A Grande Guerra Mundial... pelo idioma?

Este texto não é para atacar o ponto de vista de outras pessoas. É uma reflexão.

Um autor querido de muitos entre nós neste Recanto das Letras posicionou-se em defesa da língua portuguesa culta, como aliás sempre fez e tem tido minha inteira concordância.

No entanto, eu preciso reforçar (aqui) aquilo que eu chamaria de “confusão teórica”.

Todos sabemos do desprezo que a esquerda comunista (existe, sim!), dentro do nosso território nacional, espalha contra os Estados Unidos da América / ou: EUA; USA. Daí a minha estranheza quando esse amigo estimado, a quem me referi, ataca a influência da língua inglesa sobre nossa rotina (principalmente na economia e negócios), mas é porque ele faz isso equiparando o fenômeno com uma atual manobra conhecida como “linguagem não-binária” ou “linguagem neutra”. Eu sei que ele até é um fã das criações de Walt Disney e faz com muita competência eventuais resenhas sobre a obra, consagrada mundialmente, desse pioneiro do entretenimento. Mas, ao fazer essa comparação ou nivelamento, nosso amigo produz e assume uma postura complexa e controversa se tão somente lembrarmos do fato de não ser ele simpatizante desses ataques brutais do esquerdismo contra a cultura norte-americana.

Passarei a explicar, tentando me ater a apenas algumas considerações básicas.

Eu peço atenção para os seguintes pontos que resolvi destacar.

1- A tal linguagem não-binária (ou neutra) é totalmente ideológica. E se trata de uma tentativa de “linguagem” e um “arranjo” para que se tente impor a visão de uma categoria específica de militantes, ou seja, um modo de se comunicar pedindo emprestado a LÍNGUA nacional. Já a língua inglesa é o que a própria designação diz: uma “LÍNGUA” (um idioma) que tem berço, origem e nações por trás do seu surgimento.

2- Imaginar um quadro em que pessoas estão tentando assimilar o sentido de palavras e expressões da língua inglesa não é algo assustador porque, além de um belíssimo exercício para o cérebro, pode estimular a leitura de obras de autores importantes em suas próprias falas sem necessidade de tradutores. Já a tal “linguagem neutra” (que não serve sequer para a defesa e proteção dos que se relacionam de forma homoafetiva) não trará qualquer efeito no desenvolvimento da cognição e se trata de um movimento capitaneado por quem não gosta de estudar e odeia a própria língua de berço.

3- Eu perguntaria se essa postura (com a qual eu até me solidarizo pelo combate ao excesso de estrangeirismo) não seria muito parecida com a de afirmarmos (equivocadamente) que as missas rezadas em latim, como eram praticadas há mais de meio século passado, iriam ser uma influência exagerada do poder papal e uma interferência indevida na nossa língua pátria. Claro, a invasão meramente comercial da língua inglesa é exatamente isso: uma influência mercadológica, mas sem que necessariamente haja interesse de colonização. Quem ainda duvida deste último ponto, peça a Deus que não suba ao poder central o grupo representado pelo governador João Doria. Aí, sim, todos irão ver o “mandarim” (idioma) sendo obrigatório nas escolas de Ensino Fundamental. Eu repito: obrigatório — e não meramente mercadológico e espontâneo como é com a língua inglesa.

Bem, são pontos que eu quis realçar, como também mera opinião minha.

O fato é que o “inimigo” cultural não escreve com as nossas letras do Alfabeto.

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Da série: “A língua não é algo que se lave com detergente neutro”