pregar a graça a eles. E por duas vezes ele repete que a graça de Deus foi a ele confiada (versos 2 e 7). Paulo está falando de dois privilégios. O primeiro foi uma revelação, da qual viera a saber alguma coisa. O segundo é uma certa comissão. Tendo sido revelada ao cristão essa palavra, ele tem obrigação de repassá-la a outros. Ler a Bíblia e pregá-la é um privilégio e uma obrigação. Deus confiou o evangelho a algumas pessoas, não imagine que todo mundo tem a mente aberta para compreender a palavra pois não tem e isso é um mistério de Deus.

3, 4, 5 “Pois segundo uma revelação, foi me dado conhecer o mistério.” Paulo passa a dizer que foi confiado a ele uma revelação, que é a revelação de um mistério. Não devemos entender aqui a palavra mistério como algo obscuro, mas como a revelação de um mistério. Mas que mistério é esse?

SEGUNDO BLOCO 6-13

6 “O mistério é que os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa, por meio do evangelho.”

Mas qual é o mistério, ou o segredo aberto, agora revelado? Que os gentios são coerdeiros ou herdeiros juntos da promessa de salvação. Assim, o mistério diz respeito a Cristo e ao seu único povo, judeu e gentio. O evangelho uniu o povo judeu aos gentios, formando a igreja. Todos serão salvos a partir da conversão trazida pelo Espírito Santo. Os dois formam um novo povo: a igreja. É um erro observar Apocalipse e imaginar que o judeu terá uma salvação diferente do gentio. Se o judeu não se converter, assim como se o gentio não se converter, eles não virarão igreja e não serão salvos. A promessa de salvação é para a igreja (disponível a todos os que crerem), composta de judeus e gentios. No porvir não haverá um compartimento para o judeu e outro para o gentio, haverá apenas um lugar preparado para a igreja.

Então, podemos dizer que o mistério de Cristo revelado a Paulo é a união completa entre judeus e gentios, através da união de ambos com Cristo. O mistério era uma revelação, pois nos séculos passados não foi dado a conhecer aos homens, mas agora foi revelado aos apóstolos e profetas, pelo Espírito. Os apóstolos eram os primeiros líderes da igreja e os profetas são os crentes do Novo Testamento. Profeta é todo aquele que fala inspirado por Deus. Ou seja, essa revelação é exclusiva da igreja e era uma nova revelação, pois nos tempos passados, estava oculta em Deus (verso 5 e 9).

ISSO É UM ENIGMA - Estas declarações têm sido um enigma para os leitores da Bíblia, porque o Antigo Testamento já revelara que Deus tinha um propósito para os gentios. Prometera que todas as famílias da terra seriam abençoadas através da posteridade de Abraão; que o Messias receberia as nações como sua herança; que Israel seria dado como uma luz para as nações; e que um dia as nações fariam uma peregrinação a Jerusalém e até mesmo “fluiriam para ela” como um rio poderoso. Jesus também falou da inclusão dos gentios, e comissionou seus seguidores a torná-los seus discípulos. Mas o que nem o Antigo Testamento nem Jesus revelaram foi a natureza radical do plano de Deus, ou seja, que a teocracia (a nação judaica sob o governo de Deus) terminaria e seria substituída por uma nova comunidade inter-racial, a igreja, e que esta igreja seria o corpo de Cristo, organicamente unido a ele. O mistério revelado e confiado a Paulo era a igreja. No Antigo Testamento lemos que Deus iria salvar as nações, não sabíamos era como, ou através do quê. O que não se sabia é que judeu e gentio formariam uma nova sociedade: a igreja. Quem será salvo é a igreja. Quem estiver na igreja será salvo. Judeus e gentios seriam incorporados em Cristo e na sua igreja em igualdade, sem qualquer distinção. Esta união completa entre judeus, gentios e Cristo era radicalmente nova, e Deus a revelou a Paulo, vencendo o arraigado preconceito judeu.

A CONVERSÃO PELO ESPÍRITO SANTO

É necessário dizer claramente de que forma o judeu e o gentio serão unidos em Cristo, através do Espírito Santo. 1 - O ministério de Deus no Antigo Testamento era gerar um povo com uma santidade mínima para que o Filho nascesse. Para isso Deus criou uma religião, um Sistema Sacrificial. A meta original de Israel era gerar um Filho. 2 – O Filho nascido: Jesus, veio mostrar como deve ser um homem cheio do Espírito. 3 – O Espírito Santo vindo ao mundo, agora opera uma conversão interna na pessoa. A religião do Antigo Testamento que era externa, do lado de fora da pessoa, para outros verem, agora foi substituída por uma religião interna, de dentro, onde Deus sabe é quem converte.

