São Chegados os Tempos

SÃO CHEGADOS OS TEMPOS

A geração nova

Luiz Julião Ribeiro

luizjuliaoribeiro@gmail.com

O progresso não constitui simples criação do ser humano e muito menos obra do acaso, mas sim fruto da ação de uma Lei Natural ou Divina que rege a evolução dos seres um a um e as transformações da matéria, ocorrendo de forma geralmente permanente, individual e gradual, mas algumas vezes, de tempo em tempo, ocorrendo de maneira abrupta, atingindo grande número de pessoas ao mesmo tempo, visando acelerar o processo.

Isso sucede porque, embora os seres espirituais, encarnados e desencarnados, gozem do livre-arbítrio, Lei Natural, que faculta aos seres inteligentes fazerem suas escolhas, agirem com relativa liberdade; os erros e equívocos praticados pelo afastamento das Leis Divinas, vão se represando, se acumulando, razão pela qual são tempestivamente freados, sob a ação da lei de causa e efeito, preservando, então, a necessária harmonia com as demais leis naturais, impedindo que ocorram injustiças.

Importante pontuar, contudo, que nada disso acontece de forma acidental, descontrolada e sem objetivos sábios, mas de maneira providencial e sempre para o bem geral, muito embora aqui na Terra só vejamos pelo lado negativo e destruidor.

As ciências desenvolvidas pela inteligência humana, por meio da observação, pesquisas e investigação da própria Natureza, já identificam e classificam as Épocas, as Idades e as Eras transcorridas pela Terra e sua Humanidade. Por exemplo a Idade Média, com base em elementos sociológicos, antropológicos, culturais, econômicos e tantos outros; bem como por aquelas sofridos pela própria Terra, como por exemplo a Era Mesozoica, pesquisando as formações das diversas camadas geológicas nos transcorrer de bilhões de anos da existência do planeta.

A evolução do ser humano, conforme ensino dos Espíritos Superiores que auxiliam o Cristo na administração e execução do progresso da Humanidade, ocorre em dois aspectos ou campos bem distintos: evolução moral e evolução intelectual.

A evolução intelectual que se efetua precipuamente na relação do Espírito com a matéria é a mais simples, posto que desenvolve o campo racional/material do ser, sendo evolução meio; já a evolução moral que se realiza por meio das relações entre os seres espirituais entre si, encarnados e desencarnados, no campo sentimental/espiritual, constitui evolução fim, é mais complexa, mais difícil, mais demorada, porque diz respeito aos valores sutis e imperecíveis do ser espiritual, as virtudes morais.

No que tange aos fenômenos de natureza material, as ciências dos seres humanos têm mais facilidade de compreender, prever e manejar; mas aqueles que dizem respeito ao ser espiritual e, mais especificamente ao sentimento do amor, por enquanto, por óbvio, esbarram em maiores dificuldades.

Contudo, os Espíritos elevados, mesmo estando encarnados, compreendem e podem revelar, quando sejam conveniente e objetivando o progresso geral, acontecimentos importantes que possam prevenir e beneficiar a Humanidade no enfrentamento de sua luta evolutiva.

Nesse terreno, importante deixar esclarecido de uma vez por todas, que não há adivinhações, no sentido vulgar do termo, mas previsões de acontecimentos futuros que estão contemplados, calculados e previstos na programação espiritual de cada elemento e de cada ser, desde o átomo às inumeráveis constelações, sob a égide das leis naturais.

Não foi por outra razão, fundamentos e objetivos que Jesus, por meio de uma de suas sábias parábolas, assim nos anunciou:

Ora, quando o Filho do Homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-se-á no trono de sua gloria; reunidas diante dele todas as nações, separará uns dos outros, como o pastor separa dos bodes as ovelhas e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.

Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que foi preparado desde o princípio do mundo; porquanto, tive fome e me deste de comer; tive sede e me deste de beber; careci de teto e me hospedastes; estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver.

Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer; ou com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes.

Dirá em seguida aos que estiverem à sua esquerda: Afastai-vos de mim, malditos; ide para o fogo eterno, que foi preparado pelo diabo e seus anjos; porquanto, tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; precisei de teto e não me agasalhastes; estive sem roupa e não me vestistes; estive doente e no cárcere e não me visitastes.

Também eles replicarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e não te demos de comer; com sede e não te demos de beber; sem teto, ou sem roupa doente ou preso e não te assistimos? Ele então lhes responderá: Em verdade vos digo: todas as vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo.

E esses irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (Mateus, 25:31 a 43). (destaque nosso) (KARDEC, 2018).

Ora, nessa parábola Jesus se refere a um tempo futuro, indeterminado, mas cujo fato iria acontecer oportunamente, porquanto já estava programando desde o início do mundo.

Trata-se, portanto, de acontecimento eminentemente moral, refere-se à propensão de todo ser humano se tornar compassivo, misericordioso, fraterno, solidário; numa palavra, caridoso para com aqueles que caminham na sua retaguarda ou que marcham ao seu lado.

Isso porque a Humanidade terrena é constituída de Espíritos com diversas idades espirituais, diversos graus de desenvolvimento intelectual e moral, sendo responsabilidade dos mais adiantados, dos mais velhos estenderem as mãos aos menorzinhos, aos mais novos e não explorarem, subjugarem ou prejudicarem como muitas vezes acontece.

Ele próprio, Jesus, acompanhado dos seus prepostos, faria a seleção daqueles que durante o interregno praticaram a caridade, em todos os aspectos, para com os mais pequeninos; separando-os daqueles outros que foram indiferentes, faltaram com a fraternidade e a solidariedade para com esses pequenos.

Então, fica absolutamente claro que a prática do bem é uma obrigação do ser inteligente, na medida em que for desenvolvendo, adquirindo consciência e compreendendo as Leis Divinas, já reveladas pelo próprio Cristo e complementadas pelos seus prepostos.

Nenhum Espírito foi criado por Deus para praticar o mal, mas o bem. O mal é obra personalíssima do ser que usando do seu livre-arbítrio, se afasta do cumprimento das Leis de Deus e age por vontade própria, sendo, portanto, responsável pelos seus atos.

É claro que Jesus, nessa parábola, para se fazer compreendido, materializou o acontecimento, simbolizando um juízo, um julgamento, mas tudo acontece movido pela força das coisas, ou seja, pela ação natural das Leis Divinas que regem todo o Universo e fazem que germinem as plantas, sopre o vento, caia a chuva, combine a matéria e que toda a Natureza funcione a seu tempo e harmoniosamente.

Com o advento do Espiritismo, anuncia o Espírito de Verdade que esse momento anunciado por Jesus chegou. Claro que um acontecimento dessa magnitude não transcorre de um dia para o outro. Esclarece, portanto, que começou no século XVIII e estamos desde então vivenciando a transição, saindo do estágio de provas e expiações para o de regeneração.

Até agora, o planeta Terra já passou pelo grau evolutivo de mundo primitivo, estamos concluindo o grau de mundo de provas e expiações e entrando no de mundo de regeneração em que seus habitantes finalmente se livrarão dos vícios do orgulho, da inveja e do ódio e terão como principal virtude a vivência da fraternidade.

À guisa de simples comparação, o que ocorrerá na Terra é semelhante a uma escola de ensino fundamental e que a partir de determinado ano, passasse a ser uma escola de ensino médio. Com isso, os alunos que não alcançaram o ensino médio até o referido ano não poderão mais estudar na aludida escola e serão transferidos para outras de ensino fundamental, compatíveis, portanto, com o grau de aprendizagem dos respectivos alunos, a fim de que deem continuidade aos seus estudos.

