Alternativas

Vamos escolher? Ser vítimas de arrastões pela cidade? Dos impostos escorchantes do Governo? Da avidez arrecadatória com as Leis Secas e multas em vias e rodovias? Do deboche da propaganda dizendo que em tudo o Japão perde pra gente, com exceção da rapidez com que chegamos em casa após um dia de trabalho no Rio de Janeiro?

Com relação aos arrastões, autoridades nos dizem que seria um banho de sangue se à população fosse permitido o uso de armas. Como se para haver banho de sangue precisássemos de arrastões. E o que houve em Vigário Geral há alguns anos? E o que houve há poucos dias em Carapicuíba, São Paulo, mas que pode acontecer no Rio a qualquer momento? O fato é que os bandidos podem andar armados. A população é que não. Merece apenas estar à mercê deles.

Quanto aos impostos, se eles fossem investidos em serviços públicos, o nosso nível de vida seria um dos mais elevados do mundo. Compatível com os altos impostos que somos obrigados a pagar. Em contrapartida, deparamo-nos com políticos e autoridades se locupletando em meio a ilícitos que a cada dia são revelados. Ou renovados. E que implicam no uso do dinheiro do povo. Que depois é responsabilizado pelos rombos.

Foi preciso que o Brasil chegasse ao atual ponto de estagflação para que o Governo pensasse em reduzir ministérios, como uma das medidas para a solução da crise. Até há pouco tempo ministérios chegaram a ser criados para que políticos não eleitos não ficassem sem cargo.

A redução da inflação é um dos resultados esperados com as medidas destinadas à recuperação da saúde financeira do país. No entanto, não é possível que o Governo não reconheça que a reedição da CPMF constitui-se num mecanismo retroalimentador do processo inflacionário. Se em cada operação financeira realizada caberá a percentagem de 0,20 ou 0,38 ao Governo, esse custo será repassado ao consumidor pelos empresários, negociantes ou comerciantes quando da comercialização de seus produtos.

Outra questão discutível é a preservação de vidas com a instituição da Lei Seca e da aferição da velocidade nos logradouros através de equipamentos eletrônicos. Porque, na verdade, esses dispositivos se prestam muito mais a objetivos arrecadatórios. Tanto isto procede que quando o motorista não ingeriu álcool algum, ele tem seu carro apreendido se a documentação não estiver em ordem.

E os chamados pardais eletrônicos? São a maneira mais cômoda de se tirar dinheiro do contribuinte. Sob a alegação de que sua vida está sendo preservada. Quando pouco interessa se a pessoa sobreviveu ou não ao acidente, contanto que a notificação pela infração chegue com toda presteza à sua casa.

Quais as alternativas que temos, portanto? A única que nos parece viável, por mais irônico que possa parecer, é a de continuarmos sendo brasileiros. Ainda que a duras penas.

Rio, 21/09/2015

Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 24/12/2015
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