A união entre judeu e gentio, o mistério revelado, se faz pela operação do Espírito Santo, por isso ao lermos o Apocalipse, fica incompatível imaginarmos um Israel salvo no futuro, vivendo numa religião sacrificial. A igreja é imensamente superior ao judaísmo. Por isso também que é um grande equívoco, a igreja observar festas judaicas, ou elaborar Bíblias judaicas, interpretações judaicas, se vestir historicamente como Israel, ou buscar no judaísmo razões da nossa fé. Nem é necessário dizer que a Igreja é pautada pelo Novo Testamento e Israel era pautada pelo Antigo Testamento. Quando a Igreja atual tenta pregar o Velho Testamento, só nos mostra o quanto essa Igreja não conhece nada do Novo Testamento e nem do que a Bíblia está falando. A base de salvação não é o Sistema Sacrificial executado no Antigo Testamento, mas a conversão operada na Igreja pelo Espírito Santo.

A PREGAÇÃO DO EVANGELHO - Agora vai ficando mais fácil compreender o mistério revelado, onde o gentio é coerdeiro e coparticipante da promessa, como era Israel. Só que somos abençoados em Cristo Jesus, através da pregação do Evangelho, que consiste em ensinar a Cruz e a Ressurreição, ou a morte da nossa Velha Natureza e o nascimento da Nova Natureza, formada em nós através do Espírito, até que Cristo seja formado em nós.

Na pregação do evangelho é necessário expor a dupla: Cruz e Ressurreição. Um não fica de pé teologicamente sem o outro, perdendo todo o sentido. Na simbologia da Cruz, o homem pecador é levado para morrer em Cristo, na morte substitutiva dele por nós. Mas se o ensino acaba na Cruz, então acaba todo mundo morrendo e... fim. O homem, a mulher, que passa pela Cruz, precisa agora ressuscitar para uma nova vida em Cristo. O Velho Adão morreu na Cruz, mas é necessário nascer um Novo Adão, parecido com Cristo. Assim como não dá para ressuscitar sem morrer, não dá, teologicamente, no Cristianismo, para morrer sem ressuscitar.

A COMISSÃO DE PAULO

Foi dado a Paulo o privilégio triplo de: pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas em Cristo (8), manifestar a todos a dispensação do mistério (9) e tornar conhecida dos principados e das potestades nas regiões celestiais. John Stott chama a atenção na diferença entre os versos 8 e 9 que parecem estar agregados nos termos “insondáveis riquezas em Cristo” e “dispensação do mistério”. O primeiro termo insondáveis riquezas é mais abrangente e engloba judeus e gentios, aqui a mensagem era Cristo. No segundo termo dispensação do mistério, o termo fala sobre os gentios, portanto aqui a mensagem era a Igreja.

PREGANDO AOS ANJOS

10 “Agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida dos principados e das potestades nas regiões celestiais.” Mas Paulo, além de dizer que o evangelho é pregado aos judeus e aos gentios formando agora a nova sociedade de Deus, a igreja, Paulo diz que o evangelho é pregado aos anjos, principados e potestades. Os seres celestiais estão observando a nova sociedade de Deus, o poder de Deus para regenerar pessoas irreconciliáveis e transformar os chamados loucura dessa Terra, em os melhores dessa Terra. Então a história da salvação dos homens fica sendo a demonstração de Deus aos anjos, principados e potestades.

Os anjos não são oniscientes e não compreendiam o plano de salvação, nem no Antigo Testamento e nem no Novo. Eles aprendem enquanto o plano de salvação acontece. Deus não tinha revelado a eles o plano mestre para a igreja, mas que viessem a descobri-lo através da igreja. Através da velha criação (o universo) que Deus revela a sua glória aos seres humanos; é através da nova criação (a igreja) que revela a sua sabedoria aos anjos. Parece legítimo dizer que, embora nós não possamos vê-los, eles podem nos ver. Olham fascinados ao verem gentios e judeus sendo incorporados na nova sociedade como iguais. Olham pessoas absurdamente pecadoras irem se convertendo em santas diante dos seus olhos. Da mesma forma olham fascinados, pessoas que foram uma vez iluminadas voltarem às trevas. Esses aprendem da composição da igreja não apenas sobre a multiforme sabedoria de Deus (10) mas o eterno propósito que Deus estabeleceu em Cristo.

