TRABALHE SEUS RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS. Parte I

 

Na psicanálise aprendemos como podemos nos ajudar a fim de melhorarmos as nossas relações. Na psicanálise descobrimos um fenômeno muito curioso, que o Freud, pai da psicanálise, chamou de transferência. A transferência é um processo inconsciente que acontece com todos nós, que consiste na reprodução de padrões infantis de relacionamento quando nós, ainda, éramos crianças. Em nossa infância nos relacionamos, sobretudo, e primeiramente, com as pessoas de nossa família, o núcleo familiar. Nós ainda estamos muito vulneráveis ao impacto dessas primeiras relações onde nós estabelecemos, sem perceber, e de maneira inconsciente, padrões de relacionamento com determinadas figuras importantes da nossa infância. Por exemplo: você pode estabelecer um padrão de relacionamento com a sua mãe, marcado pelo medo, por sua mãe poder ter sido uma pessoa excessivamente dominadora, controladora e muito agressiva. Você, frequentemente, amedrontado(a) na relação com essa mãe, e, ao mesmo tempo, percebendo a sua mãe como uma figura assim, muito ameaçadora e, como resultado, você poda ter trazido para a vida adulta esse padrão de relacionamento constituído na relação com a sua mãe. Além de trazer consigo, possivelmente, ainda tenha levado isso para a vida adulta, e reproduz esse mesmo padrão de relacionamento com outras pessoas que não, necessariamente, serão parecidas, com a sua mãe; então, você pode estar num relacionamento, desgastar-se com ele, como se ele fosse tão ameaçador, quanto era a sua mãe. Esse é o fenômeno da transferência. Você enxerga o seu namorado(a) como uma pessoa ameaçador(a), perigoso(a), e nada daquilo é real; ou, seja, o seu namorado não é de fato um cara ameaçador perigoso que você imagina, logo, você não deveria na realidade se sentir ameaçada por ele, pois todos esses sentimentos, são resultantes de um processo transferência. Nesse sentido, sabendo disso, ciente de que isso pode acontecer, você poderá ficar mais atento aos seus relacionamentos e estar sempre se perguntando: será que tem uma transferência acontecendo aqui? Será que de fato essa pessoa é da maneira como eu estou enxergando que ela é?  Será que as reações emocionais que eu tenho em relação a essa pessoa estão justificados. Elas estão apoiadas na realidade ou elas são resultantes de uma transferência que eu estou fazendo, sem saber? E, por outro lado, você pode também se perguntar, em relação aquilo que vem do outro para você. Sendo assim, as transferências que o outro faz para você. Exemplo: O seu namorado, ainda que seja excessivamente ciumento com você, você pode se perguntar: mas, espera aí, eu não dou motivo para que esse sujeito seja tão ciumento comigo. Eu não tenho comportamentos que levem esse sujeito a ter base suficiente para imaginar que eu possa traí-lo. Por que isso tá acontecendo? Aqui, pode ser, também, que o seu namorado esteja transferindo para você um padrão de relacionamento marcado pelo ciúme, que foi constituído lá na infância. Lá, esse seu namorado se sentiu extremamente enciumado, em relação a uma irmã; em relação a própria mãe, e trouxe esse padrão de relacionamento, para relação com você. Quando nós entendemos isso, quando nós entendemos que a gente, pode estar fazendo transferência de outro, as nossas relações ficam mais leves, porque passamos a entender que no final das contas, qaquela reação, aquele sentimento, daqueles pensamentos ou fantasias, que o outro tem em relação a nós, nada tem a ver exatamente com a gente; ou, seja, não precisamos nos preocupar em provar o tempo todo para o namorado(a), que não há alguém de quem ele precise desconfiar, porque ele não tem nada a ver conosco! Considerar essa possibilidade, pode acabar em que boas conversas, sobre a história de vida de cada um, e ajuda também a sermos mais tolerantes com o outro, sabendo que o outro, pode estar tendo aquelas reações emocionais, em função de uma transferência. Paramos de nos defender do outro.