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CHEIRAR CALCINHA - UM ATO NÃO DEFINE UM HOMEM, MESMO QUE SEJA UMA GAFE MIDIATICA

CHEIRAR CALCINHA - UM ATO NÃO DEFINE UM HOMEM, MESMO QUE SEJA UMA GAFE MIDIATICA

Dito isto, vamos tentar justificar o que ninguém quer justificar, “cheirar calcina”, “cheirar calcinha comestível”, usada ou não.
Episódio recente invadiu as mídias sociais da região e talvez do além região, sobre um Vereador que teve a infelicidade de ser flagrado com a câmera ligada enquanto desembalava uma calcinha vermelha que soube ser comestível.
O fato de existir calcinhas é comum a nossos tempos, o fato de existir calcinhas comestível também, havendo amplo mercado para tal.
O fato das mulheres e homens consumi-las também é um fato e é por isto que elas são produzidas e comercializadas, não sendo também estranho o fato de presenteá-las¬¬¬¬¬¬.
No caso presente o Dito Vereador recebeu um presente de uma “calcinha comestível”, identificada ou não na embalagem e ao abrir deparou com o produto e dizendo comestível, automaticamente levou ao olfato para cheirar, se é comestível, com certeza irá ter odor agradável, pois ninguém produz algo comestível com odor ruim.
Quem não foi ao mar pela primeira vez e pegou com a mão ou com uma vasilha a agua para ver se era realmente salgada e qual nível de sal teria na agua do mar, é um fato corriqueiro, desde que não na frente das câmeras, pois se não parecerá bizarro, engraçado, poderá se tornar notícia.
No caso da “calcinha vermelha comestível presenteada ao vereador”, poderia ter sido um gesto automático de cheirar, pois se era comestível poderia ter também cheiro agradável, e se o gesto foi automático, provavelmente foi pelo fato de não ter habituado com este fato, ou seja, se fosse um consumidor inveterado de calcinha comestível, não praticaria o ato de cheirar automaticamente.
Todo o problema foi  a Câmera ligada, em uma sessão da Câmara, onde o mesmo é Vereador, se não fosse a Câmera ligada, o ato poderia ter sido o mais normal do mundo, e não teria sido “virilizado nas mídias sociais e imprensa”, mas como estava ligado e como o ato era em uma sessão pública da Câmara, então se justifica a execração social, a virilização da mídia.
Coisas boas ou que não sejam engraçadas, ou que não sejam intimas, não virilizar, principalmente se não forem em pessoas em certas posições, ou em que não sejam em certos momentos públicos.
Muitas pessoas foram vítimas de execração por serem pegos com o “dedo no nariz”, com a “mão na genitália”, ou “beijando em público”, como o caso “da mulher sem calcinha” no carnaval do Rio de Janeiro sentada ao lado do Presidente.
O “caso do porteiro do condomínio” que mencionou o nome do Presidente quando alguém envolvido em um crime visitou o condomínio, ao mencionar o Presidente tudo virilizou.
Se o homem comum, o menino pobre, ou um transeunte qualquer tivesse sido pego em flagrante em uma filmagem qualquer “cheirando uma calcinha comestível”, ou mesmo em um anuncio de “calcinha comestível”, onde no anuncio se exaltasse o bom odor do produto, não seria notícia midiática virilizada  com certeza.
No presente caso o personagem foi uma pessoa com uma certa posição, um vereador, um religioso, um homem público que já é mídia normal no dia a dia, portanto muito fácil falar de um homem público, falar de um desconhecido ninguém tem interesse, além do fato de ser uma sessão da Câmara, uma audiência publica gravada.
Pelo fato de ser um homem público, fato este conquistado no dia a dia por dezenas de anos de trabalho público, no asilo, nas campanhas para a política, na defesas dos interesses de muitas classes sociais de Bragança Pta e região, uma cidade grande umas das 80 maiores do pais, uma cidade que já foi a capital federal do café, que teve o primeiro teatro do Brasil, ora em reforma com um gasto de mais ou menos 20 milhões de reais, que teve um dos primeiros trens do interior, que teve os primeiros calçamentos viários do pais, que teve uma das primeiras produtora e distribuidores de energia elétrica do pais, então ser um homem público em uma cidade desta, é ser importante, e se chegou a ser importante é porque galgou muitos passos para chegar até aqui, e não é um flagra com “uma calcinha” que via definir este homem de forma diferente.
Bil Clinton foi flagrada com a secretária, muitos jornalistas da globo foram flagradas com as câmeras ligadas e sobreviveram, com certeza “Ditinho do Asilo” vai sobreviver a estes fatos, seja jocoso ou não.
Com certeza um fato aparentemente engraçado quando flagrado publicamente será objeto de comentário de interpretação “mils”, mas não definirá nunca que foi, ou quem é o Ditinho do Asilo, o Ditinho Bueno, ele é mais do que isto, ele é e continuará sendo o Ditinho do Asilo, somente com um flagra a mais na vida que gerou Mídia.
A menos de um ano ele já tinha sido passado por um fato polemico, ao passar por uma discussão público com o Prefeito de nossa cidade em uma reunião sobre discussão de um Decreto ilegal do Prefeito onde levou uma grande parte da população a escolhe-lo para liderar nesta reunião e em dado momento da discussão devido ao enfrentamento houve um choque nas conversas e como tudo estava sendo gravado “TAMBEM AQUELE FATO” virilizou na MIDIA ESCRITA E FALTA, e dissemos naquela ocasião que houve um faturamento positivo que valia milhão de reais de propaganda midiática. Não se consegue mídia de graça, e mesmo pagando milhões, não se consegue ser lido, entendido, ou se tornar conhecido.
Todos gostariam é lógico de se tornar conhecido por ter inventado uma coisa boa e de boa aprovação popular.
Mesmo ele tendo trabalhado dezenas de anos no Asilo que definiu o seu nome de “Ditinho do Asilo”, ter praticados milhares de fatos no dia a dia de sua atividade, ter beneficiados milhares de pessoas, tudo isto não vira notícias midiáticas, são apenas fatos não engraçados, mas isto define “um homem”, não um flagra qualquer de “cheirar calcinha comestível que eventualmente tinha cheiro bom ou não de acordo com as preferências de cada um”.
Um ato ou um fato não define um homem, mas poderá marca-lo, torna-lo conhecido, mas com certeza só será execrado por aqueles que já queriam execra-lo, que estava procurando motivo para tal, pois aqueles que de alguma forma o conhecem e sabem da escalada que o mesmo teve para chegar até aqui, continuarão a respeita-lo como já o faziam antes. O que mudou então foi que agora ele tem o fato de ter sido flagrado com um ato que viralizou e o tornou ainda mais conhecido do que era.  26.06.20