Allan Kardec não ficou indiferente a esse importante tema, vez que o Espiritismo não foi revelado no século XIX por obra do acaso, mas porque estava na programação do processo evolutivo do planeta e, seu conteúdo, eminentemente espiritual, é indispensável para a formação moral da geração nova que habitará a Terra.

Assim, o tema foi tratado de forma específica pelo Codificador, na obra A Gênese, capítulo XVIII, com o título São chegados os tempos.

Então, no item 19, assim escreveu o Codificador: “Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concordância, a paz, a fraternidade.”

Um simples olhar na história da Humanidade nos permite afirmar que a evolução intelectual que desvendou as entranhas da Terra, penetrou no invisível do micro, evidenciou a imensurável extensão do espaço sideral, revolucionou as telecomunicações, construiu maquinas, robôs e arranha-céus e, desvendou o DNA tornou o ser humano mais perverso, mais astuto e não impediu a matança pela disseminação das guerras, o ódio entre seres e nações, a fabricação de material bélico de destruição em massa, a escravidão, as perseguições, as perversidades, os adultérios, os roubos, os furtos, os preconceitos e a iniquidade...

É por isso que somente a Ciência do Amor em todas as suas expressões de humildade, benevolência, indulgência, perdão, compaixão, fraternidade, solidariedade, honestidade, respeito e caridade pode edificar a sonhada paz em todo o nosso planeta, libertando o ser humano da prática do mal e edificando a felicidade.

Mais adiante, no item 27, Allan Kardec elucida o seguinte:

Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque, senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculos ao progresso. Irão expiar o endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasadas, equivalentes a mundos daquela ordem, aos quais levarão os conhecimentos que hajam adquirido, tendo por missão fazê-las avançar. Substitui-los-ão Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade. (KARDEC, 2007).

No texto acima o Codificador começa esclarecendo que para que haja felicidade na Terra se faz necessário que os Espíritos que habitam o planeta, tanto encarnados como desencarnados, sejam Espíritos bons. Isso ocorre porque quando se fala dos habitantes da Terra não se pode excluir os desencarnados, pois habitam a erraticidade terrestre e estão em permanente sintonia com os encarnados, permutando o tempo todo ações e reações, por meio das influenciações recíprocas, tanto positivas como negativas, formando uma população única de seres espirituais, encarnando, desencarnando e reencarnando o tempo todo, no vai e vem da vida...

Em seguida fala da grande emigração de parte dessa população de Espíritos que deixará o ambiente terrestre, porque não acompanhou o processo evolutivo moral e praticam o mal pelo mal, isto é, agem por pura maldade comprometendo desse modo o progresso geral do planeta, causando perturbação e confusão àqueles que já desejam e praticam o bem. Esses que serão excluídos são aqueles mesmos mencionados por Jesus em sua parábola e que se recusam a fazer o bem.

Quanto ao destino desses Espíritos, irão para outros planetas mais atrasados do que a terra ou reencarnarão no seio de povos menos adiantados, em expiação e missão, isto é, irão trabalhar por eliminar seus vícios, melhorando-se moralmente, reparando os erros cometidos contra as Leis Divinas e com a importantíssima missão de contribuir com povos bem menos adiantados. Porém, como aqui na Terra adquiriram considerável evolução intelectual, estão preparados para desempenhar papeis de alta relevância e vanguarda junto a tais povos, participarão de grandes aventuras, contribuirão com as ciências, com a filosofia, com a política, com a religião e com todo tipo de organizações sociais civilizatórias no seio desses povos entre os quais irão habitar; serão filósofos, matemáticos, cientistas, artistas, inventores, políticos, sacerdotes, juristas, militares de altas patentes e mestres de grande vulto, posto que os mundos e os povos são todos solidários, componentes que são de um único mundo, de uma única família, a família do Universo, da monumental obra de Deus.