Tenho 30 anos de ministério, em dezembro de 2022 faço 31. Umas pouquíssimas vezes eu entendi que iria pregar a anjos bons e maus. Numa das vezes mais fortes, eu compreendi que a minha mensagem era toda estruturada para que os anjos a ouvissem. Aquela foi uma das maiores pregações que fiz na vida e compreendi que era grande. Mas passados alguns dias a igreja onde estava disse que eu estava caindo na minha pregação, pois estava pregando coisas que ninguém compreendia e até disseram que o ideal era eu voltar a pregar mensagens mais populares – na verdade as minhas mensagens nunca foram assim tão populares.

MOVENDO-SE EM DEUS

Eu quero que você compreenda que fomos chamados a pregar aos homens: 1 - A mensagem de Cristo e 2 - A mensagem da Igreja. (1) Expor o ministério de Cristo: A Cruz, a Ressurreição, o Reino de Deus, os ensinos, as parábolas, as curas. (2) E a mensagem da Igreja, o chamado de salvação a todos os homens, as doutrinas, os ensinos, o batismo e a Ceia, os dons e ministérios, o papel da igreja na escatologia, a teologia.

A mensagem que os anjos, principados e potestades estão ouvindo é sobre o plano de salvação, que fala sobre Cristo e sobre a Igreja. Mas apesar de algumas vezes alguns homens compreenderem que estão pregando aos homens e também aos anjos bons e maus, que estão ouvindo os próximos passos do mover de Deus, revelado na palavra dos pregadores da Igreja, a nossa mensagem não é diretamente a eles, mas à Igreja. É bom dizer isso pois senão daqui a pouco vai se levantar “A Igreja do Ministério Eterno Aos Anjos”, ou uma bobeira dessas qualquer e isso nunca foi o intuito de ninguém.

Deus revela seus passos através dos seus profetas, como lemos muitas vezes na Bíblia. Esses passos tem a ver com o mover de Deus através do seu povo. Devemos tomar cuidado com o que falamos e até com a palavra da Bíblia, pois pessoas pouco, ou nada, convertidas tem a tendência de compreenderem tudo errado. O papel da pregação da Igreja que os anjos, as potestades e os poderes estão prestando atenção são informativas e não diretivas. A nossa palavra não direciona os anjos, mas informa sobre o plano de salvação dos homens, que acaba ligando toda a criação nesse plano. O Universo espera a manifestação escatológica, final do cristão, onde todas as coisas serão unidas e finalizadas em Cristo. Cria-se uma expectativa sobre como vai ser o futuro eterno, agora com a Igreja. Novos Céus e Novas Terras acabam englobando os anjos também.

DEVEMOS PREGAR O QUE DEUS MANDAR

Como Paulo disse aqui mesmo, no verso 2, a pregação doe evangelho é a nós confiada. Talvez alguém lendo esses versículos tenha a vontade de ser usado um dia para pregar aos anjos e poderes espirituais, mas isso só acontecerá se o cristão for fiel no que lhe é revelado aos poucos. Não é de uma hora para outra que ele terá uma tal revelação. Na maioria do tempo a Igreja não prega nada em relação ao mover de Deus. Quando ficamos patinando no gelo, dando voltas em palavras que não levam a Igreja para frente, ou pregando palavras repetidas, é óbvio que aquela palavra já fez o que tinha que fazer e nada de novo espere dai.

Um pastor falecido que conheci pregou três vezes a mesma mensagem sobre Daniel. Não eram versículos parecidos com um tema diferente, era a mesma mensagem, o mesmo esboço. Na primeira vez que ele pregou essa mensagem, foi liberado no Reino Espiritual alguma coisa. Na segunda e terceira vez que pregou a mesma coisa, o mesmo esboço, só fez todo mundo perder tempo, tanto o Reino Espiritual, quanto a Igreja perderam tempo precioso que poderia outro trazer alguma coisa relevante sobre o mover de Deus. Só vai pregar o mover de Deus revelado em sua palavra aquele que estiver ouvindo corretamente o que deve pregar a cada culto. Por exemplo, um pastor expôs que queria que a palavra da sua igreja fosse sempre sobre o Novo Testamento e me chamou para pregar. Deus me deu uma palavra sobre fofoca. Eu preguei, mas o pastor brigou comigo e nunca mais me chamou. Eu fui obediente e Deus me confiou outras palavras para outras igrejas. Deus vai revelando a sua palavra a nós conforme formos sendo fiéis em pregar o que ele quer que preguemos. Se você não prega uma palavra comum e até meio boba, como fofoca, revelada por Deus, você acha que Deus vai te revelar uma palavra no mover de Deus direcionada aos anjos? Não vai não.

