Ninfa: aos 17 teve ecdise, cantou e morreu / realidade

ASPAS abertas para um trechinho da dramática narrativa da reportagem de Marcos Rodrigues, do dia 30 de outubro de 2013.

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Após uma longa, lenta e cansativa escalada de alguns centímetros, às vezes até dois metros, as ninfas param. Ficam ali, penduradas ao léu, estáticas. Pouco a pouco, e magicamente, uma fenda aparece ao longo das costas da ninfa, e por ali vai emergindo o indivíduo adulto. Primeiro surge a cabeça com os enormes olhos que brilham à luz da minha pobre lanterna. Depois parece que o corpo mole do adulto escorrega vagarosamente pelo exoesqueleto até liberar as pernas. Finalmente, já fora da carapaça, mas agarrado a ela, as asas começam a inflar até se formarem completamente.

\\ ASPAS fechadas para um trechinho extraído da reportagem de Marcos Rodrigues intitulada: “A luta de vida e morte por trás do canto das cigarras”. O brilhante trabalho completo pode ser conferido visitando-o em:

https://oeco.org.br/analises/27722-a-luta-de-vida-e-morte-por-tras-do-canto-das-cigarras/

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Comentando aqui, o Tex.

Muitas pessoas entenderam erroneamente esse processo natural e, assim, criou-se a lenda de que as cigarras cantam até explodirem.

Então vem esse fenômeno acima muito bem narrado pelo Marcos Rodrigues, na página chamada “O Eco” (internet). Esse exoesqueleto, em formato de casquinha, é encontrado abandonado em árvores e tem o nome de “exúvia”. E todo esse processo (que não é doença nem representa a morte da cigarra) é chamado cientificamente de “ecdise”.

Quando as cigarras deixam de habitar em buracos no solo e sobem as árvores, elas até esse momento eram chamadas de: ninfas. Então precisam deixar o chão para se tornarem adultas.

A Natureza NÃO foi tão generosa com a profissão de cantar exercida pela cigarra. É que, quando começam a ir morar nas árvores e passam a soltar sua cantiga, isso só acontece num momento em que já estão apenas a algumas semanas de... morrerem!

Os machos das cigarras, depois de adultos (e que antes eram aquelas ninfas que deixaram a casquinha para trás), ficam com essa obrigação de cantar, para chamarem as fêmeas também já adultas, pois já é hora do namoro ou acasalamento.

É interessante observar que a palavra “ninfa” é uma classificação da fase, e não do gênero (macho ou fêmea), das cigarras.

Isso porque elas vão sair da fase de “ninfa” quando sobem para morar nas árvores e passam a namorar. Mas só namoram depois de passar umas 3 ou 4 vezes por essa tal de “ecdise” (transformação que também se chama de: “muda”). Então elas fazem aquilo que nunca tinham feito durante até uma década e meia: CANTAR...! Para depois de algumas semanas botarem os seus ovos que darão continuidade à existência da espécie. Aí os filhotes vão todos para debaixo do solo, até também passarem aproximadamente 17 anos como “ninfas” (se conseguirem sobreviver aos predadores).

Depois de viverem essa “eternidade” em buracos no solo, são levadas pelo instinto a subirem para morar nas árvores, tornam-se adultas e aí cantam (chamando para o namoro) ... acasalam, põem ovos e... MORREM dentro de apenas algumas semanas!

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Da série: “Ninfa... só é quem não sabe cantar”