O triste hábito de dizer palavrões

O TRISTE HÁBITO DE DIZER PALAVRÕES

Miguel Carqueija

Uma grave sinal da degenerescência social dos nossos dias é o costume universalizado, por assim dizer, de pronunciar palavrões. Antigamente, se uma criança falava um “nome feio”, mesmo que somente repetindo o que ouvira de um adulto, e sem nem saber do que se tratava, levava até tapa na boca, da mãe ou do pai. Não pretendo, é claro, que se recorra a isso hoje em dia. Mas é triste verificar que os costumes mudaram tanto, para pior, que o palavreado está em toda parte, e que crianças são mais desbocadas que muita gente adulta. Antigamente também evitava-se dizer nome feio diante de mulheres. Hoje há muita mulher desbocada...

Talvez isso pareça um assunto de somenos importância. No entanto, a generalização do baixo calão tem muito a ver com o grau de agressividade que as pessoas agora apresentam. Sem dúvida pode-se falar palavrões inocentemente, até casualmente, ou por desabafo. Eu mesmo disse alguns em minha vida, embora isso não faça parte dos meus hábitos. Todavia, quando o palavrão passa a ser um sinistro estribilho da conversação habitual, ao vivo ou por telefone, há qualquer coisa errada. Como naquelas pessoas que enfatizam o que dizem, sublinhando que é “pra...” aquela palavra que rima com baralho. A gente passa na rua e escuta isso a toda hora, inclusive de pessoas que circulam brigando no celular. Pessoas agressivas, truculentas, raivosas, usam palavrões da manhã à noite e em todas as suas conversas.

É também o recurso habitual dos debochados e libertinos.

Julgo que deveríamos realizar algum esforço em prol do enobrecimento da linguagem, como parte que é da nobreza humana. Não percamos de vista que o desbocado é o mesmo que gosta de contar anedotas fesceninas e sem a mínima graça — a não ser para gostos vulgares — grossas, obscenas e por vezes mexendo até com padres e freiras. Ou seja, a linguagem chula é sintoma de um desequilíbrio moral que pode ser muito grave.

É melhor não dizer palavrões.