A melhor maneira de ter grandes palavras reveladas por Deus é ser fiel naquilo que Deus já mandou a gente pregar. Deus mandou pregar uma série de mensagens em Efésios? Faça isso e ele vai te confiar algo maior. Deus mandou pregar Teologia Sistemática na Igreja? Faça isso então. Deus direcionou a pregar Salmos, ou os Livros Proféticos? Aquilo que Deus mandou o pregador pregar é o que a Igreja precisa. Pregador faça o que Deus manda e ele te confiará mais. Comece a desobedecer e até o pouco que pregava vai embora.

John Stott faz um resumo e nos mostra três coisas: 1 – A igreja é central na história. 2 A igreja é central para o Evangelho. 3 – A igreja é central na vida cristã.

TERCEIRO BLOCO 14-21

A ORAÇÃO DE PAULO

Uma das melhores maneiras de descobrir as principais ansiedades e ambições do crente é analisar o conteúdo de suas orações e a intensidade com que as faz. Todos nós oramos acerca do que nos preocupa e, evidentemente, não nos importamos com assuntos que não incluímos em nossas orações. A oração expressa um desejo.

14 – “Por esta razão.” Que razão? O que leva o apóstolo a orar? Decerto é tanto a obra reconciliadora de Cristo quanto a sua própria compreensão dela mediante revelação especial. A base da oração de Paulo era o seu conhecimento do propósito de Deus. Ele tinha a motivação necessária para orar em função do que Deus fizera em Cristo e lhe revelara. O prelúdio indispensável a toda petição é a revelação da vontade de Deus. Não temos autoridade alguma para orarmos por qualquer coisa que Deus não revelou ser sua vontade. É por isso que a leitura da Bíblia e a oração devem caminhar sempre juntas. É nas Escrituras que Deus revelou a sua vontade, e é na oração que pedimos que ele a realize.

16 “Peço a Deus... conceda a vocês que sejam fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito, no íntimo de cada um (ou no homem interior, segundo algumas versões). E assim habite Cristo em seus corações.” Paulo orava para que os efésios fossem fortalecidos nos sues espíritos humanos, através do contato com o Espírito Santo neles, assim como fortalecidos na sua mente, na sua razão, no seu coração, na sua alma, que são tudo a mesma coisa.

17 “Enraizados e alicerçados em amor.” A obra de Deus é um desafio muito difícil. Pregamos aos homens para que esses se convertam, sendo que seus interiores não querem se converter. A carne é preguiçosa, inconvertida e vive em constante rebelião contra Deus. Não conseguiremos fazer a obra de Deus se não tivermos amor pelas almas. Não conseguiremos ajudar as pessoas se não as amarmos. Paulo passa do nosso amor (17), para o amor de Cristo, que excede todo entendimento (19). Só conseguiremos ter amor pelas pessoas cheios do Espírito Santo, sem Ele não conseguiremos.

18 “A largura, o comprimento, a altura e a profundidade.” Alguns comentaristas dizem para não sermos literais em nossa exposição desse versículo. Devemos pensar em largura, comprimento, altura e profundidade como a compreensão que temos do evangelho.

19 “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos.” Podemos e devemos ter plena confiança em Deus. Se estivermos Nele, Deus quer abençoar seus filhos lhes dando mais do que pedem ou pensam. Se houver pecado, peça perdão, passe pelo processo que tiver que passar e saiba que após o processo, virá a benção. Nós cristãos vamos passar por situações, por desertos, mas devemos compreender que após o deserto vem a Terra Prometida.

20 “A ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus.” Quando vamos lendo e compreendendo a palavra de Deus, vamos entendendo que é impossível o cristão no fim das contas não ser abençoado. O caminho da benção e da prosperidade é Deus. Andando com Deus vamos obtendo vitórias. Quando a Bíblia fala que Deus abençoa os que nos abençoam e amaldiçoa os que nos amaldiçoam, significa que alguns fatos vão acontecer conosco, bons ou maus, e Deus vem nos ajudar nessa caminhada que é a vida, se pedirmos a ajuda Dele. Orar é pedir ajuda e confiar que Deus pode e quer nos ajudar. No devido tempo a benção chegará a nós e ainda o louvaremos.

Amém.

Fique na paz.

pslarios
Enviado por pslarios em 17/04/2022
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