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As palmadas

AS PALMADAS
Miguel Carqueija

De uns tempos para cá, entre outras asneiras da Idade das Trevas, percebemos uma corrente que quer criminalizar pelo mundo as palmadas e outros castigos físicos que pais e mães possam aplicar aos filhos.
Vivemos em tempos deseducadores, onde filhos desrespeitam os pais ou exigem que todas as vontades lhes sejam atendidas (como aquela Veruka de “A fantástica fabrica de chocolates”), onde alunos agridem os professores e não querem saber de estudar (muito menos esses jovens querem rezar, até porque os pais nem lhes ensinam religião). Por outro lado, continuam acontecendo violências intoleráveis contra crianças no próprio lar, com espancamentos, abusos sexuais e até assassinatos.
É o mundo do oito ou oitenta. Os “notáveis” da civilização esquerdista não querem que se apliquem palmadas ou chineladas de efeito meramente disciplinador, mas não impedem violências inimagináveis. Até porque as leis são por demais frouxas, e sua aplicação pior ainda.
Em geral pais não devem bater em seus filhos. Há casos porém em que se justifica algum castigo físico, por exemplo se um menino de dez anos dá socos e chutes no irmãozinho ou na irmãzinha de cinco, ou se agride o bebê, ou se joga pedras em passarinhos, tortura animais, desrespeita adultos, destrói objetos de valor propositalmente. Pais e mães e outros responsáveis podem sim castigar as crianças seja colocando-as de castigo, privando-as de ver alguma coisa na tv, ou de alguma gulodice (“Não vou lhe comprar sorvete, porque você fez malcriação!”) e também com punições físicas obviamente moderadas, quando se fazem necessárias.
É claro que o lar é um ninho de amor, ou deveria ser. Portanto essas punições se enquadram no clima de amor que deve impregnar a família e a punição assume portanto um aspecto de amor, é uma demonstração de amor. Mães e pais castigam sua prole por amor, assim como beijam, abraçam, protegem, alimentam, vestem e cuidam. E dirigem doces palavras, e participam de seus lazeres. O genial filme “Mary Poppins” de Walt Disney, encerra com o pai, o banqueiro carrancudo e sério, finalmente indo soltar pipas com seu casal de filhos.
Já perdi a conta, faz muito tempo, dos depoimentos que chegaram ao meu conhecimento, de pessoas que na infância receberam, quando havia motivo, castigos físicos de seus pais e ficaram muito agradecidas por isso, pois a educação com amor, carinho, mas também firmeza moral e transmissão de valores, fez delas pessoas DECENTES, enquanto em outros lares, desajustados, criaram-se futuros marginais que, lá nos Estados Unidos, onde ainda existe a pena de morte em vários estados, foram eventualmente engrossar a lista de condenados à câmara de gás ou à cadeira elétrica.
Mas a esquerda militante, liberal, socialista, marxista ou lá o que seja, embora conivente com as maiores barbaridades (como o aborto) se horroriza por exemplo, ante a ideia de reduzir a responsabilidade penal pelo menos para 16 anos, algo muito justo. Preferem que os povos, as pessoas inocentes, paguem a conta da anarquia. Quando muito dizem demagogicamente que reduzir a idade penal não resolve, que é preciso investir na educação (coisa que eles não fazem quando no poder) e assim preferem que a gente espere 500 ou mais anos até que os problemas sociais, supostamente responsáveis pela delinquência juvenil, sejam completamente resolvidos. E enquanto não chegamos na utopia (e desse jeito não iremos chegar), adolescentes continuam praticando crimes e violências. E fazendo vítimas.
O Estado não tem o direito de açambarcar o poder de pais e mães. Antes do Estado e da Escola, é à Família que compete a educação das crianças. Lógico que todo o poder na Terra tem limites. Pais não têm o direito de ser brutais com seus filhos, espancá-los, deixá-los passar fome, impedi-los de ir à escola, pervertê-los com maus exemplos (por exemplo: abrir um prostíbulo dentro de casa). Também não podem (infelizmente há muitos pais e padrastos que fazem isso) abusar sexualmente das crianças. Em suma, casos existem em que o pai, a mãe ou ambos, ou tutores, perdem o pátrio e o mátrio poder. Mas isso não tem nada a ver com os pequenos castigos de amor.


Eu lembro de uma cena interessante num episódio da Sailor Moon, no seu primeiro seriado (anos 90). Ilustra bem o que estou dizendo. A cena é antológica. Imagino porém que os “politicamente corretos” vão subir pelas paredes se chegarem a assistir. É quando Sailor Moon pega a sua filha Chibiusa e lhe aplica quatro vigorosas palmadas nas nádegas, a ponto da menina chorar. Mas sabem o que a Chibiusa havia feito? Simplesmente ela pusera para dormir (drogado) as quatro amigas de Sailor Moon, colocando um sonífero no chá que elas iam beber. E convenhamos, não se pode admitir que uma criança faça uma coisa dessas.
E no entanto, ao longo da série, Usagi Tsukino (Sailor Moon) demonstra um amor intenso e comovente para com a menina, aliás Chibiusa é uma gracinha. Há no youtube uma vinheta deliciosa (onde aparece rapidamente o Pégaso ou cavalo alado) onde a vilã Neherenia, Rainha da Lua Negra, tenta matar a filha de Sailor Moon. E como a heroína vai às últimas consequências para salvar Chibiusa. A mensagem é bem clara: quem ama corrige sim, mas cuida e protege mesmo com o risco da própria vida. Segue abaixo o endereço da vinheta, pinçada de um episódio.
Portanto, resumindo, dar palmadas ou chineladas é perfeitamente normal e lícito da parte de pais e responsáveis, evidentemente com a necessária moderação, e futuramente as crianças assim criadas num clima de amor, alegria e disciplina, agradecerão aos pais inclusive pelos castigos recebidos.

Rio de Janeiro, 12 de novembro de 2019.



(Sailor Moon, criação de Naoko Takeushi; séries de tv produzidas pela empresa japonesa Toei)

https://www.youtube.com/watch?v=vGG4e4f4gE4
Miguel Carqueija
Enviado por Miguel Carqueija em 12/11/2019
Reeditado em 12/11/2019
Código do texto: T6793434
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Miguel Carqueija
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 71 anos
3135 textos (214799 leituras)
56 e-livros (5205 leituras)
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Miguel Carqueija