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DE VOLTA À EFERVESCÊNCIA PATRIÓTICA

Sem imposição, mas com determinação, FENTEC dá continuidade à campanha iniciada pelo SINTEC-SP, agrupando as entidades na exaltação aos valores cívicos

De autoria do deputado federal Lincoln Portela (PR-MG), a Lei nº 12.031, sancionada em 21 de setembro de 2009 pelo presidente em exercício José Alencar, determina que todas as escolas de ensino fundamental executem o Hino Nacional ao menos uma vez por semana. E mais: a CCJ – Câmara de Constituição e Justiça da ALMG – Assembleia Legislativa de Minas Gerais deu parecer favorável ao Projeto de Lei nº 3.112/2012 do deputado Duílio de Castro (PMN-MG) que, se aprovado, tornará obrigatória a impressão da letra do hino no verso dos cadernos fabricados no estado. Tudo isso parece simples diante das pretensões de resgatar um pouco do sentimento patriótico perdido no tempo e no espaço, principalmente se comparado às mobilizações engendradas num passado não muito distante. No entanto, alguns estudiosos defendem que as ações cívicas podem contribuir significativamente para a elevação da autoestima do povo brasileiro, desde que abordadas sem exageros e que não sejam impostas à força, a exemplo do que acontecia no período militar. “Por todos os meios possíveis temos a missão de divulgar que a imagem do Brasil está em primeiro lugar, e o civismo tornou-se prioridade”, afirma em seu blog o jornalista esportivo Henrique Nicolini, funcionário mais antigo da Fundação Cásper Líbero, de São Paulo.

Sem imposição, mas com determinação que a FENTEC – Federação Nacional dos Técnicos Industriais abraça a campanha iniciada no mês de março de 2013 pelo SINTEC-SP – Sindicato dos Técnicos Industriais de Nível Médio do Estado de São Paulo, munida do propósito de mobilizar os técnicos brasileiros – e, quem sabe, outras categorias profissionais –, agrupando todas as entidades sindicais filiadas em torno do mesmo objetivo: reviver e exaltar um pouco daquele sentimento nacionalista, ainda marcante na memória dos que tiveram a oportunidade de viver em épocas tão efervescentes, mas praticamente desconhecido pelas novas gerações. Afinal, contribuir para que aflore em cada coração o orgulho de ser brasileiro é quase uma obrigação moral, muito além de uma simples questão de escolha.


O povo nas ruas – “A grandeza das manifestações comprova a energia da democracia e o civismo da nossa população”, discursou a presidente Dilma Rousseff diante das manifestações iniciadas em junho de 2013, saídas das redes sociais para as ruas de norte a sul do País e movidas, primeiramente, contra o aumento dos preços das passagens de ônibus, trens e metrô; depois pela corrupção e dinheiro público que está sendo gasto para a organização da Copa do Mundo de 2014. Enfim, por um Brasil melhor em todos os aspectos: transporte, saúde, educação. No entanto, apesar do constante clima de tensão e de alguns atos lamentáveis de vandalismo – repudiados, naturalmente, pela população e pelos próprios líderes do MPL – Movimento Passe Livre –, a presidente afirmou que é bom ver jovens e adultos agitando bandeiras, cantando o Hino Nacional e dizendo com orgulho: “Sou brasileiro!”. “Todos nós estamos diante de novos desafios. As vozes das ruas querem cidadania, saúde, educação, transporte e mais oportunidades. E eu garanto que vamos conseguir mais para o nosso povo”, complementa. Por se dizerem apartidários, os ativistas e manifestantes hostilizavam a participação de agremiações políticas que tentavam pegar carona nas passeatas, e enfatizavam que as únicas cores permitidas eram a verde e amarela – a da Bandeira Nacional. Tudo pelo direito à liberdade de expressão, exercício da cidadania e pelo poder que emana do povo e para o povo. Ou seja, democracia, palavra que não rima com civismo, mas caminha muito mais próxima do que muitos possam imaginar.


Brasil, em versos e prosas – Natural de Ubá (MG) e filho de deputado e promotor, Ary Barroso tinha tudo para se tornar um político bem-sucedido – aliás, em 1946 ele foi eleito vereador pelo Rio de Janeiro, com a segunda maior votação –, mas seu nome já estava enraizado com a música e à cultura. Foi ele que, numa noite chuvosa de 1939, compôs Aquarela do Brasil, uma das canções mais importantes e que melhor representa – excetuando os hinos oficiais, naturalmente – o ufanismo patriótico cantado em versos e prosas. “Senti iluminar-me uma ideia: a de libertar o samba das tragédias da vida, do sensualismo das paixões incompreendidas, do cenário sensual tão explorado. Fui sentindo toda a grandeza, o valor, a opulência da nossa terra, gigante pela própria natureza”, afirmou o próprio autor numa de suas entrevistas, ciente de que a poesia informal – às vezes, até profana – de sua composição foi responsável por inaugurar uma nova tendência musical, que passou a ser conhecida como samba-exaltação. Mas Aquarela do Brasil vai além; mostrou e ainda mostra ao mundo um pouco da beleza e da cultura popular brasileira. Até Walt Disney se rendeu a seus encantos, alegrando gerações e mais gerações com o desenho Alô Amigos (EUA, 1942), estrelado pelo personagem Zé Carioca e tendo como cenário o Rio de Janeiro e a Bahia. E mesmo depois de tanto tempo desde seu lançamento, milhões de brasileiros ainda se emocionam ao cantarolar versos como: “Brasil! Terra boa e gostosa”, “É o meu Brasil brasileiro” e “Terra de Nosso Senhor”. Que assim seja!

Ironicamente, Ary Barroso faleceu em 1964, poucos meses antes que os militares tomassem o poder, dando início ao longo período de ditadura.
Na voz de Gal Costa, Aquarela do Brasil é uma das composições que fazem parte do CD Patriotismo Já, compilado pela FENTEC como material institucional que visa, de maneira alegre e democrática, disseminar o movimento de exaltação e amor à Pátria por meio desse instrumento poderosíssimo que é a música.


Introdução do Hino Nacional Brasileiro

Embora poucos saibam a parte instrumental introdutória do Hino Nacional Brasileiro tinha uma letra, excluída da versão oficial. Não há consenso sobre o autor, mas há indícios de que tenha sido o pindamonhangabense Américo de Moura, presidente da província do Rio de Janeiro entre 1879 e 1880. Acompanhe:

Espera o Brasil
Que todos cumprais
Com o vosso dever.
Eia avante, brasileiros,
Sempre avante!
Gravai com buril
Nos pátrios anais
Do vosso poder.
Eia avante, brasileiros,
Sempre avante!
Servi o Brasil
Sem esmorecer,
Com ânimo audaz
Cumpri o dever,
Na guerra e na paz
À sombra da lei,
À brisa gentil
O lábaro erguei
Do belo Brasil
Eia sus, oh sus!

Fonte: Revista da FENTEC - Edição 37
http://www.fentec.org.br/revista/REVISTA%20DA%20FENTEC%2037.pdf

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JDM
José Donizetti Morbidelli
Enviado por José Donizetti Morbidelli em 19/07/2013
Reeditado em 08/01/2014
Código do texto: T4394826
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
José Donizetti Morbidelli
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