Nosso rico e vasto vernáculo!

Há coisas que ainda me surpreendem, apesar de minha já ‘larga bagagem de vida’, no palavrear do povo desta nossa pátria!

Tanto nos diálogos travados pelos migrantes que transitam por toda a parte deste nosso pais (e dos quais também faço parte...) quanto nos diálogos travados pelos da nova geração!

Sem colocar-me entre os gramáticos, dominadores de nossa língua, até que consigo enquadrar-me dentre os medianos na utilização dos vernáculos atinentes ao uso rotineiro e ‘entendível’ do nosso modo de comunicação!

Usuário contumaz dos transportes coletivos, sou amiúde, surpreendido por frases oriundas de diálogos ou citações que me remetem a pesquisas para elucidação de dúvidas que persistem na utilização de certas palavras relativamente aos seus significados.

Acredito até que isso não seja uma primazia minha, haja vista que certos ditos originam-se de grupos e/ou regiões dos estados pertencentes à nossa federação e que são ‘assumidos’ advindos dos usos e costumes, como forma de comunicação.

Em sendo assim, resolvi comentar algumas destas palavras/expressões que ouvi (e ouço...) em meu dia a dia e que, à guisa de curiosidade e de ‘cultura’ resolvi buscar o significado e compartilhar com meus Amigos RL.

Tenho plena convicção de que muitos já conhecem citações que farei, porém, sempre valerá a pena para a parcela que as desconhecem...

Para começar, certo dia, caminhando por uma rua da localidade onde moro ouvi um rapaz falando ao celular, que proclamava a alto e bom som: “Olha isso! Agora eu não vou mais... Eu sou assim mesmo... Agora não estou mais motivado em viajar com eles... Tenho repentes e quando me dá na veneta, tenho que fazer aquilo que almejo, senão perco a motivação...”

Fiquei sobre o perfeito significado de ‘...quando me dá na veneta...”. O quê, efetivamente, quis dizer o rapaz com esta citação. Obviamente, no contexto de formulação da frase até que dá para deduzir o que seria a citação... Porém, minha curiosidade extrapolou e eu quis saber o que efetivamente significava e não somente o sentido empregado neste contexto!

De outra feita, ouvi, ‘en passant’, o diálogo de duas garotas. Uma, com voz um tanto quanto alterada dizia para a outra: “Aí eu não agüentei, rodei a baiana mesmo!”. Meditei bastante e, no contexto até que concluí o que a exaltada mocinha quis transmitir para a colega, porém, meu ‘sentido investigativo’ me levou a pesquisar o que ‘exatamente’ queria dizer a expressão ‘...rodei a baiana...’.

Minha cunhada, via de regra utiliza a frases, como a que se segue: “Naquela casa estava uma verdadeira muvuca!”. E aí, minha ‘mórbida curiosidade’ me levou a pesquisar, apesar de fazer uma idéia, no contexto da citação de minha cunhada qual o sentido da palavra ‘muvuca’, para buscar o real significado da palavra empregada.

Um garoto, narrando para um amigo uma sua aventura amorosa, disse: “Aí, meu! Não teve outro jeito, tive de me escafeder!”. Fui à loucura em minha curiosidade, em busca do significado de ‘escafeder’. Somente para reforçar, no contexto da frase e da situação, tive o discernimento de ‘entender’ o significado utilizado para a palavra, no entanto, não me furtei em procurar o seu real significado.

E, finalmente, por várias e várias ocasiões, tive a ‘primazia’ de ouvir diálogos do tipo: “Caraca, maluco! A festa estava da hora!”. Pirei de vez, e avidamente fui à cata do significado de uma e somente uma palavra utilizado no ‘elucidativo’ diálogo, optando por pesquisar acerca da palavra ‘caraca’.

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VENETA(ve-ne-ta)

Acesso repentino de loucura

Dar na veneta = vir à lembrança

Exemplo de utilização:

Deu-me na veneta sair cedo.