DA VIRILIZAÇÃO NA MIDIA
Tentando ir mais a fundo no artigo acima, e pesquisando na web deparei com especialista em literatura discursiva (1)  que explicam como um ato textual, charge, imagem ou filme, sai do contexto, se destaca em “ Hashtag”, isto é, se destaca, do contexto, para se transformar em indicador de busca pela web, se tornando notícia.
A mídia se alimenta de hashtag, conteúdo capturado em contexto factual ocorrido. Isto ocorre em função do ambiente em discussão, em função da pessoa envolvida, publica ou não, em função ainda do momento que se vive, ou onde o contexto ligado a outros fatos em destaque na mídia há época dos fatos, e ainda as vezes por quem a dissemina.
No caso presente, teve influência o ambiente (sessão da Câmara municipal), bem como do personagem envolvido figura pública vereador; tem ainda a ver com o momento político em que vive o pais, onde existe uma verdadeira “caça às bruxas” de políticos, que são personalidades públicas, e assim a mídia em geral se alimenta de qualquer dissonância correlatadas ao aparecimento dos mesmos.
No caso presente um descuido de abrir um presente “uma calcinha vermelha comestível e cheirar”, não tinha a ver com o ambiente, reunião sessão ordinária da Câmara, agravado por ser peça intima feminina, agravada ainda pela discussão de gênero também em moda, e ainda quando na reunião uma mulher Vereadora falava, tudo culminou com a explosão midiática que viajou por regiões, estados, países, tornando virilazação internacional. 26.06.20.


1)Principalmente sobre “gafe”, Autor do livro : - Quatro ensaios sobre a GAFE na comunicação política : uma abordagem discursiva / org. Roberto Leiser Baronas, Julia Lourenço Costa. - 1ª ed. - Coimbra : Grácio, 2018. - 120, [1] p. : il. ; 23 cm. - ISBN 978-989-54215-4-1 e
do artigo: Ao analisarmos a circulação do enunciado tenho convicção do que a mulher faz pela casa destacado pelos mais diversos suportes midiáticos brasileiros do pronunciamento do presidente Michel Temer por ocasião do Dia Internacional da Mulher em 2017- posicionamentos sociais, como por exemplo, acerca do papel da mulher na nossa sociedade - costa, julia lourenço & baronas, roberto leiser; A construção midiática da gafe: uma abordagem discursiva Media construction of gaffe: a discursive approach redis: revista de estudos do discurso, nº 8 ano 2019, pp. 42-64 -redis: revista de estudos do discurso, nº 8, ano 2019 doi 10.21747/21833958/red8a2 A construção midiática da gafe: uma abordagem discursiva1 Media construction of gaffe: a discursive approach  FAPESP - UFSCar/ Univ.Paris13 key-words: asseveration; gaffe; enunciation scenes; media. costa, júlia lourenço julialourenco@usp.br baronas, FAPESP - UFSCar




estreladamantiqueira
Enviado por estreladamantiqueira em 27/06/2020
Código do texto: T6989367
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Sobre o autor
estreladamantiqueira
Extrema - Minas Gerais - Brasil
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