Allan Kardec caracteriza esses Espíritos que estarão impedidos de continuar habitando a Terra tanto na condição de encarnados como desencarnados, no penúltimo parágrafo do item 28, nos termos a seguir:

O que, ao contrário, distingue os Espíritos atrasados é, em primeiro lugar, a revolta contra Deus, pelo se negarem a reconhecer qualquer poder superior aos poderes humanos; a propensão instintiva para as paixões degradantes, para os sentimentos antifraternos de egoísmo, de orgulho, de inveja, de ciúme; enfim, o apego a tudo o que é material: a sensualidade, a cupidez, a avareza. (KARDEC, 2007)

No que concerne aos Espíritos que comporão a geração nova, o Codificador os descreve no item 28, parágrafo terceiro, da seguinte forma:

Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior. Não se comporá exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas dos que, já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as ideias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração. (KARDEC, 2007).

Observa-se que a geração nova que constituirá a Humanidade em regeneração não é composta por Espíritos puros, mas daqueles que venceram as primeiras fases da evolução espiritual, intelectual e moral, mormente no campo moral, livres dos vícios degradantes do orgulho, do egoísmo, da inveja, do ódio e dos seus consectários.

Como a inteligência tem sede no Espírito e não no corpo físico, mero instrumento daquele, essa inteligência o Espírito não a perde quando desencarna e, ao reencarnar traz consigo esse patrimônio moral e intelectual, que se soma e se acumula a cada nova existência, o que se denomina de tendências inatas e que se manifesta no ser humano desde tenra idade, mas se for um Espírito belicoso, tais tendências também se manifestam da mesma forma.

Muito embora a transformação seja para o bem de todos, sem exceção, haverá muitos opositores que lutarão pela estagnação da Humanidade, por não compreenderem os benefícios da mudança, por medo, por não quererem abrir mão dos vícios que acariciam, das falsas posições que ocupam e por reconhecerem, ainda incapazes das mudanças imediatas, conforme revela Allan Kardec, no item 26, assim exarada:

Grande, por certo, é ainda o número dos retardatários; mas, que podem eles contra a onda que se alteia, senão atirar-lhe algumas pedras? Essa onda é a geração que surge, ao passo que eles se somem com a geração que vai desaparecendo todos os dias a passos largos. Até lá, porém, eles defenderão palmo a palmo o terreno. Haverá, portanto, uma luta inevitável, mas luta desigual, porque é a do passado decrépito, a cair em frangalhos, contra o futuro juvenil. Será a luta da estagnação contra o progresso, da criatura contra a vontade do Criador, uma vez que chegados são os tempos por ele determinados. (KARDEC, 2007).

Finalizaremos essa despretensiosa reflexão com o esclarecimento do Codificador de que em realidade não se trata de uma nova geração de corpos físicos, mas de Espíritos moralizados que vêm reencarnando na Terra desde os primórdios e que aproveitaram convenientemente as oportunidades e se elevaram moralmente, os quais se juntarão a Espíritos com grau de evolução semelhante oriundos de outros planetas que passarão a constituir a Geração Nova.

A propósito vejamos o que afirmou Allan Kardec no último parágrafo do item 27:

Muito menos, pois, se trata de uma geração corpórea, do que de uma nova geração de Espíritos. Sem dúvida, neste sentido é que Jesus entendia as coisas, quando declarava: “Digo-vos, em verdade, que essa geração não passará sem que estes fatos tenham ocorrido.” Assim, decepcionados ficarão os que contem ver a transformação operar-se por efeitos sobrenaturais e maravilhosos. (KARDEC, 2007).

Na prática acontece assim: Quando a Humanidade se der conta da transformação que foi anunciada, ela já estará acontecendo e fazendo parte da nossa História.

Anezio extraido da Revista Reformador da FEB

REFERÊNCIAS:

Kardec, Allan, O Evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 7. imp. Brasília: FEB, 2018.

KARDEC, Allan. A Gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 52. Ed. Brasília: FEB, 2007.

Luiz Julião Ribeiro
Enviado por ANEZIO em 23/01/2021
Código do texto: T7166476
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