Expressão "RODAR A BAIANA"

Rodar a baiana é armar um barraco, fazer uma confusão - pare cinco minutos em algum evento popular e você verá alguém rodando a baiana. Mas de onde saiu isso?

O Carnaval já era uma farra no início do século, e como toda bagunça que se preze, tinha confusão. A mais repetida explicação para a expressão "rodar a baiana" vem justamente daí: em meio aos desfiles da época no Rio de Janeiro, que não tinham televisão e nem Joãosinho Trinta, alguns gaiatos já tinham a mania de passar a mão no bumbum da mulherada.

Isso também acontecia com as baianas - era um beliscão, um grito e um giro. Até que elas começaram a desfilar com guarda-costas disfarçados, capoeiristas vestidos como elas que revidavam com navalhas, e aí você tem a autêntica rodada de baiana: belisco, giro, confusão.

Seria uma excelente explicação, pena é que não há como saber ao certo se ela procede. Não apenas nesse caso, mas na maioria das expressões do nosso idioma. O professor e doutor em Letras Cláudio Moreno explica que rastrear a origem dessas explicações é tarefa quase impossível, por dois motivos. O primeiro é a dificuldade em se pesquisar na imprensa do século XIX e início do século XX, uma vez que não há uma base de dados unificada de jornais, como a mantida pela Inglaterra. "É nos jornais que se registra a língua viva. Mesmo assim, se registra o uso, não a criação", explica.

Além disso, na maioria das vezes a explicação é inventada, diz Moreno. "Como nos livros de matemática em que temos a resposta no fim do livro, e fazemos uma conta só para chegar naquele número, é tudo chute. Eu também sempre achei que a expressão vem do vestido das baianas, mas como saber ao certo?"

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• MUVUCA

Grupo de pessoas fazendo bagunça, desorganizado.

Exemplo de utilização:

Ei gente, vamos parar com essa muvuca que meus pais estão chegando!

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• MUVUCA

Palavra de origem indígena, é a mistura de vários grãos e sementes com terra, para reflorestar uma área devastada.

Exemplo de utilização:

Os índios da tribo vizinha, fizeram uma muvuca e a lançaram na margem do rio.

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• MUVUCA

Uma vez meu Pai, que estudava na Escola de Sargento da Aeronáutica,no inicio dos anos 60, me contou que era usada a palavra MUVUCA para MUlher VUlgar do Corpo de Alunos, sendo assim a Maria Corpo de Alunos, resta agora saber quando a chamada primeira definição foi criada.

Exemplo de utilização:

Pessoal, proibido trazer essa muvuca para o interior da base.

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ESCAFEDER

Ir embora, sumir, desaparecer, abandonar, fugir sem deixar vestígios.

"Ela nos conta que no dia que seria o dia do dia mais feliz de sua vida, Arlindo Orlando, seu noivo, um caminhoneiro conhecido da pequena e pacata cidade de Miracema do Norte fugiu, desapareceu, escafedeu-se."

(trecho da letra de "A Dois PAssos do Paraíso", Blitz)

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• CARACA

Expressão de espanto, surpresa.

Exemplo de utilização:

Caraca! Não sabia que você tinha sofrido um acidente!

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• CARACA

Expressão atual criada para que fosse possível dizer em público interjeições antes impossíveis, como: "caralho, quase bateu!" ou "puta que o pariu, que vacilo!". Esta palavra veio substituir a palavra "caramba" por seu valor piegas e antiquado. Do mesmo modo foi criada a palavra poxa.

Exemplos de utilização:

caraca, quase bateu!

caraca, que vacilo!

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• CARACA

Navio à vela portugues ,usado no comércio,de até 200 toneladas de deslocamento, do sec. XIV e XV. Foi o primeiro grande navio projetado para viagem em alto mar.

Exemplo de utilização:

O ¨Santa Maria¨ usado por Colombo era ,na verdade,uma caraca.

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HICS
Enviado por HICS em 13/10/2010
Código do texto: T2554589
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